Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 19 de dezembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a determinação

(Pv 16:33)

Se a determinação da sorte é do Senhor, quem, então, ordena toda a nossa vida? Se o simples lançar de uma sorte é guiado por Ele, quanto mais os acontecimentos de toda a nossa vida, especialmente quando nos é dito por nosso amado Salvador: "E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados; nenhum pardal cairá em terra sem a vontade de vosso Pai" (Mt 10:30). Isso trará uma sagrada calma a sua mente, caro amigo, se você puder sempre se lembrar disso. Também aliviará sua mente da ansiedade, permitindo que você seja mais capaz de caminhar com paciência, calma e alegria, como deve um cristão. Quando um homem está ansioso, ele não pode orar com fé; quando ele está preocupado com o mundo, ele não pode servir a seu Mestre, pois seus pensamentos estão servindo a si mesmo. Se você "buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça" (Mt 6:33), todas as coisas, então, lhe serão acrescentadas.

Você está interferindo nas coisas de Cristo, e negligenciando as suas próprias, quando você se preocupa com a sua sorte e circunstâncias. Você tem tentado "realizar" o trabalho, e esquecido de obedecer. Seja sábio e obedeça, e deixe Cristo cuidar do "realizar". Venha e avalie o armazém de seu Pai, e pergunte a si mesmo se Ele deixará você faminto, uma vez que o Senhor colocou tão grande abundância em Seu celeiro. Olhe para o coração de misericórdia do Senhor e veja se Ele pode, de alguma forma, ser cruel! Olhe para Sua sabedoria inescrutável, e veja se, de alguma forma, ela pode falhar. Mas, acima de tudo, olhe para Jesus Cristo, o seu intercessor, e pergunte a si mesmo, enquanto Ele intercede por você: pode o seu Pai tratar-lhe sem misericórdia? Se o Senhor Se lembra até mesmo dos pardais, Ele esqueceria de qualquer um de Seus pobres filhos? "Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado" (Sl 55:22). "Minha alma, descanse feliz na tua humildade, Não espere nem deseje admiração ou pomposidade; Que a Vontade Divina, Seja a tua glória e a tua riqueza".

Noite

(…) o mar já não existe

(Ap 21:1)

Dificilmente poderemos nos regozijar com a ideia de perder o glorioso oceano. Os novos céus e a nova terra não são belos a nossa imaginação se, de fato, literalmente, não houver o grande e majestoso mar, com sua ondas brilhantes e seu litoral cheio de conchas. Então, não deverá o texto ser lido como uma metáfora, tingida pelo conceito que tinha o mar em tempos antigos? Um mundo físico, real, sem o mar, seria um lugar triste de se imaginar, tal como um anel sem a safira que o torna precioso. Deve haver um significado espiritual aqui.

Na nova dispensação, não haverá divisões, pois o mar separa nações e rompe os povos uns dos outros. Para João, em Patmos, as águas profundas eram como muros da prisão, fechando-o de seus irmãos e de seu trabalho. Não haverá tais barreiras no mundo do porvir. Todo um oceano, com suas rolantes ondas, está entre nós e muitos de nossos parentes que, esta noite, nos lembramos em oração. Entretanto, no resplandecente mundo para o qual iremos, haverá comunhão ininterrupta com toda a família redimida. Nesse sentido, não haverá mais mar. O mar é o símbolo da mudança, com seus fluxos e refluxos, sua transparente suavidade e suas ondas montanhosas, seus murmúrios suaves e seus rugidos tumultuosos. Ele nunca é o mesmo. Escravo dos ventos instáveis e da lua inconstante, sua instabilidade é proverbial. Em nosso estado mortal temos muito disso, em que a Terra é constante apenas em sua inconstância. Mas, no estado celestial, toda mudança pesarosa será desconhecida, e com ela todo o medo da tempestade, que destrói nossas esperanças e afoga nossas alegrias.

O mar de cristal brilha com uma glória ininterrupta, sem ser quebrada por uma onda sequer. Nenhuma tempestade uiva ao longo de seu tranquilo litoral. Logo vamos chegar a essa feliz terra onde separações, mudanças e tempestades terão fim! Jesus é nossa embarcação até lá. Será que estamos nEle ou não? Essa é a grande questão.