Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 15 de dezembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela

(Rt 1:14)

Rute e Orfa tinham afeição por Noemi, e, por essa razão, ambas se propuseram a retornar com ela à terra de Judá. Mas veio a hora da prova. Noemi, de bom coração, antecipou a cada uma delas as provações que lhes aguardavam, e disse que se desejassem conforto e tranquilidade, elas deveriam retornar aos seus parentes moabitas. A princípio, as duas declararam que o destino delas era estar junto com o povo do Senhor. No entanto, ainda que em muita consideração e tristeza, Orfa respeitosamente beijou sua sogra e a deixou, e foi para seu povo, e para o seu deus, e voltou para seus parentes idólatras.

Rute, por sua vez, com todo o seu coração, entregou-se ao Deus de sua sogra. Uma coisa é amar os caminhos do Senhor quando tudo está fácil, mas outra bem diferente é unir-se a eles em meio a muitos desânimos e dificuldades. Um beijo é algo barato e fácil de ser realizado, porém ir pelo caminho do Senhor, que significa a sagrada escolha pela verdade e santidade, não é algo tão fácil. Como estamos nós? Porventura nosso coração está pregado em Jesus, um sacrifício atado com cordas às pontas do altar (Sl 118:27)? Já calculamos o preço e estamos solenemente prontos a sofrer toda e qualquer perda mundana por amor ao Mestre? O ganho depois será uma recompensa abundante, onde os tesouros do Egito nem sequer podem ser comparados à glória que será revelada (Rm 8:18). Nunca mais se ouviu falar de Orfa. Em gloriosa tranquilidade e prazerosa idolatria, sua vida funde-se com a escuridão da morte, porém Rute vive na história e no céu, pela graça que a colocou na nobre descendência de onde surgiria o Rei dos reis. Bendita entre as mulheres devem ser aquelas que, por amor a Cristo, podem renunciar a tudo; porém esquecidas, e mais do que esquecidas, devem ser aquelas que, na hora da tentação, violam suas consciências e voltam para o mundo. Ó, que nesta manhã possamos não nos contentar com aquela forma de devoção que não pode ser melhor do que o beijo de Orfa, mas que o Espírito Santo opere em nós um desejo ardente, em todo o nosso coração, para o Senhor Jesus.

Noite

(…) e te fundarei sobre as safiras

(Is 54:11)

A igreja de Deus é justa e preciosa não só por aquilo que é visível, mas também por aquilo que é invisível. As fundações ficam fora da vista, e, embora sejam firmes, não se espera que sejam de grande valor. No entanto, em toda a obra do Senhor, tudo é uma única peça, e nada é sem forma ou sem valor. As profundas fundações da obra da graça são como safiras que não têm preço, e nenhuma mente humana é capaz de medir sua glória. Nós construímos sobre a aliança da graça, que é mais firme que o adamante e tão duradoura como pedras preciosas, cuja épocas gastam-se em vão.

Fundações de safira são eternas, e a aliança permanece durante todo o tempo do Todo-Poderoso. Outro fundamento é a pessoa do Senhor Jesus, que é límpida e sem mancha, eterno e belo como a safira, misturando o azul do mais profundo oceano com o azul que envolve todo o céu. Em outros tempos, nosso Senhor pôde ser comparado ao rubi, quando esteve coberto com Seu próprio sangue. Mas, agora, podemos vê-Lo radiante com o suave azul do amor, amor abundante, profundo, e eterno. Nossas eternas esperanças são construídas sobre a justiça e a fidelidade de Deus, que são transparentes e nítidas como a safira. O próprio Senhor lançou as bases da esperança de Seu povo. O assunto é de grave investigação, ou seja, saber se nossas esperanças estão construídas sobre essa base. Boas obras e cerimoniais não são alicerces de safiras, mas de madeira, feno e palha (1Co 3:12); nem são colocados por Deus, mas por nossa própria vaidade. Todas as fundações serão julgadas em breve. Ai daquele cuja arrogante torre vier abaixo, pois estava alicerçada em areia movediça. Aquele que é construído sobre safiras pode suportar tempestade ou fogo, pois sobreviverá ao julgamento.