Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 14 de dezembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Vão indo de força em força

(Sl 84:7)

Eles vão indo de força em força. Existem várias traduções para essa passagem, mas todas elas trazem a ideia de progresso. "Vão indo de força em força", ou seja, crescem mais e mais fortes. Geralmente, quando estamos caminhando, vamos de força à fraqueza. Começamos descansados e em boas condições para nossa jornada.

No entanto, pouco a pouco, o caminho áspero e o sol quente nos fazem sentar à beira da estrada para, só então, continuarmos nossa cansativa viagem. No entanto, o peregrino cristão, recebendo refrescantes suprimentos da graça, é tão vigoroso, mesmo após anos de luta e penosa caminhada, como quando ao tempo em que iniciou sua jornada. Ele pode não estar tão exultante, ou tão fervoroso, ou tão rápido em seu zelo como antes, porém ele é muito mais forte em tudo aquilo que constitui o verdadeiro poder, e viaja, ainda que mais devagar, com muito mais segurança. Alguns veteranos já grisalhos têm sido mais firmes em sua compreensão da verdade, e mais zelosos em difundi-la, do que quando estavam em seus dias mais jovens. Contudo, infelizmente, é preciso confessar que, muitas vezes, o que acontece é o contrário, pois o amor de muitos esfria e a iniquidade se multiplica (Mt 24:12). Mas isso é o pecado deles próprios, e não falha da promessa, que se mantém perfeita; "os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão; mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão" (Is 40:30-31). Espíritos nervosos sentam-se e se preocupam com o futuro. "Ai de mim!", dizem eles, "nós vamos de aflição à aflição". Muito verdadeiro, ó tu de pequena fé, mas depois também irás de força em força. Nunca acharás um feixe de aflição sem que haja graça suficiente ligada no meio dele.

Noite

Já estou crucificado com Cristo

(Gl 2:20)

O Senhor Jesus Cristo agiu naquilo que fez como um grande representante, pois Sua morte na cruz foi a morte eficaz de todo o Seu povo. Assim, todos os Seus santos prestaram à justiça aquilo que lhe era devido, bem como fizeram uma expiação à justiça divina por todos os seus pecados. O apóstolo dos gentios encantou-se ao pensar que, como um dos eleitos de Cristo, ele morreu na cruz em Cristo. Contudo, Paulo fez mais do que acreditar nisso doutrinariamente; ele aceitou com confiança, descansando sua esperança nesse fato. Paulo creu que, pela virtude da morte de Cristo, ele satisfez a justiça divina e encontrou reconciliação com Deus.

Amados, que coisa mais abençoada é o crente poder, por assim dizer, esticar-se sobre a cruz de Cristo e sentir: "Eu estou morto. A lei me matou, e, por isso, estou livre do seu poder. Em meu Fiador suportei a maldição; na pessoa de meu substituto, tudo aquilo que a lei poderia fazer, por meio da condenação, foi executado sobre mim, pois estou crucificado com Cristo". Mas o apóstolo queria dizer mais do que isso. Ele não só acreditava na morte expiatória de Cristo, e confiava nisso, mas também sentia o poder de Jesus em si mesmo, crucificando sua antiga natureza corrupta. Quando viu os prazeres do pecado, ele disse: "Eu não posso desfrutar disso; eu estou morto para eles". Semelhante é a experiência de cada cristão verdadeiro. Tendo recebido a Cristo, o cristão é, para este mundo, como alguém que está completamente morto. No entanto, embora consciente de sua morte para o mundo, ele pode, ao mesmo tempo, exclamar com o apóstolo: "Não obstante eu vivo!", pois ele é plenamente vivo para Deus.

A vida cristã é um enigma incomparável! Nenhum mundano pode compreendê-la. Nem mesmo o crente pode compreendê-la por completo. Morto, porém vivo! Crucificado com Cristo e, ao mesmo tempo, ressuscitado com Cristo em novidade de vida (Rm 6:4)! A união com o sofrimento do Salvador, e morte para o mundo e para o pecado, são coisas prazerosas à alma. Ó, por mais prazer nelas!