Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 13 de dezembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) e sal à vontade

(Ed 7:22)

O sal era usado em cada oferta queimada ao Senhor. Por suas propriedades de conservação e purificação, ele representa um agradável símbolo da divina graça em nossas vidas. Merece atenção o fato que Artaxerxes, quando deu sal a Esdras, o sacerdote, não estabeleceu qualquer limite em sua quantidade. Podemos estar certos que o Rei dos reis, quando distribui graça em Seu sacerdócio real, de igual modo, nunca limita Sua oferta. Muitas vezes estamos em dificuldades em nós mesmos, mas nunca no Senhor.

Aquele que decide recolher muito maná supõe ter tudo aquilo quanto deseja. Não existe fome em Jerusalém que faça com que os cidadãos comam pão por peso e bebam água por medida. No entanto, algumas coisas na "economia da graça" são por medida, como, por exemplo, nosso vinagre e nosso fel, que nos são dados com tal exatidão que nunca temos uma única gota sequer a mais. Nenhuma restrição é feita, porém, ao sal da graça. "Pedi, e dar-se-vos-á" (Mt 7:7). Os pais precisam trancar o armário onde estão os jarros de doce, mas não há necessidade de manter o saleiro com cadeado, pois nenhuma criança irá desejá-lo. Um homem pode ter dinheiro em excesso, ou honra em excesso, mas não pode ter graça em excesso. Quando Jesurum estava cheio de gordura em sua carne, ele reclamou contra Deus (Dt 32:15), mas não há receio de alguém tornar-se demasiadamente cheio de graça. Obesidade de graça é impossível. Mais riqueza traz mais cuidados, porém mais graça traz mais alegria.

Aumentar em conhecimento é aumentar a tristeza (Ec 1:18), porém a abundância do Espírito é plenitude de felicidade. Crente, vá ao trono em busca de uma grande oferta do sal celeste, pois ele irá secar as tuas aflições que, sem sal, são dolorosas; ele irá preservar o teu coração, que pode ser corrompido se o sal ausentar-se dele; e irá aniquilar os teus pecados, tal como o sal mata os répteis. Tu necessitas muito; procure muito, e receba muito.

Noite

E farei os teus vitrais de rubis

(Is 54:12)

A igreja é muito bem simbolizada por um edifício erguido pelo poder celestial e projetado pela habilidade divina. Essa casa espiritual não deve ser escura, mas sim, clara, tal como os israelitas tinham luz em suas moradas. As janelas devem estar dispostas de modo a permitir que a luz entre em seu interior, e que seus habitantes possam olhar para o exterior. Essas janelas são preciosas como rubis. O modo pelo qual a igreja contempla o seu Senhor, o céu, e as verdades espirituais em geral deve estar na mais alta estima.

Rubis não são as pedras preciosas mais transparentes; eles são, quando muito, semitransparentes. "O nosso conhecimento desta vida é pequeno, Nossos olhos da fé são opacos". A fé é uma dessas janelas feitas de precioso rubi, mas, ah! muitas vezes é tão nebulosa e obscurecida que vemos senão turvamente, e muito confunde aquilo que vemos. No entanto, se não podemos contemplar através de janelas de diamantes, ou conhecer como somos conhecidos (1Co 13:12), é glorioso contemplar, ao menos no geral, o nosso Amado, apesar de o vidro ser nebuloso como rubi. A experiência é outra dessas janelas obscurecidas, porém preciosas, que produz a nós uma piedosa e moderada luz por onde vemos os sofrimentos do Homem de Dores (Is 53:3) através de nossas próprias aflições. Nossos fracos olhos não poderiam suportar janelas de vidro transparente, que deixariam entrar toda a glória do Senhor, mas quando nossos olhos estão obscurecidos pelas lágrimas, os raios do Sol da Justiça são serenos, e brilham através das janelas de rubis com um brilho suave e indizivelmente tranquilizador para a alma sofrida. A santificação, que nos conforma ao nosso Senhor, é outra janela de rubi. Apenas quando nos tornamos celestiais é que podemos compreender as coisas celestiais.

Os puros de coração veem um Deus puro. Aqueles que são como Jesus veem o Senhor como Ele é. Porque somos tão pouco parecidos com Ele, a janela é senão de rubi. Agradecemos a Deus pelo que temos, e almejamos mais. Quando veremos a Deus, e a Jesus, e o céu, e a verdade, face a face?