Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 19 de novembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) não entres em questões loucas (…)

(Tt 3:9)

Nossos dias são poucos, e será muito melhor gastálos fazendo o bem do que na disputa sobre assuntos que, na melhor das hipóteses, são de menor importância. Os escolásticos antigos provocaram um enorme prejuízo por sua incessante discussão sobre assuntos sem importância prática, e as nossas Igrejas sofrem muito com guerras mesquinhas sobre pontos obscuros e perguntas sem importância. Depois de dizer tudo o que era possível ser dito, nenhuma das partes se convence, e, portanto, a discussão promove menos amor do que conhecimento, sendo insensato semear em um campo tão estéril. Perguntas sobre pontos onde a Escritura é silenciosa, sobre mistérios que pertencem somente a Deus, sobre profecias de interpretação duvidosa, e sobre meras formas de observar cerimoniais humanos, todas são questões loucas, e os sábios as evitarão. Nosso ofício não é nem perguntar, nem responder perguntas tolas, mas evitá-las completamente, e se observarmos o preceito do apóstolo para procurarmos nos aplicar às boas obras, vamos nos encontrar demasiado ocupados com atividades úteis para tomarmos muito interesse em debates contenciosos, desnecessários e sem valor. Há, no entanto, algumas questões que são o inverso da insensatez, as quais não devemos evitar, mas correta e honestamente atender, como estas: "Acredito eu no Senhor Jesus Cristo? Estou regenerado no espírito da minha mente? Não estou andando segundo a carne, mas segundo o Espírito? Estou crescendo na graça?

A minha conversação embeleza a doutrina de Deus, meu Salvador? Estou olhando para a vinda do Senhor, e agindo como um servo deve fazer para esperar o seu mestre? O que mais posso fazer por Jesus?". Indagações como essas exigem urgentemente a nossa atenção, e se formos em tudo dados a contestar, voltemos nossas capacidades críticas para um serviço muito mais útil. Sejamos pacificadores, e nos esforcemos para liderar os outros por nosso preceito e exemplo, para que "não [entremos] em questões loucas".

Noite

Ah, se eu soubesse onde o poderia achar! (…)

(Jó 23:3)

Jó, em seu limite mais extremo, clamou ao Senhor. O desejo mais profundo de um aflito filho de Deus é ver o rosto de seu Pai. Sua primeira oração não foi: "Ah, se eu pudesse ser curado da doença a qual estou agora apodrecendo em cada parte do meu corpo!"; também não foi: "Ah, se eu pudesse ver os meus filhos restaurados das garras da sepultura, e minha propriedade, mais uma vez, trazida da mão do espoliador!". Seu primeiro e mais alto clamor foi: "Ah, se eu soubesse onde o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal".

Os filhos de Deus correm para casa quando vem a tempestade. É um instinto de origem celestial que a alma graciosa procure abrigo de todos os males sob as asas de Jeová. "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo" (Sl 91:1) pode se valer do título de um verdadeiro crente. Um hipócrita, quando afligido por Deus, se ressente da imposição e, como um escravo, fugiria do Mestre que mandou açoitá-lo; contudo, não é assim com o legítimo herdeiro do céu; ele beija a mão que lhe feriu, e procura abrigo da vara no seio do Deus que o desaprovava. O desejo de Jó de comungar com Deus foi intensificado pelo fracasso de todas as outras fontes de consolação. O patriarca se afastou de seus tristes amigos e olhou para o trono celestial, tal como um viajante vira o seu odre vazio e vai a toda pressa ao poço. Ele lança fora as esperanças terrenas, e grita: "Ah, se eu soubesse onde o poderia achar!". Nada nos ensina tão bem a preciosidade do Criador como quando aprendemos o vazio de tudo ao redor.

Afastando-se com amargo desprezo da comunhão terrena, de onde não encontramos qualquer mel, porém muitas picadas afiadas, nos alegramos nEle, cuja palavra fiel é mais doce que o mel ou o favo de mel. Em cada problema devemos primeiro procurar perceber a presença de Deus conosco. Que apenas desfrutemos de Seu sorriso, e seremos capazes de levar nossa cruz diariamente com um coração desejoso por Sua querida causa.