Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 18 de novembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) manancial fechado, fonte selada

(Ct 4:12)

Nessa metáfora, que tem referência à vida interior de um crente, temos muito claramente a ideia de sigilo. É um manancial fechado, tal como havia no Oriente, sobre os quais foram construídos palácios, de modo que ninguém poderia alcançá-los, salvo os que conheciam a entrada secreta. Assim é o coração do crente quando regenerado pela graça; há uma misteriosa vida interior que nenhuma habilidade humana pode tocar. É um segredo que nenhum outro homem conhece, ou melhor, que o próprio homem que lhe é possuidor não pode contar ao seu próximo. O texto inclui não apenas o sigilo, mas a separação.

Não é uma fonte comum, que cada transeunte pode beber, porém uma fonte mantida e preservada de todas as outras; é uma fonte com uma singular marca, o selo real, de forma que todos podem perceber que não é uma simples fonte, mas uma adquirida por um proprietário, e especialmente colocada por ele. Assim é com a vida espiritual. Os escolhidos de Deus foram separados no decreto eterno; eles foram separados por Deus no dia da redenção, e estão separados pela posse de uma vida que os outros não têm; é impossível para eles sentirem-se à vontade com o mundo, ou deliciaremse com seus prazeres. Há também a ideia de sacralidade. A fonte selada é preservada para o uso de uma pessoa especial, e tal é o coração do cristão. É uma fonte guardada para Jesus. Todo cristão deve sentir que ele tem o selo de Deus sobre si, e ser capaz de dizer com Paulo: "Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus" (Gl 6:17).

Outra ideia proeminente é a da segurança. Oh! quão certa e segura é a vida interior do crente! Se todos os poderes da Terra e do inferno pudessem estar combinados contra ela, esse princípio imortal ainda existiria, pois aquele que o concedeu, prometeu a Sua vida em sua preservação. E "qual é aquele que vos fará mal" (1Pe 3:13), quando Deus é o seu protetor?

Noite

(…) tu és desde a eternidade (…)

(Sl 93:2)

Cristo é eterno. Sobre Ele podemos cantar com Davi: "O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo" (Sl 45:6). Alegre-se, crente, em Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13:8). Jesus sempre foi. O bebê nascido em Belém estava unido à Palavra, que era, no princípio, por quem todas as coisas foram feitas (Jo 1:3).

O título pelo qual Cristo Se revelou a João em Patmos foi: "Aquele que é, e que era, e que há de vir" (Ap 1:4). Se Ele não fosse Deus desde a eternidade, não poderíamos tão devotamente amá-Lo; não sentiríamos que Ele teve qualquer participação no amor eterno, que é a fonte de todas as bênçãos da aliança; contudo, uma vez que Ele esteve com o Pai desde toda a eternidade, traçamos o fluxo do amor divino até Ele, igualmente ao Seu Pai e ao abençoado Espírito. Como nosso Senhor sempre foi, assim também Ele é para sempre. Jesus não está morto; Ele vive "sempre para interceder" (Hb 7:25) por nós. Recorra a Ele em todos os momentos de necessidade, pois Ele ainda está esperando para abençoá-lo. Além disso, Jesus, nosso Senhor, sempre será. Se Deus poupasse sua vida até aos setenta anos, você ainda acharia Sua fonte purificante aberta, e Seu precioso sangue não teria perdido o poder; você encontrará aquele Sacerdote, que encheu a fonte curativa com Seu próprio sangue, vivo para lhe purificar de toda iniquidade. Quando sua última batalha estiver para ser combatida, você verá que a mão de seu Capitão conquistador não está débil; o vivo Salvador anima o santo que está morrendo. Ao entrar no céu, você irá encontrá-Lo tendo o orvalho de Sua juventude, e por toda a eternidade o Senhor Jesus permanecerá na perene primavera de alegria, de vida, e de glória para Seu povo. Águas vivas podem ser tiradas desse sagrado poço! Jesus sempre foi, Ele sempre é, e Ele sempre será. Ele é eterno em todos os Seus atributos, em todos os Seus ofícios, em toda a Sua força, e em toda a Sua vontade de abençoar, confortar, proteger e coroar Seu povo escolhido.