Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 7 de outubro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) Por que fizeste mal a teu servo (…)?

(Nm 11:11)

Nosso Pai Celestial frequentemente nos envia problemas para testar nossa fé. Se a nossa fé vale alguma coisa, ela resistirá ao teste. O chapeado de ouro tem receio do fogo, mas o ouro não; a pedra preciosa misturada teme ser tocada pelo diamante, mas a verdadeira jóia não teme qualquer teste. É uma fé pobre aquela que só pode confiar em Deus quando os amigos são verdadeiros, o corpo está cheio de saúde, e os negócios são rentáveis; contudo, é verdadeira fé, sustentada pela fidelidade ao Senhor, quando os amigos se vão, o corpo está doente, o espírito está deprimido, e a luz do semblante do nosso Pai está escondida. Uma fé que pode dizer, em meio ao problema mais terrível: "Ainda que Ele me mate, ainda assim, eu confio nEle", é a fé de origem celestial. O Senhor aflige Seus servos para glorificar a Si mesmo, pois Ele é muito glorificado nas graças de Seu povo, que são obras de Suas mãos. Quando a "tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança" (Rm 5:3-4), o Senhor é honrado por essas crescentes virtudes. Nós nunca conheceríamos a música da harpa se as cordas fossem deixadas intactas, nem apreciaríamos o suco da uva se elas não fossem pisadas no lagar, nem descobriríamos o doce perfume da canela se ela não fosse apertada e batida, nem sentiríamos o calor do fogo se as brasas não fossem totalmente consumidas.

A sabedoria e o poder do grande Artesão são descobertos pelas provações que Seus vasos de misericórdia são permitidos passarem. De igual modo, as aflições presentes tendem a aumentar a alegria futura. Deve haver sombra na imagem para que seja realçada a beleza das luzes. Poderíamos ser tão supremamente abençoados no céu se não tivéssemos conhecido a maldição do pecado e a tristeza terrena? Porventura não será mais doce a paz após o conflito, e o descansar mais bem-vindo depois da labuta? Acaso a lembrança de sofrimentos passados não aumentarão a felicidade do glorificado? Há muitas outras respostas confortáveis para a questão com a qual abrimos a nossa breve meditação. Vamos meditar sobre ela todo este dia.

Noite

(…) em quem, pois, agora confias (…)?

(Is 36:5)

Leitor, essa é uma importante questão. Ouça a resposta do cristão, e veja se ela é a sua. "Em quem confias?". "Eu confio", diz o cristão, "em um Deus trino. Confio no Pai, acreditando que Ele me escolheu desde antes da fundação do mundo; confio nEle para prover a mim em providência, para me ensinar, para me guiar, para me corrigir, se necessário, e para me levar para casa, para Sua própria casa, onde há muitas moradas.

Confio no Filho. Ele é o Deus verdadeiro do verdadeiro Deus: o homem Cristo Jesus. Confio nEle para levar todos os meus pecados por Seu próprio sacrifício, e para me adornar com Sua perfeita justiça. Confio nEle para ser o meu intercessor, para apresentar as minhas orações e desejos diante do trono de Seu Pai, e confio nEle para ser meu Advogado no último grande dia, para defender a minha causa e me justificar. Confio nEle pelo que Ele é, pelo que tem feito, e por aquilo que prometeu ainda fazer. Eu confio no Espírito Santo. Ele começou a me salvar de meus pecados naturais; confio nEle para levá-los todos para longe; confio nEle para conter meu temperamento, para subjugar minha vontade, iluminar meu entendimento, controlar minhas paixões, confortar meu desânimo, ajudar minha fraqueza, iluminar minha escuridão; eu confio nEle para habitar em mim como a minha vida, para reinar em mim como o meu Rei, para me santificar integralmente - espírito, alma e corpo -, e depois me levar para morar com os santos em luz para sempre". Oh, abençoada confiança! Confiar nAquele cujo poder nunca se esgotará, cujo amor nunca diminuirá, cuja bondade nunca mudará, cuja fidelidade nunca falhará, cuja sabedoria nunca será confundida, e cuja bondade perfeita nunca conhecerá diminuição! Feliz és tu, leitor, se essa confiança é tua! Nessa confiança, tu gozarás doce paz agora, e glória no futuro, e a fundação da tua confiança nunca será removida.