Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 8 de outubro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar

(Lc 5:4)

Aprendemos com essa narrativa a necessidade da intervenção humana. A pesca foi milagrosa, mas nem o pescador, nem o seu barco, nem o seu equipamento de pesca foram ignorados, antes todos foram utilizados para apanhar os peixes. Assim, na salvação das almas, Deus opera pelos meios, e, enquanto a presente providência da graça subsistir, Deus Se agradará com a loucura da pregação para salvar os que creem (1Co 1:21) Quando Deus opera sem instrumentos, sem dúvida Ele é glorificado; contudo, Ele mesmo selecionou o plano da instrumentalidade como sendo aquele pelo qual Ele é mais engrandecido na Terra. Os meios, em si mesmos, são completamente inúteis. "Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos" (Lc 5:5).

Qual a razão disso? Não eram eles pescadores exercendo sua especial vocação? Sim, eles entendiam do trabalho; não eram homens inexperientes. Porventura foram eles à labuta desajeitadamente? Não. Faltou-lhes alguma dedicação? Não; eles trabalharam exaustivamente.

Faltou-lhes perseverança? Não; eles haviam trabalhado a noite toda. Havia ausência de peixes no mar? Certamente que não, pois assim que o Mestre chegou, eles recolheram a rede com cardumes. Então, qual a razão disso? Não é porque não há poder nos meios em si mesmos fora da presença de Jesus?

"Sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5), porém, com Cristo, podemos fazer todas as coisas. A presença de Cristo confere sucesso. Jesus sentouSe no barco de Pedro, e Sua vontade, por uma influência misteriosa, atraiu os peixes para a rede. Quando Jesus é levantado em Sua Igreja, Sua presença é o poder da Igreja, o brado de um rei está no meio dela. "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim" (Jo 12:32). Vamos sair, nesta manhã, ao nosso trabalho de pescar almas, progredindo em fé e em solene zelo. Vamos trabalhar duro até que a noite venha, e nós não teremos trabalhado debalde, pois Aquele que nos convida a jogar as redes irá enchê-las com peixes.

Noite

(…) orando no Espírito Santo

(Jd 1:20)

Repare a grande marca da verdadeira oração: "No Espírito Santo". A semente da devoção aceitável deve vir do armazém celestial. Apenas a oração que vem de Deus pode ir até Deus. Temos de atirar as flechas do Senhor de volta para Ele. Esse desejo que Ele escreve sobre o nosso coração vai mover Seu coração e derramar uma bênção, mas os desejos da carne não têm poder com Ele.

Orar no Espírito Santo é orar em fervor. Orações frias pedem ao Senhor para que não sejam ouvidas. Aquele que não pleiteia com fervor simplesmente não pleiteia. Tal como falar de fogo morno, tal é a oração morna; é essencial que ela seja quente. É a oração perseverante.

O verdadeiro suplicante reúne forças conforme avança e torna-se mais fervoroso conforme os atrasos de Deus em responder. Quanto mais tempo o portão está fechado, com mais veemência ele usa o batedor, e quanto mais o anjo se demora, mais resolvido ele está em não deixá-lo ir sem a bênção. Beleza aos olhos de Deus é a lacrimejante, agonizante e invencível importunação.

Isso significa orar com humildade, pois o Espírito Santo nunca nos incha de orgulho. É Seu ofício nos convencer do pecado e, de igual modo, nos curvar para baixo em contrição e quebrantamento de espírito. Nunca cantaremos "Gloria in excelsis" salvo se orarmos a Deus "De profundis"; das profundezas devemos clamar ou nunca veremos a glória nas alturas. É a oração amável. A oração deve ser perfumada com amor, saturada com amor, e amor aos nossos irmãos em Cristo, e amor a Cristo.

Além disso, deve ser uma oração cheia de fé. Um homem prevalece apenas o quanto ele acredita. O Espírito Santo é o autor da fé, e Ele a fortalece de modo a orarmos acreditando nas promessas de Deus. Ó, que essa combinação de excelentes e abençoadas graças, de valor inestimável e doces como as especiarias do comerciante, possam ser perfumadas dentro de nós, pois o Espírito Santo está em nossos corações! Bendito Consolador, exerce o Teu grande poder dentro de nós ajudando nossas fraquezas em oração. "Gloria in excelsis" é um hino cuja letra se inicia com a exaltação dos anjos registrada em Lucas 2:14, "Glória a Deus nas alturas" (ACF), quando do nascimento de Jesus Cristo. (N.T.) "De profundis" é um hino cuja letra começa com as palavras Davi no Salmo 130: "Das profundezas a ti clamo, ó Senhor" (ACF). A expressão decorre da versão latina da Bíblia (Vulgata). (N.T.)