Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 26 de setembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) as murtas que estavam na baixada (…)

(Zc 1:8)

A visão neste capítulo descreve a condição de Israel nos dias de Zacarias; contudo, sendo interpretado o seu sentido em relação a nós, ele descreve a Igreja de Deus como a encontramos hoje no mundo. A Igreja é comparada a um bosque de murta florescente em um vale. Ela está escondida, despercebida, segregada, sem qualquer honra e sem atrair qualquer olhar do observador descuidado. A Igreja, tal como seu Cabeça, tem uma glória, mas está escondida dos olhos carnais, pois o tempo de irromper em todo o seu esplendor ainda não chegou. A ideia de tranquila segurança também é sugerida a nós, porque o bosque de murta no vale é quieto e calmo, enquanto a tempestade varre os cumes das montanhas. Tempestades gastam sua força sobre os picos escarpados dos Alpes, mas lá embaixo, onde flui as correntes que alegram a cidade do nosso Deus (Sl 46:4), as murtas florescem com águas tranquilas, sem serem perturbadas pelo impetuoso vento. Quão grande é a tranquilidade interior da Igreja de Deus! Mesmo quando confrontada e perseguida, ela possui uma paz que o mundo não dá (Jo 14:27), e que, portanto, não lhe pode ser tirada: a paz de Deus, que excede todo o entendimento, e que guardará os corações e mentes de Seu povo (Fp 4:7). Porventura a metáfora não demonstra o pacífico e perpétuo crescimento dos santos? A murta não perde suas folhas; ela está sempre verde; e a Igreja, em seu pior momento, ainda possui um abençoado verdor de graça sobre ela; ou melhor, por vezes, ela exibiu mais verdura quando seu inverno foi mais acentuado; ela mais prosperou quando suas adversidades foram mais graves. Por isso, o texto aponta para a vitória.

A murta é o emblema da paz e um sinal significativo de triunfo. As sobrancelhas de conquistadores foram atadas com murta e louros, e acaso não é a Igreja sempre vitoriosa? Porventura não é cada cristão mais do que vencedor por meio dAquele que o amou (Rm 8:37)? Vivendo em paz, não estão os santos adormecendo nos braços da vitória?

Noite

Geme, ó cipreste, porque o cedro caiu (…)

(Zc 11:2)

Na floresta, quando é ouvida a queda de um carvalho, esse é o sinal que o lenhador está por lá; todas as árvores do bosque devem tremer de medo, pois, em breve, a borda afiada do machado poderá encontrá-las. Somos todos como árvores marcadas pelo machado, e a queda de um de nós lembra-nos que, seja grande como o cedro ou humilde como o abeto, a hora marcada para cada um vem em ritmo acelerado. Eu acredito que nos tornamos insensíveis à morte por muitas vezes ouvirmos falar sobre ela. Que nunca sejamos como os pássaros no campanário, que constroem seus ninhos quando os sinos estão tocando, mas dormem tranquilos aos solenes repiques fúnebres. Devemos considerar a morte o mais importante de todos os eventos, e estar sóbrios com sua aproximação.

Esse mal nos convém passar enquanto nosso destino eterno paira sobre um fio. A espada está fora de sua bainha; não brinquemos; está polida, e sua borda é afiada; não brinquemos com ela. Quem não se preparar para a morte é mais que um tolo comum; é um louco. Quando a voz de Deus for ouvida entre as árvores do jardim, que a figueira, e o sicômoro, e o olmo, e cedro, ouçam da mesma forma. Esteja pronto, servo de Cristo, porque teu Mestre vem de repente, quando um mundo ímpio menos espera por Ele. Vele por ser fiel em seu trabalho, pois breve a sepultura será cavada para ti. Estejam prontos, pais, para que seus filhos sejam educados no temor de Deus, pois eles, em breve, ficarão órfãos; estejam prontos, homens de negócio, e tomem cuidado para que suas atividades estejam corretas, e que vocês sirvam a Deus de todo o coração, pois os dias de seu serviço terrestre, em breve, estarão terminados, e vocês serão chamados a prestar contas sobre as obras feitas no corpo, sejam elas boas ou más. Que todos nós possamos nos preparar para o tribunal do grande Rei com um cuidado que será recompensado com a graciosa comenda: "Bem está, bom e fiel servo" (Mt 25:23).