(…) as murtas que estavam na baixada (…)
(Zc 1:8)
A visão neste capítulo descreve a condição de Israel nos dias de Zacarias; contudo, sendo interpretado o seu sentido em relação a nós, ele descreve a Igreja de Deus como a encontramos hoje no mundo. A Igreja é comparada a um bosque de murta florescente em um vale. Ela está escondida, despercebida, segregada, sem qualquer honra e sem atrair qualquer olhar do observador descuidado. A Igreja, tal como seu Cabeça, tem uma glória, mas está escondida dos olhos carnais, pois o tempo de irromper em todo o seu esplendor ainda não chegou. A ideia de tranquila segurança também é sugerida a nós, porque o bosque de murta no vale é quieto e calmo, enquanto a tempestade varre os cumes das montanhas. Tempestades gastam sua força sobre os picos escarpados dos Alpes, mas lá embaixo, onde flui as correntes que alegram a cidade do nosso Deus (Sl 46:4), as murtas florescem com águas tranquilas, sem serem perturbadas pelo impetuoso vento. Quão grande é a tranquilidade interior da Igreja de Deus! Mesmo quando confrontada e perseguida, ela possui uma paz que o mundo não dá (Jo 14:27), e que, portanto, não lhe pode ser tirada: a paz de Deus, que excede todo o entendimento, e que guardará os corações e mentes de Seu povo (Fp 4:7). Porventura a metáfora não demonstra o pacífico e perpétuo crescimento dos santos? A murta não perde suas folhas; ela está sempre verde; e a Igreja, em seu pior momento, ainda possui um abençoado verdor de graça sobre ela; ou melhor, por vezes, ela exibiu mais verdura quando seu inverno foi mais acentuado; ela mais prosperou quando suas adversidades foram mais graves. Por isso, o texto aponta para a vitória.
A murta é o emblema da paz e um sinal significativo de triunfo. As sobrancelhas de conquistadores foram atadas com murta e louros, e acaso não é a Igreja sempre vitoriosa? Porventura não é cada cristão mais do que vencedor por meio dAquele que o amou (Rm 8:37)? Vivendo em paz, não estão os santos adormecendo nos braços da vitória?