Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 25 de setembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé (…)

(Rm 3:26)

Sendo justificados pela fé, temos paz com Deus (Rm 5:1). A consciência não nos acusa. O juízo decide, agora, a favor do pecador em vez de contra ele. A memória olha para trás, por sobre os pecados passados, com profunda tristeza, mas sem medo de qualquer penalidade no porvir, pois Cristo pagou a dívida de Seu povo até o último centavo, e recebeu o recibo divino; e, a menos que Deus pudesse ser tão injusto para exigir um duplo pagamento por uma dívida, nenhuma alma por quem Jesus morreu como substituto poderá ser lançada no inferno. Este parece ser um dos verdadeiros princípios de nossa natureza iluminada: o acreditar que Deus é justo; nós percebemos isso, e ficamos aterrorizados no início; contudo, é maravilhoso que essa mesma crença que Deus é justo torna-se, depois, o pilar da nossa confiança e paz! Se Deus é justo, eu, pecador, solitário e sem substituto, deveria ser punido, mas Jesus está em meu lugar e é punido por mim; e, agora, se Deus é justo, eu, pecador, estando em Cristo, nunca poderei ser punido. Deus teria de mudar Sua natureza antes que uma só alma, por quem Jesus foi substituto, pudesse sofrer o chicote da lei. Assim, Jesus ter tomado o lugar do crente, ter prestado um equivalente completo à ira divina que Seu povo teria de sofrer como resultado do pecado, faz com que o crente possa clamar, com glorioso triunfo: "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" (Rm 8:33). Não Deus, pois Ele os justificou; não Cristo, pois Ele é quem morreu, "ou antes quem ressuscitou dentre os mortos" (Rm 8:34). Minha esperança vive, não porque não sou um pecador, mas porque sou um pecador por quem Cristo morreu; minha confiança não está em que eu seja santo, mas que, sendo profano, Ele é a minha justiça. Minha fé não repousa sobre o que eu sou, ou deveria ser, ou sentir, ou conhecer, mas no que Cristo é, e naquilo que Ele está, agora, fazendo por mim. No Leão da Justiça, a justa noiva espera cavalgar como uma rainha.

Noite

Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria (…)

(1Co 1:30)

O intelecto do homem procura descanso e, por natureza, procura-o longe do Senhor Jesus Cristo. Homens de grande instrução estão aptos, mesmo quando convertidos, a olharem para a simplicidade da cruz de Cristo com um olhar bem pouco reverente e amoroso. Eles estão enlaçados na antiga rede em que os gregos foram tomados, e têm um desejo ardente para misturar filosofia com revelação. A tentação de um homem de pensamento refinado e de alta educação é afastar-se da simples verdade de Cristo crucificado, e inventar, como se diz, uma doutrina mais intelectual. Isso levou as igrejas cristãs ao agnosticismo, e as enfeitiçou com todos os tipos de heresias.

Essa é a raiz da neologia e outras coisas finas que, em tempos passados, estavam tão em voga na Alemanha e, agora, estão a enganar certa classe de teólogos. Quem quer que você seja, bom leitor, e qualquer que possa ser a sua educação, se você for do Senhor, tenha certeza que você não encontrará descanso em filosofar a divindade. Você pode receber esse dogma de um grande filósofo ou da imaginação de um aprofundado pensador, mas tal como o joio tem com o trigo, assim serão esses dogmas para a pura palavra de Deus. Toda essa razão, quando bem orientada, pode descobrir tão apenas o ABC da verdade, mas padece de certeza, enquanto em Cristo Jesus há guardada toda a plenitude da sabedoria e do conhecimento. Todas as tentativas, por parte de cristãos, de se contentarem com sistemas como o Unitarista e o Liberalismo falharão; verdadeiros herdeiros do céu voltam-se para a realidade grandiosamente simples que faz os olhos dos mais humildes brilharem com alegria, e satisfaz o pobre e piedoso de coração: "Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores" (1Tm 1:15). Jesus satisfaz o intelecto mais elevado quando Ele é recebido com fé, porém, fora dEle, a mente do regenerado não encontra descanso. "O temor do Senhor é o princípio do conhecimento" (Pv 1:7). "Bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos" (Sl 111:10).

De acordo com o “Teologia Sistemática de Chafer” (ou “Chafer's Systematic Theology”, no original): (i) Agnosticismo, termo desenvolvido pelo biólogo britânico Thomas Henry Huxley (1825 - 1895), por volta de 1870, é a visão que sustenta não haver suficiente fundamento tanto para afirmar como para negar a questão sobre a existência de Deus; (ii) Neologia (ou Teoria Racionalista), é um ponto de vista que nega qualquer revelação divina às Escrituras (racionalismo extremo), ou aceita que apenas partes dela sejam reveladas (racionalismo moderado); (iii) Unitarismo é o pensamento teológico sobre a existência de um único Deus (o Pai), onde as outras duas pessoas (o Filho e o Espírito Santo) não possuem a mesma deidade; (iv) Liberalismo (ou Modernismo) é o pensamento que busca compatibilizar os ensinamentos bíblicos à luz dos conceitos da modernidade. (N.T.) Lewis Sperry Chafer (1871 - 1952) foi um teólogo estadunidense e fundador do Seminário Teológico de Dallas, em 1924.

Após dez anos de trabalho, Lewis Chafer publicou, em 1947, o “Chafer's Systematic Theology”, em oito volumes. (N.T.)