Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo pelo caminho; porquanto tínhamos falado ao rei, dizendo: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas o seu poder e a sua ira contra todos os que o deixam
(Ed 8:22)
Um comboio era desejável ao peregrino, mas uma sagrada vergonha não permitiu que Esdras o requeresse. Ele temia que o rei pagão pensasse que sua profissão de fé fosse mera hipocrisia, ou imaginasse que o Deus de Israel não fosse capaz de preservar Seus próprios adoradores. Ele não podia pensar em se apoiar no braço de carne em uma questão tão relacionada ao Senhor, e, por isso, a caravana partiu sem qualquer proteção visível, mas guardada por Aquele que é a espada e o escudo de Seu povo (Dt 33:29). É de se recear que poucos crentes sintam esse sagrado zelo por Deus; mesmo aqueles que, em alguma medida, caminham pela fé, ocasionalmente estragam o brilho de suas vidas por desejarem a ajuda do homem. É uma coisa abençoada não ter apoios ou suportes, mas ficar de pé na "Rocha dos Tempos", sustentado apenas pelo Senhor. Será que algum crente buscaria doações do Estado para sua Igreja se ele se lembrasse que o Senhor é desonrado pela súplica que pede ajuda a César? Como se o Senhor não pudesse suprir as necessidades de Sua própria causa! Porventura deveríamos correr tão apressadamente aos amigos e parentes buscando assistência se nos lembrássemos que o Senhor é magnificado pela nossa implícita confiança apenas em Seu braço? Minha alma, espera somente em Deus.
"Mas", diz alguém, "os meios não são para serem utilizados?". Certamente que são; contudo, nossa falta raras vezes se encontra em negligenciar os meios; com muito mais frequência, ela surge pela tola crença neles, em vez de acreditarmos em Deus. Poucos ficam longe de negligenciar o braço da carne, porém muitos pecam enormemente ao fazerem muito dele. Aprenda, caro leitor, a glorificar ao Senhor deixando os meios de lado se, utilizando-se deles, desonrares o Seu nome. "Rocha dos Tempos" é um hino escrito por Augustus Montague Toplady (1740 - 1778), pregador anglicano e hinista. (N.T.)