Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 25 de agosto

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) o seu fruto é doce ao meu paladar

(Ct 2:3)

Fé, na Escritura, é mencionada por meio de todos os sentidos. Ela é vista: "Olhai para mim, e sereis salvos" (Is 45:22). Ela é ouvida: "Ouvi, e a vossa alma viverá" (Is 55:3). A fé é percebida pelo olfato: "Todas as tuas vestes cheiram a mirra e aloés e cássia" (Sl 45:8); "como o ungüento derramado é o teu nome" (Ct 1:3). A fé é o toque espiritual.

Por essa fé, a mulher veio por detrás e tocou a orla do manto de Cristo (Lc 8:44), e, por intermédio dela, lidamos com as coisas da boa palavra da vida. A fé é igualmente o gosto do espírito. "Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca" (Sl 119:103); "se não comerdes a carne do Filho do homem", diz Cristo, "e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmo" (Jo 6:53). Esse "sabor" é a fé em uma de suas maiores operações. Uma das primeiras atuações da fé é ouvir. Ouvimos a voz de Deus não apenas com o ouvido, mas com o ouvido interior; nós a ouvimos como Palavra de Deus, e acreditamos que assim seja; isso é o "ouvir" da fé. Então, nossa mente percebe a verdade como ela nos é apresentada, ou seja, nós a entendemos, nós percebemos o seu significado; isso é o "olhar" da fé. Em seguida, descobrimos sua preciosidade; começamos a admirá-la e descobrimos quão perfumada ela é; isso é a fé em seu "olfato". Depois, nos apropriamos das misericórdias que nos estão preparadas em Cristo; isso é a fé em seu "toque". Daí, segue o deleite, a paz, a alegria, a comunhão; tudo isso é a fé em seu "sabor".

Qualquer um desses atos de fé é salvador. Ouvir a voz de Cristo, como a segura voz de Deus na alma, nos salvará; contudo, o que promove o verdadeiro prazer é o aspecto da fé que Jesus, por sagrado "sabor", é recebido dentro de nós, e tornaSe, por interna e espiritual apreensão de Sua doçura e preciosidade, o alimento de nossas almas. É, então, nesse momento, que nos sentamos "à sua sombra com grande prazer" (Ct 2:3), e encontramos o Seu fruto doce ao nosso paladar.

Noite

(…) É lícito, se crês de todo o coração (…)

(At 8:37)

Essas palavras podem responder a sua consciência, devoto leitor, sobre as ordenanças. Talvez você diga: "Eu tenho receio de ser batizado; é uma coisa muito solene confessar-me morto com Cristo e enterrado com Ele. Eu não me sinto com liberdade para vir à mesa do Mestre; eu tenho medo de comer e beber minha própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor (1Co 11:29)". Ah! pobre temente, Jesus lhe deu liberdade, não temais. Se um estranho vem a sua casa, ele fica à porta ou espera no corredor, pois não ousaria entrar em sua sala de estar sem ser convidado; ou seja, ele não está "em casa".

No entanto, o seu filho é absolutamente livre em sua casa, assim como o é o filho de Deus. Um estranho não pode se intrometer onde um filho pode se aventurar. Quando o Espírito Santo lhe concedeu sentir o espírito de adoção (Rm 8:15), você pôde vir às ordenanças cristãs sem medo. A mesma regra é válida para os privilégios internos dos cristãos. Você pensa, pobre buscador, que não lhe é permitido alegrar-se com gozo inefável e glorioso (1Pe 1:8); se você tem permissão para entrar pela porta de Cristo, ou sentar-se na parte inferior de Sua mesa, você ficará igualmente satisfeito. Ah! você não tem menos privilégios do que os maiores. Deus não faz diferença em Seu amor aos Seus filhos. Para Ele, um filho é um filho; Ele não irá fazer dele um diarista; Seu filho irá se banquetear com o bezerro cevado, e terá música e dança tanto quanto se nunca tivesse se desviado. Quando Jesus entra no coração, Ele declara uma autorização geral para sermos felizes no Senhor.

Nenhuma corrente é usada na corte do Rei Jesus. Nossa admissão aos privilégios pode ser gradual, mas é certa. Talvez o nosso leitor esteja dizendo: "Eu gostaria de poder desfrutar das promessas e caminhar em liberdade nos mandamentos de meu Senhor". "É lícito, se crês de todo o coração". Solte as cadeias de teu pescoço, ó filha cativa, pois Jesus te faz livre.