Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 10 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) concidadãos dos santos (…)

(Ef 2:19)

O que significa sermos cidadãos do céu? Isso significa que estamos sob o governo céu. Cristo, o rei do céu, reina em nossos corações; nossa oração diária é: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mt 7:10). As proclamações emitidas do trono de glória são livremente recebidas por nós; os decretos do Grande Rei nós obedecemos alegremente. Então, como cidadãos da Nova Jerusalém, nós compartilhamos as honras celestiais.

A glória que pertence aos beatificados santos também pertence a nós, pois já somos filhos de Deus, já somos príncipes de sangue imperial, já usamos as vestes imaculadas da justiça de Jesus, já temos anjos como nossos servos, santos como nossos companheiros, Cristo como nosso Irmão, Deus por nosso Pai, e uma coroa de imortalidade como nossa recompensa. Nós compartilhamos as honras da cidadania, pois viemos para a assembleia geral e Igreja do primogênito, cujos nomes estão escritos no céu. Como cidadãos, temos direitos comuns a todos os bens do céu. São nossos os seus portões de pérola e muros de berilo; nossa é a luz azul-celeste da cidade que não precisa de vela nem da luz do sol; nosso é o rio da água da vida, e os doze tipos de frutos que crescem sobre as árvores plantadas em suas margens (Ap 22:2); não há coisa alguma no céu que não nos pertença. "Seja o presente, seja o futuro" (1Co 3:22), tudo é nosso. Além disso, como cidadãos do céu, nós nos deleitamos com suas delícias. Porventura aqueles que lá estão se alegram com os pecadores que se arrependem, pródigos que retornam? Também nós.

Cantam eles as glórias da graça triunfante? Nós fazemos o mesmo. Lançam eles suas coroas aos pés de Jesus? Tais honras nós também temos e igualmente lançamos. Estão eles encantados com Seu sorriso? Isso não é menos doce para nós que habitamos aqui em baixo.

Olham eles para frente, à espera de Seu segundo advento? Também olhamos e ansiamos por Sua vinda. Se, portanto, somos cidadãos do céu, que a nossa caminhada e atitudes sejam coerentes com a nossa alta dignidade.

Noite

(…) E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro

(Gn 1:5)

A tarde foi "escuridão" e a manhã foi "luz", mas, ainda assim, os dois juntos são chamados pelo mesmo nome que foi dado apenas à luz! Isso é de certa forma notável, pois tem uma analogia exata com a experiência espiritual. Em cada crente há trevas e luz, e, ainda assim, ele não é chamado de pecador, não porque não haja pecado nele, mas ele é chamado santo porque possui algum grau de santidade. Esse é um pensamento muito reconfortante àqueles que estão lamentando suas enfermidades, e que se perguntam: "Posso eu ser um filho de Deus enquanto há tanta escuridão dentro de mim?". Sim, pois você, tal como o dia, não tira o seu nome da noite, mas do dia; você é de quem a palavra de Deus fala como se fosse, mesmo agora, perfeitamente santo, tal como você o será em breve.

Você é chamado filho da luz, embora ainda haja escuridão em você. Você é chamado pelo que é a qualidade predominante à vista de Deus, e que um dia será o único fundamento que restará. Observe que a noite vem primeiro. Somos, natural e primeiramente escuridão em ordem de tempo, e a escuridão é, muitas vezes, nosso primeiro triste lamento que nos dirige a clamar em profunda humilhação: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" (Lc 18:13). A manhã vem em segundo lugar, pois surge o amanhecer quando a graça supera nossa natureza. Pelo abençoado aforismo de John Bunyan: "O que é o último dura para sempre". Aquilo que está em primeiro lugar, no devido tempo, produzirá o último, porém nada vem depois do último. Assim, embora você seja naturalmente escuridão, tão logo quando você se tornar luz no Senhor (Ef 5:8), nenhuma noite se seguirá; "Nunca mais se porá o teu sol" (Is 60:20). O primeiro dia nesta vida é uma tarde e uma manhã, porém o segundo dia, quando estaremos com Deus para sempre, será um dia sem noite, e apenas um sagrado, alto e eterno dia. John Bunyan (1628 - 1688), escritor e pregador, nasceu em Elstow, Inglaterra. (N.T.)