Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 9 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) não te esqueças de nenhum de seus benefícios

(Sl 103:2)

É uma agradável e produtiva tarefa perceber a mão de Deus na vida dos antigos santos, e observar Sua bondade em livrá-los, Sua misericórdia em lhes perdoar, e Sua fidelidade em manter Sua aliança com eles. Contudo, não seria ainda mais interessante e produtivo para nós percebermos a mão de Deus em nossas vidas? Porventura não devemos olhar para nossa própria história como sendo, pelo menos, tão repleta de Deus, tão repleta de Sua bondade e verdade, como prova de Sua fidelidade e veracidade, tal como na vida de qualquer um dos santos que nos precederam? Fazemos injustiça ao nosso Senhor quando supomos que Ele operou todos os Seus atos poderosos, e mostrou-Se forte para aqueles dos tempos antigos, mas que, agora, não realiza milagres ou revela Seu braço aos santos que estão sobre a terra. Vamos rever nossas próprias vidas.

Certamente descobriremos vários acontecimentos felizes que revigoram a nós mesmos e glorificam ao nosso Deus. Já não recebeste livramentos? Já não cruzaste algum rio suportado pela presença divina? Já não andaste ileso pelo fogo? Não tiveste qualquer manifestação? Não tiveste algum especial favor? Porventura o Deus que concedeu o desejo do coração de Salomão nunca ouviu e respondeu teus pedidos?

Aquele Deus de prodigiosa bondade, da qual Davi cantou: "Que farta a tua boca de bens" (Sl 103:5), nunca lhe saciou com gordura? Nunca foste deitado em verdes pastos? Nunca foste guiado por águas tranquilas (Sl 23:2)? Certamente a bondade de Deus tem sido a mesma para nós como foi para os santos de antigamente. Vamos, então, narrar Suas misericórdias em uma canção. Tomemos o ouro puro da gratidão, e as jóias do louvor, e façamos outra coroa para a cabeça de Jesus. Que as nossas almas propaguem um louvor tão doce e revigorante como aquele que veio da harpa de Davi quando louvarmos ao Senhor, cuja misericórdia dura para sempre.

Noite

(…) e fez Deus separação entre a luz e as trevas

(Gn 1:4)

Um crente tem duas leis que trabalham dentro dele. Em seu estado natural, ele estava sujeito a uma única lei, que era a lei das trevas, mas, agora que entrou a luz, duas leis discordam entre si. Veja as palavras do apóstolo Paulo no sétimo capítulo da carta aos Romanos: "Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros" (Rm 7:21-23). Como isso aconteceu?

"Fez Deus separação entre a luz e as trevas". A escuridão, por si só, é calma e imperturbável, mas quando o Senhor envia a luz, acontece um conflito, pois uma está em oposição a outra; um conflito que nunca irá cessar até que o crente seja completamente luz no Senhor (Ef 5:8). Se há uma divisão dentro de cada cristão, é certo também que há uma divisão fora. Logo que o Senhor dá luz ao homem, ele começa a se separar da escuridão ao seu redor; ele se separa de uma simples religião mundana com cerimoniais exteriores, pois agora, nada menos que o evangelho de Cristo irá satisfazê-lo; por isso, retira-se da sociedade mundana e dos frívolos divertimentos, buscando a companhia dos santos, pois "nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos" (1Jo 3:14). A luz se atrai para si mesma, e as trevas se atraem para si mesma. O que Deus dividiu não tentemos unir; tal como Cristo foi para fora do arraial levando Seu opróbrio (Hb 13:12), vamos também sair do impuro e ser um povo particular. Ele foi santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores; tal como Ele foi, nós também devemos ser, não conformados com este mundo (Rm 12:2), dissidentes de todo pecado, e distintos do resto da humanidade pela nossa semelhança com nosso Mestre.