Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 30 de junho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

E eu dei-lhes a glória que a mim me deste (…)

(Jo 17:22)

Eis a superlativa liberalidade do Senhor Jesus, pois Ele nos deu Seu tudo. Embora o dízimo de Suas posses teria feito a riqueza de um universo de anjos para além de todo pensamento, Ele não ficou satisfeito até que nos desse tudo o que tinha. Teria sido graça surpreendente se Ele tivesse nos permitido comer das migalhas de Sua generosidade, sob a mesa da Sua misericórdia, porém Ele não fez nada pela metade; Ele nos faz assentar com Ele e compartilhar do banquete. Tivesse Ele nos dado uma pequena pensão de Seus cofres reais, teríamos motivos para amá-Lo eternamente, mas não; Ele terá Sua noiva tão rica como Ele mesmo, e não há uma glória ou uma graça que Ele possua que não compartilhe com ela. Ele não Se contentou com menos que nos fazer co-herdeiros com Ele mesmo para que pudéssemos ter iguais posses. Ele esvaziou todo o Seu espólio para os cofres da Igreja, e fez comum todas as coisas com Seus redimidos. Não há um aposento em Sua casa cuja chave Ele retenha de Seu povo. Ele dá plena liberdade para que tomem tudo aquilo que Ele tem para que seja deles também; Ele ama fazê-los livres com Seu tesouro, para que se apropriem de tanto quanto puderem carregar. A plenitude sem limites de Sua auto-suficiência é tão livre para o crente como o ar que respiramos. Cristo colocou o jarro do Seu amor e graça para os lábios dos crentes, convidando-lhes dele beber para sempre, pois ainda que pudessem esvaziá-lo, seriam bem-vindos a fazê-lo; mas, como não se pode esgotá-lo, são convidados a beber abundantemente, pois é todo deles. Que verdadeira prova de comunhão podem céu ou Terra fornecer?

Noite

Ah Senhor Deus! Eis que tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido; nada há que te seja demasiado difícil

(Jr 32:17)

No momento em que os caldeus haviam cercado Jerusalém, e quando a espada, a fome, e a peste tinham desolado a terra, Jeremias foi ordenado por Deus a comprar um campo e ter a escritura de transferência legalmente selada e testemunhada. Essa foi uma estranha compra para um homem racional fazer. A prudência não poderia justificá-la, pois o campo estava sendo comprado com a escassa probabilidade de que a pessoa que o comprou pudesse aproveitar sua posse. No entanto, foi o suficiente para Jeremias que o seu Deus lhe ordenasse, pois bem ele sabia que Deus seria justificado diante de todos os Seus filhos. Ele raciocinou assim: "Ah, Senhor Deus, Tu podes fazer com que este pedaço de terra tenha uso para mim; tu podes livrar a terra desses opressores; ainda podes fazer-me assentar sob minha vinha e minha figueira na herança que comprei, pois Tu fizeste os céus e a terra, e não há nada que Te sejas demasiado difícil". Isso dava um poder soberano aos primeiros santos que se atreveram a fazer, ao comando de Deus, coisas que a razão carnal condenaria. Quer se trate de um Noé, que constrói uma arca em terra firme; ou um Abraão, que oferece em sacrifício seu único filho; ou um Moisés, que despreza os tesouros do Egito; ou um Josué, que sitia Jericó por sete dias sem utilizar armas, mas apenas com o som de chifres de carneiros, todos eles agem sob o comando de Deus e contrários aos ditames da razão carnal, e o Senhor lhes dá uma rica recompensa como resultado de sua fé obediente. Quisera Deus que tivéssemos, na religião dos tempos modernos, uma infusão mais potente dessa fé heróica em Deus. Se nos aventurarmos mais nas promessas de Deus, entraremos em um mundo de maravilhas, ao qual ainda somos estranhos. Deixe que a confiança de Jeremias seja nossa: nada é difícil demais para o Deus que criou os céus e a terra.