Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 13 de junho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) quem quiser, tome de graça da água da vida

(Ap 22:17)

Jesus diz: "Tome de graça". Ele não requer pagamento ou preparação. Ele não busca recomendação de nossas virtuosas emoções. Se você não tem bons sentimentos, mas está tão somente desejoso, você está convidado; portanto, venha! Você não tem fé ou qualquer arrependimento; venha a Ele, e Ele dará a você.

Venha como você está e tome "de graça", sem dinheiro e sem preço. Ele dá a Si mesmo aos necessitados. As fontes de água que existem nas esquinas de nossas ruas na Inglaterra são benfeitorias valiosas; dificilmente poderíamos imaginar alguém tão tolo a ponto de meter a mão no bolso, estando diante de uma dessas fontes, e dizer: "Eu não posso beber, pois não tenho sequer cinco centavos em meu bolso". Por mais pobre que seja o homem, há uma fonte, e tal como está, ele poderá dela beber. Sedento viajante, independente de estarem passando pessoas vestindo linho fino ou seda, não espere por uma licença para beber; o fato das fontes estarem lá é a própria licença para que qualquer pessoa possa beber livremente daquela água. A liberalidade de alguns bons amigos colocou essas refrescantes fontes lá, e nós podemos beber sem fazer perguntas. Talvez as únicas pessoas que andem sedentas pelas ruas onde existem fontes sejam as senhoras finas e os senhores em suas carruagens. Eles estão com muita sede, porém não conseguem imaginar serem tão vulgares a ponto de pararem para lá beber. Isso iria rebaixá-los, pensam eles, beber em uma fonte ordinária; assim, andam com seus lábios ressecados.

Oh, quantos são os que são ricos em suas próprias boas obras e não conseguem, por isso mesmo, virem a Cristo! "Eu não serei salvo", dizem eles, "da mesma forma como a prostituta ou o blasfemador. O quê! Ir para o céu da mesma forma como um limpador de chaminés? Será que não há outro caminho para a glória além daquele pelo qual foi o ladrão? Eu não serei salvo dessa maneira". Tais orgulhosos presunçosos permanecem sem a água viva, porém, "quem quiser, tome de graça da água da vida".

Noite

Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa (…)

(Pv 30:8)

; "Não me desampares, Senhor, meu Deus, não te alongues de mim" (Sl 38:21) Aqui temos duas grandes lições: o que desaprovar e o que suplicar. O estado mais feliz de um cristão é o santo. Assim como o lugar mais quente é aquele próximo ao sol, o lugar de maior felicidade é aquele mais próximo de Cristo. Nenhum cristão desfruta de conforto quando seus olhos estão postos na vaidade; ele não encontra satisfação a menos que sua alma seja vivificada nos caminhos de Deus. O mundano pode obter felicidade em qualquer outro lugar, mas não o cristão.

Eu não culpo os homens ímpios por se apressarem para seus prazeres. Por que deveria? Deixe-os ter sua satisfação. Isso é tudo o que eles têm para desfrutar. Uma esposa convertida, que se angustiava por seu marido, sempre foi muito gentil com ele, pois dizia: "Eu temo que este seja o único mundo em que ele terá felicidade e, por isso, coloquei em minha mente fazê-lo tão feliz nele quanto eu puder". Os cristãos devem buscar suas alegrias em uma esfera mais elevada do que as insípidas frivolidades ou os prazeres pecaminosos do mundo. Atividades vãs são perigosas para as almas regeneradas. Ouvimos falar de um filósofo que, enquanto olhava para as estrelas, caiu em um poço; contudo, quão profundamente caem quando olham para baixo. A queda deles é fatal. Nenhum cristão está seguro quando sua alma é indolente ou seu Deus está longe dele.

Todo cristão está sempre seguro quanto à grande questão de sua posição em Cristo, porém ele não está seguro no que diz respeito a sua experiência em santidade e comunhão com Jesus nesta vida. Satanás não costuma atacar um cristão que vive próximo de Deus; é quando o cristão se afasta de seu Deus, tornando-se espiritualmente carente, ou se arrisca em alimentarse nas vaidades, que o diabo descobre sua hora de vantagem; ele pode, por vezes, ficar em pé de igualdade com um filho de Deus que está ativo no serviço de seu Mestre, mas a batalha é geralmente curta; aquele que escorrega quando desce ao "Vale da Humilhação", cada vez que dá um passo em falso acaba por convidar "Apolion" para atacá-lo. Ó, graça para caminhar humildemente com nosso Deus! "Vale da Humilhação" e "Apolion" são referências ao livro "O Peregrino", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1678. (N.T.)