Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 14 de junho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Deleita-te também no Senhor (…)

(Sl 37:4)

O ensino dessas palavras parece muito surpreendente àqueles que são estranhos à essencial piedade, porém, ao crente sincero, é apenas a revelação de uma verdade reconhecida. A vida do crente é aqui descrita como um deleite em Deus; então, estamos certificados quanto ao grande fato de que a verdadeira religião transborda em felicidade e alegria. Homens ímpios e meros professores nunca olham para a religião como algo alegre; para eles é uma cerimônia, um dever, uma necessidade, porém nunca um prazer ou deleite. Se eles observam a religião, em todas as suas formas, é antes por aquilo que podem ganhar com isso ou porque não se atrevem a fazer o contrário. O pensamento de deleite na religião é tão estranho para a maioria dos homens que não há duas palavras mais distantes em seus lábios do que "santidade" e "deleite". No entanto, crentes que conhecem a Cristo entendem que fé e deleite são tão abençoadamente unidos que as portas do inferno não prevalecerão tentando separá-los. Aqueles que amam a Deus de todo o coração compreendem que Seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as Suas veredas de paz (Pv 3:17). Tais alegrias, tais plenitudes, tais transbordantes bem-aventuranças, os santos descobrem em seu Senhor que, longe de servi-Lo por costume, eles O seguiriam apesar de todo o mundo lançar fora Seu nome como um mal. Não tememos a Deus por obrigação; nossa fé não é entrave, nossa profissão de fé não é escravidão, não somos arrastados à santidade nem levados às obrigações. Não; nossa piedade é o nosso prazer, nossa esperança é a nossa felicidade, nosso dever é o nosso deleite. Deleite e verdadeira religião estão tão unidos como raiz e flor; tão indivisível como verdade e certeza; são, de fato, duas brilhantes jóias preciosas, lado a lado, cravadas em ouro.

Noite

Ó Senhor, a nós pertence a confusão de rosto […] porque pecamos contra ti

(Dn 9:8)

Uma percepção clara e profunda do pecado, de sua hediondez, e do castigo que ele merece, deve nos prostrar diante do trono. Pecamos como cristãos. Ai de mim que seja assim! Favorecidos como temos sido, ainda somos ingratos; privilegiados sem medida, nós não frutificamos na mesma proporção. Quem, embora engajado na peleja cristã, não irá corar quando olhar para trás, para o passado?

Quanto aos nossos dias antes de sermos regenerados, que eles sejam perdoados e esquecidos; mas, desde então, embora não tenhamos pecado como antes, ainda pecamos contra a luz e contra o amor, luz que realmente penetrou em nossas mentes, e amor no qual nos alegramos. Oh, a atrocidade do pecado de uma alma perdoada! Um pecador não perdoado peca a bom preço em comparação com o pecado de um dos eleitos de Deus, aqueles que têm comunhão com Cristo e inclinam a cabeça sobre o peito de Jesus. Olhe para Davi! Muitos vão falar de seu pecado, mas eu oro para que você olhe para o arrependimento dele, e ouça seus ossos quebrantados, onde cada um deles geme sua dolorosa confissão! Repare suas lágrimas, como elas caem no chão, e os profundos suspiros com os quais ele acompanha a suave música de sua harpa! Nós nos enganamos; vamos, portanto, buscar o espírito de penitência. Olhe, mais uma vez, para Pedro! Falamos muito da negação de Pedro ao seu Mestre.

Contudo, lembre-se o que está escrito: "Ele chorou amargamente" (Mt 26:75). Porventura não temos também negações ao nosso Senhor para que sejam lamentadas com lágrimas? Ai de mim! esses nossos pecados, antes e depois da conversão, nos levariam ao lugar de fogo inextinguível se não fosse a misericórdia soberana que nos separou, arrebatandonos como tições do fogo. Minha alma, curve-se sob um sentimento de tua pecaminosidade natural e adore teu Deus. Admire a graça que te salva, a misericórdia que te poupa, e o amor que te perdoa!