Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 22 de março

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando (…)

(Mt 26:39)

Existem várias informações instrutivas na oração de nosso Salvador no momento de Sua provação. Ela foi uma oração solitária. Ele Se retirou até mesmo de Seus três preferidos discípulos. Crente, seja constante na oração solitária, especialmente nos períodos de provação. A oração familiar, as orações sociais, a oração na Igreja não serão suficientes; elas são muito preciosas, porém a melhor especiaria batida que fumegará do seu incensário será sua devoção particular, onde nenhum ouvido ouve senão o de Deus.

Ela foi uma oração humilde. Lucas diz que Ele Se ajoelhou, porém outro evangelista diz que Ele "prostrou-se sobre o seu rosto". Onde, então, deve ser o teu lugar, tu, humilde servo do grande Mestre? Que o pó e as cinzas cubram a tua cabeça! A humildade nos dá um bom apoio para os pés na oração. Não há esperança de prevalecer com Deus a menos que humilhemos a nós mesmos para que Ele nos exalte no tempo devido (1Pe 5:6). Ela foi uma oração filial. "Aba, Pai". Você perceberá essa frase como uma fortaleza no dia da prova para pleitear sua adoção. Você não tem direitos como cidadão, pois você os teve confiscados por sua traição, mas nada pode confiscar o direito de um filho à proteção do pai.

Não tenha medo de dizer: "Meu Pai, ouve o meu clamor". Observe, também, que foi uma oração perseverante. Ele orou três vezes. Não cesse até que você prevaleça. Seja como a viúva importuna, cuja contínua vinda conseguiu aquilo que sua primeira súplica não pôde conseguir.

"Perseverai em oração, velando nela com ação de graças" (Cl 4:2). Por último, foi uma oração de resignação. "Todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres". Submissão, e submissão a Deus. Que seja como Deus desejar, e Deus irá determinar o melhor. Sê tu satisfeito em deixar tua oração em Suas mãos, pois Ele sabe quando dar, e como dar, e o que dar, e o que reter. Então, pleiteando, sincera e inoportunamente, mas com humildade e resignação, tu certamente prevalecerá.

Noite

Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo (…)

(Jo 17:24)

Ó morte! Por que tocas a árvore em que os cansados ramos espalhados têm descanso? Por que arrebatas a excelência da terra onde está todo o nosso deleite? Se usas o teu machado, use-o sobre as árvores que não dão fruto; serás agradecida por isso. Mas por que fazes cair os formosos cedros do Líbano?

Ó, fique com o teu machado e poupe os justos. Mas não, isso não pode ser; a morte golpeia os melhores dos nossos amigos; o mais generoso, o mais piedoso, o mais santo, o mais dedicado deve morrer. E por quê? É através da prevalente oração de Jesus: "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo". Isso é o que os sustentam nas asas da águia em direção ao céu.

Cada vez que um crente é elevado desta Terra para o paraíso, isso é uma resposta à oração de Cristo. Uma boa observação de um dos antigos: "Muitas vezes, Jesus e Seu povo puxam um contra o outro em oração. Você dobra o joelho em oração e diz:

'Pai, eu quero que os Teus santos estejam comigo onde eu estou', porém Cristo diz: 'Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo'". Assim, o discípulo está em um caminho oposto ao do seu Senhor. A alma não pode estar em dois lugares; o amado não pode estar com Cristo e também contigo. Agora, qual pedido deverá prevalecer? Se você tivesse de escolher, se o rei descesse de seu trono e dissesse: "Aqui estão dois suplicantes orando um em oposição ao outro; qual deverá ser respondida?".

Oh! estou certo que, embora angustiante, você poderia levantar-se e dizer: "Jesus, não a minha vontade, mas a Tua". Você abriria mão de sua oração por aquele seu muito amado se você pudesse perceber que Cristo está orando na direção oposta; "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo". Senhor, Tu os tem. Pela fé, nós os deixamos ir.