(…) vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só (…)
(Jo 16:32)
Poucos tiveram comunhão com os sofrimentos do Getsêmani. A maioria dos discípulos não estava suficientemente experiente na graça para serem admitidos a contemplarem os mistérios da agonia. Ocupados com a festa da Páscoa em suas próprias casas, eles representam muitos daqueles que vivem sobre a letra, mas são meras crianças quanto ao espírito do evangelho. Para doze, ou melhor, para apenas onze, foi dado o privilégio de adentrarem ao Getsêmani e verem "esta grande visão" (Ex 3:3). Dos onze, oito foram deixados à distância; eles tinham comunhão, mas não aquela tão íntima para a qual homens muito amados são admitidos.
Apenas três altamente favorecidos puderam aproximar-se do véu da misteriosa tristeza de nosso Senhor; dentro desse véu, mesmo estes não se intrometeram; a distância de um pedra lançada havia entre eles. O Senhor teve de pisar o lagar sozinho, e não deveria haver qualquer um com Ele. Pedro e os dois filhos de Zebedeu representam os poucos eminentes e amadurecidos santos que podem ser descritos como "Pais"; estes estiveram mercando em grandes águas (Sl 107:23), e podem, em alguma medida, avaliar as enormes ondas do Atlântico da paixão do seu Redentor. Para alguns espíritos escolhidos é dado, para o bem dos outros, fortalecê-los para os extraordinários e especiais conflitos futuros; é dado entrarem em um pequeno grupo de pessoas e ouvirem os pedidos do Sumo Sacerdote; eles têm comunhão com Ele em Seus sofrimentos, e são feitos conforme a Sua morte. No entanto, mesmo estes não puderam adentrar nos lugares secretos das aflições do Salvador. "Teus sofrimentos desconhecidos" é a notável expressão da liturgia grega; havia uma câmara interna na tristeza de nosso Mestre distante do conhecimento e do companheirismo humano. Lá, Jesus ficou só; Jesus era, mais do que nunca, um "dom inefável" (2Co 9:15)! Não está Watts correto quando canta: "E todas as desconhecidas alegrias que Ele dá, Foram compradas com desconhecidas agonias"?
"Teus sofrimentos desconhecidos" é o título de um hino escrito por Joseph Hart (1712 - 1768), pastor calvinista inglês. (N.T.) Isaac Watts (1674 - 1748) foi um poeta, pregador e teólogo inglês. É reconhecido como o "Pai dos Hinos Ingleses". (N.T.)