(…) E o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão
(Lc 22:44)
A pressão mental resultante da luta de nosso Senhor com a tentação forçou grandemente Sua estrutura física a tal ponto que Seus poros destilaram grandes gotas de sangue que corriam até no chão. Isso prova o quão tremendo deve ter sido o peso do pecado, capaz de esmagar o Salvador, para que Ele destilasse grandes gotas de sangue! Isso demonstra o grande poder do Seu amor. É uma bela observação feita por Isaac Ambrose, que a goma que pinga de uma árvore sem ser cortada é sempre a melhor. Esta preciosa árvore de hena (Ct 1:14) produziu as especiarias mais doces quando foi ferida sob chicotes nodosos e perfurada por pregos na cruz; contudo, perceba que ela dá sua melhor especiaria quando não há chicote, prego ou ferida. Isso demonstra a voluntariedade dos sofrimentos de Cristo, uma vez que, sem a lança, o sangue fluiu livremente. Não houve necessidade de ser colocada uma sanguessuga ou utilizada uma faca; o sangue fluiu espontaneamente. Não houve necessidade de os príncipes clamarem: "Brota, ó poço" (Nm 21:17), pois de Si mesmo fluiu torrentes vermelhas. Se um homem padece com uma grande dor de cabeça, o sangue corre para o coração; as bochechas ficam pálidas; um desmaio se aproxima; o sangue foi para sua parte interna como que para nutrir o seu interior enquanto ele passa por sua prova. Contudo, repare nosso Salvador em Sua agonia; Ele é tão completamente alheio de Si mesmo que, em vez de Sua agonia direcionar Seu sangue para o coração a fim de nutrir-Se, ela o dirige para fora, para orvalhar a terra. A agonia de Cristo, conforme derrama Seu sangue pelo chão, descreve a plenitude da oferta que Ele fez para os homens.
Será que não perceberemos o quão intensa deve ter sido a luta pela qual Ele passou, e não ouviremos a Sua voz a nós? "Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado" (Hb 12:4). Eis o grande Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa profissão, que suou até mesmo sangue, em vez de ceder ao grande tentador de nossas almas. Isaac Ambrose (1604 - 1664) foi um teólogo puritano inglês. (N.T.)