Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 23 de março

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) E o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão

(Lc 22:44)

A pressão mental resultante da luta de nosso Senhor com a tentação forçou grandemente Sua estrutura física a tal ponto que Seus poros destilaram grandes gotas de sangue que corriam até no chão. Isso prova o quão tremendo deve ter sido o peso do pecado, capaz de esmagar o Salvador, para que Ele destilasse grandes gotas de sangue! Isso demonstra o grande poder do Seu amor. É uma bela observação feita por Isaac Ambrose, que a goma que pinga de uma árvore sem ser cortada é sempre a melhor. Esta preciosa árvore de hena (Ct 1:14) produziu as especiarias mais doces quando foi ferida sob chicotes nodosos e perfurada por pregos na cruz; contudo, perceba que ela dá sua melhor especiaria quando não há chicote, prego ou ferida. Isso demonstra a voluntariedade dos sofrimentos de Cristo, uma vez que, sem a lança, o sangue fluiu livremente. Não houve necessidade de ser colocada uma sanguessuga ou utilizada uma faca; o sangue fluiu espontaneamente. Não houve necessidade de os príncipes clamarem: "Brota, ó poço" (Nm 21:17), pois de Si mesmo fluiu torrentes vermelhas. Se um homem padece com uma grande dor de cabeça, o sangue corre para o coração; as bochechas ficam pálidas; um desmaio se aproxima; o sangue foi para sua parte interna como que para nutrir o seu interior enquanto ele passa por sua prova. Contudo, repare nosso Salvador em Sua agonia; Ele é tão completamente alheio de Si mesmo que, em vez de Sua agonia direcionar Seu sangue para o coração a fim de nutrir-Se, ela o dirige para fora, para orvalhar a terra. A agonia de Cristo, conforme derrama Seu sangue pelo chão, descreve a plenitude da oferta que Ele fez para os homens.

Será que não perceberemos o quão intensa deve ter sido a luta pela qual Ele passou, e não ouviremos a Sua voz a nós? "Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado" (Hb 12:4). Eis o grande Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa profissão, que suou até mesmo sangue, em vez de ceder ao grande tentador de nossas almas. Isaac Ambrose (1604 - 1664) foi um teólogo puritano inglês. (N.T.)

Noite

(…) Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão

(Lc 19:40)

Mas poderiam as pedras clamar? Seguramente elas poderiam se Aquele que abriu a boca do mudo lhes permitisse erguerem suas vozes. Se elas falassem, certamente teriam muito a testemunhar em louvor dAquele que as criou pela palavra do Seu poder. Elas poderiam exaltar a sabedoria e o poder de Seu Criador que as chamou à existência. E porventura nós não falaremos bem dAquele que nos gerou de novo, muito mais do que as pedras que suscitaram filhos a Abraão?

As antigas pedras poderiam dizer do caos e da ordem, das obras das mãos de Deus nos sucessivos estágios do drama da criação; e poderemos nós não falar dos decretos de Deus, da grande obra de Deus nos tempos antigos, em tudo o que Ele fez para Sua igreja na antiguidade? Se as pedras pudessem falar, elas diriam a respeito de seus quebradores, como eles as levaram da pedreira e as fizeram aptas para o templo; e não poderemos nós dizer do nosso glorioso Quebrador, que quebrou nossos corações com o martelo de Sua palavra, fazendo de nós Seu templo? Se as pedras pudessem clamar, elas magnificariam seu construtor, que as poliu e as moldou à semelhança de um palácio; e nós não falaremos de nosso Arquiteto e Construtor, que nos colocou em nosso lugar no templo do Deus vivo? Se as pedras pudesse clamar, elas teriam uma longa, longa história para contar por meio de um memorial; há muito tempo atrás, uma grande pedra foi rolada como um memorial diante do Senhor; mas nós também poderemos testemunhar dos "Ebenézers" (1Sm 7:12), pedras de ajuda, pilares de lembrança. As pedras quebradas da lei clamam contra nós, mas o próprio Cristo, que rolou a pedra da entrada do sepulcro, fala por nós. As pedras poderiam clamar, mas nós não deixaremos; vamos calar seu alvoroço com o nosso; vamos romper em sagrado canto e abençoar a majestade do Altíssimo, todos os nossos dias glorificando Aquele que é chamado por Jacó, o Pastor e a Pedra de Israel. De acordo com o “Strong's Hebrew and Greek Dictionaries”, "Ebenezer" significa "pedra de ajuda".

(N.T.)