Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 1 de março

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas (…)

(Ct 4:16)

Qualquer coisa é melhor do que a calmaria da indiferença. Nossas almas podem sabiamente desejar o vento norte dos problemas se ele ao menos puder ser santificado para atrair o perfume das nossas graças. Enquanto isto não puder ser dito: "O Senhor não estava no vento" (1Rs 19:11), não retrocederemos diante da maior rajada de vento invernal que já soprou sobre as plantas da graça. Porventura não está a noiva, neste versículo, humildemente submetendo-se às repreensões de seu Amado, pedindo-Lhe apenas que lhe envie Sua graça de alguma forma, sem fazer qualquer estipulação quanto ao modo como ela venha? Não estará a noiva, tal como nós, tornando-se absolutamente cansada da amortecida e profana calma, suspirando por qualquer visita que possa rodeá-la com poder? No entanto, ela também deseja o confortante vento quente do sul, as graças do amor divino, a alegria da presença do Redentor; tudo isso é, muitas vezes, poderosamente eficaz para despertar nossa preguiçosa vida. Ela deseja um ou outro, ou ambos, de modo a poder deleitar seu Amado com as especiarias de seu jardim. Ela não pode suportar ser inútil, nem nós poderemos. Como animar o pensamento que Jesus pode encontrar conforto em nossas pobres e fracas graças?

Pode isso ocorrer? Isso está longe de ser verdade. Bem podemos clamar por provações ou, até mesmo, pela própria morte se, desse modo, fizermos alegre o coração de Emanuel. Ó, que o nosso coração fosse esmagado até os átomos se apenas por tais feridas nosso doce Senhor Jesus pudesse ser glorificado. Graças não exercidas são como doces perfumes adormecidos nas taças das flores; a sabedoria do grande Lavrador sobrepõe diversas e opostas situações com o objetivo de produzir o resultado desejado, fazendo tanto a aflição como o consolo atrair os odores agradecidos da fé, do amor, da paciência, da esperança, da resignação, da alegria, e outras flores de justiça do jardim. Que possamos saber, por doce experiência, o que isso significa.

Noite

[Ele é precioso]

(1Pe 2:7)

Assim como todos os rios correm para o mar, todos os deleites se concentram em nosso Amado. Os relances de Seus olhares ofuscam o sol; as belezas de Seu rosto são mais belas do que flores escolhidas; nenhuma fragrância se assemelha ao sopro de Sua boca; jóias da mina e pérolas do mar são coisas sem valor quando medidas por Sua preciosidade. Pedro nos diz que Jesus é precioso, porém não disse, e nem poderia dizer, quão precioso Ele é, nem qualquer um de nós poderia calcular o valor do dom inefável de Deus (2Co 9:15). As palavras não podem expor a preciosidade do Senhor Jesus para o Seu povo, nem dizer, de modo absoluto, como Ele é essencial à satisfação e felicidade deles. Crente, acaso você não será achado em meio a grande e pesarosa fome se o seu Senhor estiver ausente?

O sol estava brilhando, mas Cristo Se escondeu e todo o mundo ficou escuro para você; ou era noite, e desde que a resplandecente estrela da manhã (Ap 22:16) foi embora, nenhuma outra estrela poderia lhe dar mais que um raio de luz. Que imenso deserto é este mundo sem o nosso Senhor! Se Ele Se esconde de nós, murchas serão as flores de nosso jardim; nossos frutos excelentes apodrecem; os pássaros retêm suas músicas e a tempestade derruba nossas esperanças. Todas as velas da Terra não podem iluminar o dia se o Sol da Justiça for eclipsado. Ele é a alma da nossa alma, a luz da nossa luz, a vida da nossa vida. Caro leitor, sem Ele, o que farias no mundo quando te levantasses e olhasses para o dia da batalha? O que farias à noite, quando voltasses para casa, cansado e exausto, e não houvesse a porta da comunhão entre ti e Cristo? Bendito seja o Seu nome; Ele não permitirá que fiquemos a nossa própria sorte, pois Jesus nunca abandona aquilo que é Seu. Apesar disso, pense em como seria a vida sem engrandecer Sua preciosidade.

O texto de 1Pe 2:7, citado no início deste devocional, foi adaptado à tradução da Bíblia inglesa versão King James de 1611 (ou Authorized Version), utilizada por C. H. Spurgeon. (N.T.)