Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 2 de março

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Por isso todo o Israel tinha que descer aos filisteus para amolar cada um a sua relha, e a sua enxada, e o seu machado, e o seu sacho

(1Sm 13:20)

Estamos empenhados em uma grande guerra contra os filisteus do mal. Cada arma ao nosso alcance deve ser utilizada. Pregar, ensinar, orar, ofertar, tudo deve ser posto em ação, e os talentos que foram considerados muito simples para o serviço, agora, devem ser utilizados. Enxadas, machados, sachos, tudo pode ser útil para destruir os filisteus; ferramentas rudes podem dar duros golpes, e a morte não precisa ser conseguida de modo elegante, contanto que seja efetiva. A cada momento, em tempo ou fora de tempo, cada pequena capacidade, instruído ou inculto; cada oportunidade, favorável ou desfavorável, deve ser utilizada, pois nossos inimigos são diversos e nossa força é senão escassa. A maioria de nossas ferramentas precisa ser afiada; precisamos rapidez de percepção, tato, energia e agilidade; resumindo em poucas palavras: completa adaptação ao trabalho do Senhor. Bom senso prático é uma coisa muito escassa entre os condutores das obras cristãs. Talvez possamos aprender com nossos inimigos e, assim, fazer os filisteus afiarem nossas armas. Nesta manhã, vamos observar bem como afiar nosso zelo, durante o dia de hoje, com a ajuda do Espírito Santo. Veja a energia dos papistas; como circundam o mar e a Terra para fazerem um prosélito; estão eles a monopolizar toda a sinceridade? Perceba os devotos pagãos e as torturas que enfrentam a serviço de seus ídolos!

Porventura apenas eles exibem paciência e auto-sacrifício? Observe o príncipe das trevas; quão perseverante é em seus esforços, quão ousado em suas tentativas, quão destemido em seus planos, quão inteligente em suas tramas, quão energético em tudo! Os demônios estão unidos como um só homem em sua infame rebelião, enquanto nós, os crentes em Jesus, estamos divididos em nosso serviço a Deus e quase nunca trabalhamos em unanimidade. Ó, que da dedicação infernal de Satanás possamos aprender a ir como bons samaritanos buscando aqueles a quem podemos abençoar!

Noite

A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo

(Ef 3:8)

O apóstolo Paulo sentia um grande privilégio por ter sido autorizado a pregar o evangelho. Ele não considerou sua vocação um trabalho penoso, porém ingressou nessa vocação com intenso deleite. Ainda que Paulo fosse grato por seu ofício, seu sucesso nele o deixou grandemente humilde. Quanto mais cheio vem o navio, mais profundamente ele se afunda na água. Os preguiçosos podem querer um agrado mimado por suas habilidades, pois são inexperientes, mas o trabalhador sério logo descobre sua própria fraqueza.

Se você busca humildade, tente trabalhar duro; se você quer conhecer o seu nada, tente fazer alguma coisa grande para Jesus. Se você quer sentir quão totalmente impotente você é diante do Deus vivo, tente, especificamente, a grande obra de proclamar as insondáveis riquezas de Cristo, e você saberá, como nunca soube antes, que coisa indigna e fraca você é. Desse modo, embora o apóstolo soubesse e confessasse sua fraqueza, ele nunca ficou perplexo quanto ao objeto de seu ministério. Desde o seu primeiro sermão até o último, Paulo pregou a Cristo, e nada além de Cristo. Ele levantou a cruz e exaltou o Filho de Deus que nela sangrou. Siga o seu exemplo em todos os seus esforços pessoais, difundindo as boas novas da salvação, e deixe que "Jesus Cristo e este crucificado" (1Co 2:2) seja sempre o seu tema recorrente. O cristão deve ser como aquelas belas flores da primavera que, quando o sol está brilhando, abrem suas taças de ouro, como se dizendo: "Enche-nos com os teus raios!", mas quando o sol está escondido atrás de uma nuvem, fecham os copos e inclinam suas cabeças.

O cristão deve sentir a doce influência de Jesus do mesmo modo. Jesus deve ser o seu sol, e o cristão deve ser a flor que rende frutos para o Sol da Justiça. Oh! falar somente de Cristo, esse é o assunto que, ao mesmo tempo, é "semente ao semeador, e pão ao que come" (Is 55:10). Essa é a brasa viva para os lábios daquele que fala (Is 6:7), e a chave-mestra para o coração do ouvinte.