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Quem foi Charles Spurgeon, o «príncipe dos pregadores»

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Secretária antiga com livros encadernados em couro, uma Bíblia aberta e notas de sermão

Charles Haddon Spurgeon nasceu a 19 de Junho de 1834, em Kelvedon, no condado inglês de Essex, numa família de pastores independentes. O avô, James Spurgeon, pastoreou a mesma congregação em Stambourne durante mais de cinquenta anos, e foi na casa dele, entre livros antigos de teólogos puritanos, que o rapaz passou boa parte da infância. Quando morreu, em 1892, era provavelmente o pregador mais lido do mundo de língua inglesa. Todos os dias, na secção de devocionais deste site, publicamos uma página do livro que ele escreveu para ser lido de manhã e à noite.

1. A conversão numa manhã de neve

Aos quinze anos, Spurgeon conhecia a Bíblia, mas não tinha paz. No domingo, 6 de Janeiro de 1850, uma tempestade de neve impediu-o de chegar à igreja onde pensava ir e levou-o a entrar numa pequena capela metodista em Colchester. O pregador desse dia não apareceu, e quem subiu ao púlpito foi um homem simples da congregação, que leu Isaías 45.22:

«Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.»

Na sua autobiografia, Spurgeon conta que o homem, sem muito mais para dizer, olhou para ele ao fundo da sala e insistiu: que olhasse para Cristo. Ele olhou. Anos mais tarde repetiria muitas vezes que a salvação não depende de o pecador fazer alguma coisa digna, mas de olhar para Aquele que já fez tudo. Em Maio do mesmo ano foi baptizado por imersão no rio Lark, em Isleham, por convicção própria, contra a tradição da família, que baptizava crianças.

2. Pastor aos dezanove anos

Com dezassete anos, Spurgeon já pastoreava uma pequena igreja baptista em Waterbeach, perto de Cambridge. Em 1854, aos dezanove, foi chamado para a New Park Street Chapel, em Londres, uma congregação histórica que estava reduzida a poucas dezenas de pessoas. Em poucos meses o edifício deixou de chegar. A igreja passou a reunir-se em salas alugadas, entre elas o Surrey Gardens Music Hall, onde em Outubro de 1856 um falso alarme de incêndio provocou uma debandada em que morreram sete pessoas. O episódio marcou-o para o resto da vida.

Em 1861 a congregação inaugurou o Metropolitan Tabernacle, com lugar para cerca de cinco mil pessoas sentadas. Spurgeon pregou ali durante três décadas, normalmente duas vezes ao domingo, sem microfone.

3. Um pregador que escrevia para ser lido

Os sermões de Spurgeon eram estenografados, revistos por ele e publicados todas as semanas. A colecção ultrapassa os três mil e quinhentos sermões e foi traduzida para dezenas de línguas ainda durante a sua vida. Além disso, escreveu um comentário extenso aos Salmos, O Tesouro de David, e livros para pastores, como Lições aos Meus Alunos.

O devocional Manhã e Noite nasceu de dois volumes: Morning by Morning (1865) e Evening by Evening (1868). Cada leitura parte de um versículo curto e desenvolve-o em poucos parágrafos, com o tom directo que se ouvia do púlpito. É por isso que continua a ser lido, século e meio depois: pede poucos minutos por dia e leva sempre o leitor de volta ao texto bíblico.

4. Mais do que pregação

Spurgeon achava que uma igreja que prega o evangelho tem de cuidar de quem está à sua volta. Em 1856 fundou uma escola para formar pastores, o Pastors' College, que recebia sobretudo homens sem meios para estudar. Em 1867 abriu o orfanato de Stockwell, em Londres, que acolhia rapazes e, mais tarde, também raparigas. Durante anos sustentou ainda casas para viúvas idosas, escolas e dezenas de colportores que distribuíam Bíblias e livros pelo país.

Casou em 1856 com Susannah Thompson, que partilhou o ministério com ele e criou um fundo para oferecer livros a pastores pobres. Tiveram dois filhos gémeos, Charles e Thomas, ambos pastores.

5. Firmeza e sofrimento

A vida de Spurgeon não foi uma sequência de triunfos. Sofreu de gota e de outras doenças durante décadas e passou por períodos longos de depressão, de que falava abertamente aos alunos. Em 1887, na chamada «controvérsia do declínio» (Down-Grade Controversy), denunciou o abandono da autoridade da Bíblia em parte das igrejas baptistas inglesas e acabou por sair da União Baptista. Perdeu amigos e foi muito criticado, mas não recuou.

Morreu a 31 de Janeiro de 1892, em Menton, no sul de França, onde costumava descansar no Inverno. O funeral, em Londres, reuniu uma multidão que encheu as ruas até ao cemitério de West Norwood.

6. Porque vale a pena lê-lo hoje

Há três razões para continuarmos a ler Spurgeon:

  1. Ele está sempre a caminho de Cristo. Seja qual for o versículo, a meditação termina na cruz e na graça de Deus.
  2. Escreve para pessoas comuns. Foi um leitor voraz, mas não escrevia para impressionar outros teólogos.
  3. Conheceu a dor. Os devocionais de alguém que passou por doença e depressão falam com honestidade a quem atravessa dias difíceis.

Se ainda não conhece o Manhã e Noite, comece pelo devocional de hoje ou escolha um dia no arquivo dos 365 devocionais. Se gostar do que lê, a mesma fé que Spurgeon pregava é a que anunciamos aos domingos na Igreja Baptista de Cascais.