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A Confissão de Londres de 1689: história e resumo

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Documentos antigos com selos de lacre, uma pena de escrever e um livro encadernado em couro

Em Maio de 1689, o Parlamento inglês aprovou o Acto de Tolerância. Pela primeira vez em décadas, os protestantes que não pertenciam à Igreja de Inglaterra, entre eles os baptistas, podiam reunir-se para o culto sem medo de multas ou de prisão. Em Setembro desse ano, representantes de mais de cem igrejas baptistas particulares de Inglaterra e do País de Gales reuniram-se em Londres. Uma das decisões dessa assembleia foi subscrever publicamente uma confissão de fé que já circulava desde 1677. É ela que hoje se conhece como Confissão de Fé Baptista de Londres de 1689, ou Segunda Confissão de Londres.

1. Porque nasceu

Os baptistas particulares de Londres, de teologia reformada, já tinham publicado uma confissão em 1644, a Primeira Confissão de Londres. Mas na década de 1670 as igrejas dissidentes voltaram a ser perseguidas, e os baptistas quiseram mostrar que, no essencial, criam o mesmo que os outros protestantes reformados. Não eram uma seita com doutrinas estranhas; divergiam em pontos concretos, sobretudo no baptismo e no governo da igreja.

Por isso fizeram uma coisa inteligente: tomaram como base a Confissão de Westminster (1646), dos presbiterianos, e a Declaração de Savoy (1658), dos congregacionais, e alteraram só aquilo em que discordavam. Quem compara os textos vê que grande parte da confissão de 1689 segue Westminster palavra por palavra.

2. O que contém

A confissão tem 32 capítulos. Podem agrupar-se em cinco grandes temas:

  1. A Escritura (capítulo 1). A Bíblia é «a única regra suficiente, certa e infalível» de todo o conhecimento necessário para a salvação, a fé e a obediência.
  2. Deus e a sua obra (capítulos 2 a 6). A Trindade, os decretos de Deus, a criação, a providência e a queda do homem.
  3. A salvação (capítulos 7 a 18). A aliança da graça, Cristo como mediador, o chamamento eficaz, a justificação pela fé, a adopção, a santificação, o arrependimento e a segurança da salvação.
  4. A vida cristã (capítulos 19 a 25). A lei de Deus, a liberdade cristã, o culto e o dia do Senhor, o casamento e o magistrado civil.
  5. A Igreja e as últimas coisas (capítulos 26 a 32). A igreja local, o baptismo, a Ceia do Senhor, a ressurreição e o juízo final.

3. Onde se distingue de Westminster

As diferenças mais importantes estão em três pontos:

  • O baptismo (capítulo 29). Enquanto Westminster ensina o baptismo de crianças filhas de crentes, a confissão de 1689 diz que só devem ser baptizados os que professam arrependimento e fé, e que a forma é a imersão.
  • A igreja (capítulo 26). Cada igreja local, reunida em torno da Palavra, tem autoridade para escolher os seus pastores e diáconos e para exercer a disciplina, sem depender de uma estrutura superior.
  • O Estado e a Igreja. Retiraram-se as passagens de Westminster que davam ao magistrado civil um papel na convocação de sínodos e na correcção de heresias.

Em quase tudo o resto, a confissão é plenamente reformada: afirma a soberania de Deus na salvação, a justificação somente pela fé e a perseverança dos santos.

4. Uma confissão lida em voz alta

A palavra «confissão» vem do latim confessio, reconhecer publicamente. No Novo Testamento, o verbo grego correspondente, homologeō, significa literalmente «dizer a mesma coisa». Uma confissão de fé é isso: uma igreja que diz em conjunto a mesma coisa que a Escritura diz.

Os baptistas nunca puseram as confissões ao nível da Bíblia. O próprio texto de 1689 afirma que a Escritura é a autoridade suprema, pela qual todas as controvérsias devem ser decididas. A confissão serve para ensinar, para mostrar a outros o que uma igreja crê e para proteger a congregação de erros.

5. Spurgeon e a confissão

Em 1855, com apenas vinte e um anos, Charles Spurgeon reeditou a confissão de 1689 para uso da sua igreja em Londres. Queria que os membros tivessem nas mãos um resumo claro da fé que ouviam pregar. Essa edição ajudou a manter a confissão viva no século XIX, e no século XX ela voltou a ser adoptada por muitas igrejas baptistas reformadas em vários países, incluindo os de língua portuguesa.

6. E a Igreja Baptista de Cascais?

A nossa igreja tem uma teologia reformada e baptista, na linha desta confissão. Na página Cremos publicamos a nossa confissão de fé e, no fim, as ligações para o texto integral da Confissão de Londres de 1689 e da Confissão de Westminster, para quem quiser ler e comparar.