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O que é uma igreja baptista?

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Sala de culto simples e luminosa, com cadeiras de madeira voltadas para um púlpito

As primeiras igrejas baptistas nasceram no início do século XVII entre os separatistas ingleses, puritanos que tinham saído da Igreja de Inglaterra por convicção. Em 1609, em Amesterdão, para onde tinham fugido da perseguição, John Smyth e Thomas Helwys concluíram, a partir do estudo do Novo Testamento, que o baptismo devia ser dado a quem confessa a fé em Cristo, e não a recém-nascidos. Smyth baptizou-se a si mesmo, por derramamento de água, e depois baptizou a congregação.

O grupo não ficou unido por muito tempo. Smyth passou a considerar inválido esse baptismo e, com a maioria da congregação, procurou a comunhão dos menonitas holandeses. Esse grupo permaneceu em Amesterdão e uniu-se aos menonitas em 1615, depois da morte de Smyth. Helwys e uma minoria discordaram e, em 1612, regressaram a Londres, onde fundaram em Spitalfields a primeira igreja baptista em solo inglês. No mesmo ano, Helwys publicou um livro em que defendia, perante o próprio rei, que nenhum governo tem autoridade sobre a consciência de ninguém em matéria de fé. Morreu na prisão poucos anos depois.

Da igreja de Helwys nasceram os chamados baptistas gerais, que criam que Cristo morreu por todos os homens sem distinção. Uma segunda corrente, com outra origem, formou-se em Londres na década de 1630, a partir de uma congregação separatista pastoreada sucessivamente por Henry Jacob, John Lathrop e Henry Jessey. Daí saíram os baptistas particulares, de teologia reformada, que em 1644 publicaram a Primeira Confissão de Londres, onde o baptismo por imersão já aparece como a forma bíblica, e, em 1677, a confissão que viria a ser subscrita em 1689. É desta segunda corrente que descendem Charles Spurgeon e a Igreja Baptista de Cascais.

Essa origem ajuda a perceber o que ainda hoje define uma igreja baptista. Na Igreja Baptista de Cascais, que existe desde 1981, resumimos assim a nossa identidade: temos a Bíblia como única regra de fé e prática, cremos na salvação pela graça por meio da fé em Jesus, somos governados pela congregação, cremos no sacerdócio de todos os crentes e na separação entre a Igreja e o Estado.

1. A Bíblia como autoridade final

Os baptistas nasceram da decisão de levar a sério o que a Escritura ensina, mesmo quando isso contrariava a tradição. Por isso, nas questões de fé, a última palavra não pertence a um concílio, a um líder ou a uma assembleia, mas à Bíblia. Como escreveu Paulo a Timóteo: «Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça» (2 Timóteo 3.16).

Isto não quer dizer que cada crente leia a Bíblia sozinho e à sua maneira. As igrejas baptistas publicaram confissões de fé, como a de Londres de 1689, para mostrar em conjunto o que entendem que a Escritura diz. A confissão, porém, está sempre abaixo da Bíblia e pode ser corrigida por ela.

2. O baptismo de quem crê

O traço mais conhecido é o baptismo. A palavra grega do Novo Testamento, baptizō, significa mergulhar, imergir. Os baptistas entendem que o baptismo é para quem já confessou a fé em Cristo e que deve ser feito por imersão, porque é uma imagem da morte e da ressurreição com Cristo (Romanos 6.4). O baptismo não salva ninguém: é o testemunho público de alguém que já foi salvo pela graça.

3. Uma igreja de crentes

Daqui decorre outra convicção: a igreja local é formada por pessoas que confessam a fé em Cristo e foram baptizadas. Não se é membro por ter nascido numa família cristã ou num país de tradição cristã. A palavra grega ekklēsia, traduzida por «igreja», designava uma assembleia de pessoas convocadas. É assim que os baptistas vêem a congregação: pessoas chamadas por Deus que se comprometem umas com as outras.

4. Governo congregacional

Numa igreja baptista, as decisões mais importantes, como a escolha de pastores, a admissão de membros ou o orçamento, são tomadas pela assembleia dos membros. Os pastores ensinam, cuidam e lideram, e os diáconos servem nas necessidades práticas, mas a igreja local não depende de uma hierarquia exterior. As igrejas baptistas cooperam entre si em convenções e alianças; em Portugal, a nossa igreja está filiada na Aliança Evangélica Portuguesa. Essa cooperação é voluntária e não retira autonomia a cada congregação.

5. O sacerdócio de todos os crentes

Todos os que estão em Cristo têm acesso directo a Deus, «porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem» (1 Timóteo 2.5). Não há na igreja uma classe de pessoas mais próxima de Deus do que as outras. Cada membro é chamado a orar, a ler a Escritura, a servir e a anunciar o evangelho. Os pastores são irmãos com uma responsabilidade particular de ensino, não intermediários.

6. Liberdade religiosa e separação entre Igreja e Estado

Os primeiros baptistas sofreram prisão por não aceitarem que o Estado impusesse uma religião. Por isso defenderam, muito antes de ser uma ideia comum, que a fé não pode ser imposta por lei e que o Estado não deve governar a Igreja. Essa convicção vale para todos: os baptistas defenderam a liberdade de consciência também de quem pensava de forma diferente deles.

7. E as outras igrejas evangélicas?

Os baptistas partilham com as outras igrejas evangélicas o essencial do evangelho: a autoridade da Bíblia, a Trindade, a divindade e a obra de Cristo, a salvação pela graça mediante a fé. As diferenças estão sobretudo no baptismo, na forma de governo da igreja e em alguns aspectos do culto. Há também diversidade entre os próprios baptistas. A Igreja Baptista de Cascais tem uma teologia reformada, na linha da Confissão de Londres de 1689 e de pregadores como Charles Spurgeon, e uma liturgia contemporânea.

Se quiser conhecer em pormenor aquilo que ensinamos, leia a nossa confissão de fé. E, se estiver na zona de Cascais, será bem-vindo a um domingo connosco para ver como tudo isto se vive na prática.