Próximo culto: Domingo às 11h30

A Ceia do Senhor: o que é e como a celebramos

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Mesa com toalha de linho branca, um pão redondo e pequenos cálices individuais

Na noite em que foi traído, Jesus celebrou a Páscoa judaica com os doze discípulos, em Jerusalém. A refeição recordava a libertação de Israel do Egipto: o cordeiro, o pão sem fermento, as ervas amargas, os cálices de vinho. A meio dessa refeição, Jesus tomou o pão e o cálice e deu-lhes um sentido novo. Paulo, que recebeu esta tradição poucos anos depois, escreveu-a assim aos coríntios:

«O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.» (1 Coríntios 11.23-25)

1. Os nomes da Ceia

A Bíblia e a história da igreja usam vários nomes para esta celebração, e cada um sublinha um aspecto:

  • Ceia do Senhor (1 Coríntios 11.20): é uma refeição, e quem a preside é Cristo.
  • Partir do pão (Actos 2.42): era assim que os primeiros cristãos se referiam a ela.
  • Comunhão: Paulo pergunta se o pão que partimos «não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo» (1 Coríntios 10.16). A palavra grega é koinōnia, participação, partilha.
  • Eucaristia: do grego eucharistia, acção de graças, porque Jesus «deu graças» antes de partir o pão.

2. O que a Ceia significa

A Ceia olha em três direcções.

  1. Para trás. Recorda a morte de Cristo. «Fazei isto em memória de mim.» O pão partido e o cálice apontam para o corpo entregue e o sangue derramado na cruz.
  2. Para cima e para dentro. Quem participa com fé tem comunhão real com Cristo. Não é apenas uma lembrança: pela fé, e pela obra do Espírito Santo, o crente alimenta-se espiritualmente de Cristo crucificado. É assim que a Confissão de Fé Baptista de 1689, no capítulo 30, descreve a Ceia.
  3. Para a frente. Anuncia a volta de Jesus: «Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha» (1 Coríntios 11.26).

A Ceia une também os crentes entre si. Todos comem do mesmo pão, porque todos dependem do mesmo Salvador.

3. Como os protestantes entendem a Ceia

Na Idade Média, a doutrina oficial da Igreja de Roma passou a ensinar que o pão e o vinho se transformam, na sua substância, no corpo e no sangue de Cristo, e que a missa é uma oferta do sacrifício de Cristo. Os reformadores rejeitaram esse ensino. A carta aos Hebreus insiste que Cristo se ofereceu «uma vez» e que esse sacrifício é suficiente (Hebreus 9.28; 10.10).

Entre os protestantes houve diferenças de pormenor, mas todos concordaram que a Ceia não repete o sacrifício da cruz. Os baptistas reformados seguem a posição de João Calvino: o pão e o vinho continuam a ser pão e vinho, e Cristo está presente de modo espiritual, para alimentar a fé de quem participa.

4. Como a celebramos em Cascais

Na Igreja Baptista de Cascais celebramos a Ceia do Senhor no primeiro domingo de cada mês, durante o culto das 11h30, com a leitura bíblica, oração e a distribuição do pão e do cálice.

5. Quem pode participar

Paulo pede a cada um que se examine antes de participar (1 Coríntios 11.28). A Ceia é para quem confessa a fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Não é um prémio para quem se acha bom: é alimento para pecadores que confiam em Cristo e querem seguir o seu caminho.

Se nos visita e tem dúvidas sobre se deve participar, fale com um dos pastores antes do culto. Teremos gosto em explicar-lhe tudo com calma. E, se ainda não conhece Cristo, é bem-vindo na mesma: a Ceia é também uma pregação visível do evangelho, e pode acompanhar o momento em oração.