(…) o último Adão (…)
(1Co 15:45)
Jesus é o representante absoluto dos Seus eleitos, assim como, em Adão, cada herdeiro de carne e osso tem-lhe uma relação pessoal, pois ele é o cabeça do pacto e representante de todo o gênero considerado sob a lei das obras. Por isso, sob a lei da graça, cada alma redimida é uma com o Senhor do céu, pois Ele é o segundo Adão, o Fiador e Substituto dos eleitos na nova aliança de amor. O apóstolo Paulo declara que Levi estava nos lombos de Abraão quando Melquisedeque saiu-lhe ao encontro (Hb 7:10). De igual modo, é uma verdade infalível que o crente estava nos lombos de Jesus Cristo, o Mediador, quando, na eternidade, o pacto da graça foi estabelecido, ratificado, e feito indubitável para sempre. Assim, tudo o que Cristo fez, Ele o fez por toda a Sua Igreja. Fomos crucificados nEle e sepultados com Ele; e, para tornar isso ainda mais maravilhoso, nós ressuscitamos com Ele e ainda ascendemos com Ele para os lugares celestiais (Ef 2:6). É assim que a Igreja cumpriu a lei e é "aceita no Amado" (Ef 1:6). É assim que ela é vista com complacência pelo Justo Jeová, pois Ele a vê em Jesus, e não a olha como que separada de seu Representante. Tal como o Ungido Redentor de Israel, Jesus Cristo não tem coisa alguma distinta de Sua Igreja, mas tudo o que Ele possui, Ele possui para ela. A justiça de Adão era nossa pelo tempo em que ele a manteve, e seu pecado era nosso desde o momento em que ele o cometeu. Da mesma forma, tudo o que o Segundo Adão é ou faz, é nosso, bem como dEle, pois Ele é o nosso representante.
Aqui está o fundamento do pacto da graça. Esse sistema gracioso de representação e substituição moveu Justino Mártir a clamar: "Ó abençoada substituição, ó doce permutação!". Essa é a base do evangelho da nossa salvação, e deve ser recebido com grande fé e arrebatadora alegria. Justino Mártir (100 a.C. - 165 a.C.) foi um dos primeiros apologistas cristãos. (N.T.)