Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 25 de dezembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel

(Is 7:14)

Vamos hoje descer a Belém e, na companhia de pastores admirados e magos adoradores, ver Aquele que nasceu o Rei dos judeus, pois nós, pela fé, também podemos reivindicar interesse nEle, e cantar: "Um menino nos nasceu, um filho se nos deu" (Is 9:6). Jesus é Jeová encarnado, nosso Senhor e nosso Deus, e ainda nosso irmão e amigo. Adoremos e admiremos. Percebamos, à primeira vista, Sua miraculosa concepção. Foi algo sem precedentes e sem paralelo, que uma virgem pudesse conceber e ter um Filho.

A primeira promessa ocorreu deste modo: "A semente da mulher" (Gn 3:15), e não a descendência do homem. Uma vez que a mulher liderou o caminho do pecado que trouxe o Paraíso perdido, ela, e somente ela, conduz à Retomada do Paraíso. Nosso Salvador, embora verdadeiramente homem, em Sua natureza humana, foi o Santo de Deus. Curvemo-nos, de forma reverente, diante da sagrada Criança, cuja inocência restaura, à natureza humana, sua antiga glória, e oremos para que Ele possa ser formado em nós, a esperança da glória (Cl 1:27). Não deixemos de notar, também, Sua origem humilde. Sua mãe é descrita apenas como "uma virgem". Não uma princesa, ou uma profetiza, ou uma mulher com grandes propriedades. Verdadeiramente o sangue dos reis corria em suas veias, e sua condição não era tão simples ou iletrada que não lhe permitisse cantar docemente uma canção de louvor. Notemos, ainda, quão humilde era sua posição, quão pobre o homem a quem ela ficou prometida, e quão miserável a acomodação conferida ao recém-nascido Rei! Emanuel, Deus conosco em nossa natureza, em nossa tristeza, em nossos trabalhos, em nossa punição, em nossa sepultura e, agora, conosco, ou melhor, nós com Ele, na ressurreição, ascensão, triunfo, e esplendor do Segundo Advento.

Noite

Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente

(Jó 1:5)

Assim como fez o patriarca, de madrugada, após as festividades de família, será bom para o crente fazer o mesmo por si, esta noite, antes de ir dormir. Em meio à alegria de encontros familiares é fácil escorregar em direção aos levitas pecadores, e esquecer nosso declarado caráter cristão. Não deveria ser assim, mas assim o é. Nossos dias de festa são muito raramente dias de divertimento santificado; com muita frequência, degeneram-se em alegria profana. Contudo, existe um caminho de alegria tão pura e santificante que se assemelha a banhar-se em um dos rios do Éden: a sagrada gratidão, que é tão purificadora ao corpo como o sofrimento. Ai de mim! Para os nossos pobres corações, os fatos provam que a casa do luto é melhor do que a casa de festa (Ec 7:2). Venha, crente, em que você pecou no dia de hoje?

Você se esqueceu de sua superior vocação? Você foi como os outros em palavras vãs e linguagem frouxa? Então, confesse o pecado e corra para o sacrifício, o sacrifício santificado; o precioso sangue do Cordeiro morto remove toda a culpa e limpa a contaminação dos nossos pecados de ignorância e descuido. Esse é o melhor final de um dia de Natal: lavar-se mais uma vez na fonte purificante. Crente, venha a esse sacrifício continuamente, e se ele é tão proveitoso hoje à noite, ele é proveitoso todas as noites. Viver no altar é o privilégio do sacerdócio real; pecado, para eles, quão grande possa ser, não é motivo de desespero, pois se aproximam, mais uma vez, da Vítima Expiatória, e suas consciências são purificadas das obras mortas. "Alegremente eu fecho este dia festivo, Agarrando o santificado chifre do altar; Meus deslizes e falhas são lavados, O Cordeiro tem toda a minha transgressão a suportar".