Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 6 de dezembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) e, qual o celestial, tais também os celestiais

(1Co 15:48)

A cabeça e os membros são de uma mesma natureza, e não como a imagem monstruosa que Nabucodonosor viu em seu sonho; a cabeça era de ouro fino, mas o ventre e os quadris eram de bronze, as pernas de ferro, e os pés, em parte de ferro e em parte de barro (Dn 2:31-33). No corpo sobrenatural de Cristo não há combinações absurdas de opostos. Os membros eram mortais e, por isso, Jesus morreu. A Cabeça glorificada é imortal, logo o corpo também é imortal. Por isso está assim registrado: "Porque Eu vivo, vós também vivereis" (Jo 14:19).

Assim como a Cabeça é amada, tal é o corpo e cada membro em particular. Uma Cabeça escolhida, membros escolhidos; uma Cabeça aceita, membros aceitos; uma Cabeça viva, membros vivos. Se a Cabeça é de ouro puro, todas as partes do corpo também são de ouro puro. Assim, há uma dupla união de naturezas que serve de fundamento para uma comunhão perfeita. Detenha-se aqui, devoto leitor, e veja se podes não estar absorvido em êxtase e assombro, contemplando a infinita complacência do Filho de Deus, e exaltando a tua miséria, na abençoada união com a glória do Senhor. Tu és tão vil que, em memória da tua mortalidade, poderás dizer à corrupção: "Tu és o meu pai"; e ao verme: "Tu és a minha irmã" (Jó 17:14). Contudo, em Cristo, tu és tão honrado que podeis dizer ao Todo-Poderoso: "Aba, Pai"; e ao Deus Encarnado: "Tu és o meu Irmão e meu Marido". Se os parentescos entre famílias antigas e nobres fazem os homens pensarem muito de si mesmos, nós temos do que nos gloriar acima de todos eles. Que o crente mais pobre e desprezado lance mão desse privilégio. Que nenhuma apatia sem sentido o faça negligente em reconhecer sua linhagem. Que ele não permita que qualquer apego tolo às presentes vaidades ocupem seus pensamentos, a fim de exclui-lo dessa gloriosa, dessa honra celeste que é a união com Cristo.

Noite

(…) e cingido pelos peitos com um cinto de ouro

(Ap 1:13)

"Um semelhante ao Filho do homem" apareceu a João, em Patmos, e o discípulo amado registrou que Ele usava um cinto de ouro. Jesus nunca foi cingido no tempo em que esteve sobre a Terra. Ao contrário, Ele sempre esteve de pé, pronto para trabalhar. Agora, diante do trono eterno, Ele não está mais no sagrado ministério terreno, mas como um sacerdote, cingido com o "cinto de obra esmerada do seu éfode" (Ex 28:8). Apesar disso, Ele não deixou de realizar Seus ofícios de amor por nós, uma vez que Ele é o nosso Escolhido Salvaguarda, que vive sempre a fazer intercessões por nós.

Jesus nunca é ocioso. Suas vestes nunca estão relaxadas como se Suas atividades estivessem terminadas. Ele continua a cuidar diligentemente da causa do Seu povo. Um cinto de ouro, para manifestar a superioridade de Seu serviço, a realeza de Sua pessoa, a dignidade de Seu estado, a glória de Sua recompensa. Ele já não clama do pó, mas pleiteia com autoridade, um Rei assim como um Sacerdote. Muito bem guardada está a nossa causa nas mãos de nosso entronizado Melquisedeque. Nosso Senhor apresenta-Se a todo o Seu povo como um exemplo. Nunca devemos desatar nossas cinturas. Este não é o momento de deitar-se à vontade. Este é o período de serviço e guerra. Precisamos ligar o cinto da verdade cada vez mais firme em torno de nossos lombos.

É um cinto de ouro, e assim será o nosso mais valioso ornamento; nós precisamos muito dele, pois o coração que não está bem apertado com a verdade que está em Jesus, e com a fidelidade que é forjada pelo Espírito, será facilmente envolvido pelas coisas desta vida, e tropeçará nos laços da tentação. É em vão que tenhamos as Escrituras se não a ligarmos ao nosso redor como um cinto, em torno de toda a nossa natureza, mantendo cada parte do nosso caráter em boa disposição, e dando consistência a todo nosso ser. Se, no céu, Jesus não desata o cinto, nós tampouco podemos fazê-lo sobre a Terra. Estai, pois, com os vossos lombos cingidos com a verdade (Ef 6:14).