(…) e, qual o celestial, tais também os celestiais
(1Co 15:48)
A cabeça e os membros são de uma mesma natureza, e não como a imagem monstruosa que Nabucodonosor viu em seu sonho; a cabeça era de ouro fino, mas o ventre e os quadris eram de bronze, as pernas de ferro, e os pés, em parte de ferro e em parte de barro (Dn 2:31-33). No corpo sobrenatural de Cristo não há combinações absurdas de opostos. Os membros eram mortais e, por isso, Jesus morreu. A Cabeça glorificada é imortal, logo o corpo também é imortal. Por isso está assim registrado: "Porque Eu vivo, vós também vivereis" (Jo 14:19).
Assim como a Cabeça é amada, tal é o corpo e cada membro em particular. Uma Cabeça escolhida, membros escolhidos; uma Cabeça aceita, membros aceitos; uma Cabeça viva, membros vivos. Se a Cabeça é de ouro puro, todas as partes do corpo também são de ouro puro. Assim, há uma dupla união de naturezas que serve de fundamento para uma comunhão perfeita. Detenha-se aqui, devoto leitor, e veja se podes não estar absorvido em êxtase e assombro, contemplando a infinita complacência do Filho de Deus, e exaltando a tua miséria, na abençoada união com a glória do Senhor. Tu és tão vil que, em memória da tua mortalidade, poderás dizer à corrupção: "Tu és o meu pai"; e ao verme: "Tu és a minha irmã" (Jó 17:14). Contudo, em Cristo, tu és tão honrado que podeis dizer ao Todo-Poderoso: "Aba, Pai"; e ao Deus Encarnado: "Tu és o meu Irmão e meu Marido". Se os parentescos entre famílias antigas e nobres fazem os homens pensarem muito de si mesmos, nós temos do que nos gloriar acima de todos eles. Que o crente mais pobre e desprezado lance mão desse privilégio. Que nenhuma apatia sem sentido o faça negligente em reconhecer sua linhagem. Que ele não permita que qualquer apego tolo às presentes vaidades ocupem seus pensamentos, a fim de exclui-lo dessa gloriosa, dessa honra celeste que é a união com Cristo.