Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 2 de novembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) eu, o Senhor, não mudo (…)

(Ml 3:6)

É bom para nós que, em meio a toda variabilidade da vida, há Alguém cuja mudança não pode afetar; Aquele cujo coração nunca pode ser alterado, e cujo rosto a mutabilidade não pode fazer sulcos. Todas as outras coisas mudam, todas as coisas estão mudando. O próprio sol escurece com a idade; o mundo está envelhecendo; o dobrar da vestimenta desgastada já começou; os céus e a Terra em breve passarão; eles irão perecer; envelhecerão como uma peça de roupa; contudo, há Um que possui a imortalidade, cujos anos não têm fim, e onde não há qualquer mudança. O prazer que o marinheiro sente quando se aproxima da segura enseada, depois de ter sido jogado de lá para cá por muitos dias, é a satisfação de um cristão quando, em meio a todas as mudanças da turbulenta vida, ele repousa o pé de sua fé sobre esta verdade: "Eu, o Senhor, não mudo". A estabilidade que a âncora dá ao navio quando ela finalmente alcança o solo é semelhante à esperança do cristão quando ele se fixa sobre essa gloriosa verdade. Com Deus "não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1:17). Aquilo que Seus atributos sempre foram no passado, eles o são agora; Seu poder, Sua sabedoria, Sua justiça, Sua verdade, todos estão inalterados. Ele sempre foi o refúgio do Seu povo (Sl 46:1), a fortaleza no dia da angústia (Na 1:7), e Ele ainda é o seguro Ajudador. Ele é inalterado em Seu amor.

Ele amou o Seu povo com "amor eterno" (Jr 31:3); Ele os ama agora tanto como sempre o fez, e quando todas as coisas terrenas tiverem derretido na última conflagração, Seu amor ainda mostrará o orvalho de sua juventude (Sl 110:3). Preciosa é a garantia de Sua imutabilidade! A roda da providência gira, mas o seu eixo é o amor eterno.

Noite

Grande indignação se apoderou de mim por causa dos ímpios que abandonam a tua lei

(Sl 119:53)

Minha alma, sentes tu essa sagrada indignação pelos pecados dos outros? pois, de outro modo, te falta santidade interior. A face de Davi estava molhada com rios de água por causa da prevalente impiedade; Jeremias desejava olhos como fontes para que pudesse lamentar a iniquidade de Israel (Jr 9:1), e Ló se angustiou com a conversação dos homens de Sodoma (2Pe 2:7). Na visão de Ezequiel, aqueles sobre os quais a marca foi posta foram os que suspiraram e choraram por causa das abominações de Jerusalém (Ez 9:4). Almas graciosas não podem deixar de sofrer ao verem os homens indo para o inferno. Elas conhecem o mal do pecado experimentalmente, e estão alarmadas ao verem os outros voando como mariposas para sua chama.

O pecado faz o justo tremer, pois viola uma lei sagrada, que é do mais alto interesse de cada homem manter. O pecado puxa para baixo os pilares da nação. O pecado nos outros horroriza o crente, pois traz a sua mente a iniquidade de seu próprio coração; quando ele vê um transgressor, ele chora com o pensamento: "Ele caiu hoje, e eu posso cair amanhã". O pecado para um crente é horrível, pois isso crucifica o Salvador (Hb 6:6); ele vê, em cada iniquidade, os pregos e a lança. Como pode uma alma salva contemplar o amaldiçoado e crucificado Cristo sem aversão ao pecado? Diga, meu coração, estás sensivelmente participante de tudo isso? É uma coisa horrível insultar a Deus em Sua face.

O bom Deus merece tratamento melhor, o grande Deus reivindica isso, o justo Deus terá isso, ou retribuirá Seu adversário em sua face. Um coração desperto treme com a audácia do pecado, e fica alarmado com a contemplação de sua punição. Quão monstruosa é a rebelião! Quão terrível castigo está preparado para os ímpios! Minha alma, nunca ria de zombarias sobre o pecado para que não venhas a sorrir para o próprio pecado. Ele é o teu inimigo, e inimigo do teu Senhor; olhe-o com ódio, pois apenas isso pode evidenciar a posse da santidade, sem a qual ninguém poderá ver o Senhor (Hb 12:14).