Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 17 de outubro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Disse, porém, Davi no seu coração: Ora, algum dia ainda perecerei pela mão de Saul (…)

(1Sm 27:1)

O pensamento do coração de Davi naquele momento era um falso pensamento, pois ele certamente não tinha qualquer motivo para imaginar que Deus, havendo-o ungido por intermédio de Samuel, tivesse a intenção de deixar esse ato como algo sem sentido e vazio. Em nenhuma ocasião o Senhor havia abandonado Seu servo; ele havia sido colocado muitas vezes em situações perigosas, mas em momento algum a intervenção divina não o livrou. As provações a que foi exposto foram variadas; elas não assumiram apenas uma forma, porém muitas; no entanto, em todos os casos, Aquele que enviou a provação também ordenou graciosamente um meio de escape. Davi não poderia colocar o dedo sobre qualquer parte de seu diário, e dizer: "Aqui está a evidência de que o Senhor irá me abandonar", pois todo o teor de sua vida passada provava o contrário. Ele poderia ter argumentado que Deus ainda seria seu defensor por conta de tudo o que tinha feito por ele. Porventura essa não é exatamente a mesma forma como nós duvidamos da ajuda de Deus? Não é uma desconfiança sem causa? Alguma vez tivemos sequer a sombra de um motivo para duvidar da bondade de nosso Pai? Acaso não tem sido maravilhosa a Sua benignidade?

Algum vez Ele falhou para justificarmos a nossa desconfiança? Ah, não! o nosso Deus não nos deixou em momento algum. Tivemos noites escuras, mas a estrela do amor brilhou em meio à escuridão; estivemos em severos conflitos, mas acima de nossa cabeça Ele segura o escudo de nossa defesa; passamos por muitas provações, nunca em nosso detrimento, mas sempre a nosso favor; a conclusão da nossa experiência passada é que, Aquele que esteve conosco em seis problemas, não nos abandonará no sétimo. O que nós conhecemos do nosso fiel Deus prova que Ele irá nos sustentar até o fim. Não vamos, então, imaginar contra as evidências. Como podemos ser tão mesquinhos a ponto de duvidar de nosso Deus? Senhor, lança fora a Jezebel da nossa incredulidade, e deixe que os cães a devorem.

Noite

(…) entre os seus braços recolherá os cordeirinhos (…)

(Is 40:11)

Nosso bom Pastor tem em Seu rebanho uma variedade de espécies; alguns são fortes no Senhor, enquanto outros são fracos na fé; contudo, Ele é imparcial em Seu cuidado com todas as Suas ovelhas, e o cordeiro fraco é tão caro a Ele como o mais desenvolvido do rebanho. Cordeiros estão acostumados a ficarem para trás, propensos a vaguear, e aptos a se cansarem, mas o Pastor os protege de todo o perigo dessas enfermidades com Seu braço poderoso. Ele encontra as almas renascidas como cordeiros prestes a perecer; Ele as alimenta até a vida se tornar vigorosa; Ele encontra mentes fracas a ponto de desmaiar e morrer; Ele as consola e renova suas forças. Todos os pequeninos Ele reúne, pois não é a vontade de nosso Pai celestial que sequer um deles se perca. Que rápido olhar Ele deve ter para vê-los todos!

Que coração tenro para cuidar de todos eles! Que longo e potente braço para reunir a todos! Em Sua vida na Terra, Ele foi um grande reunidor dos tipos mais fracos; agora, habitando no céu, Seu coração amoroso anseia pelo manso e contrito, pelo tímido e fraco, pelo medroso e desmaiado. Quão gentilmente Ele reúne-me para Si mesmo, para Sua verdade, para Seu sangue, para Seu amor, para Sua igreja! Com que graça eficaz Ele me compele a vir a Ele mesmo! Desde a minha primeira conversão, com que frequência Ele tem me restaurado de minhas andanças e novamente me envolvido dentro do círculo de Seu braço eterno! O melhor de tudo é que Ele faz tudo sozinho, pessoalmente, não delegando a tarefa de amor, mas condescendendo a Si mesmo resgatar e preservar Seu servo mais indigno.

Como poderei eu amá-Lo o suficiente ou servi-Lo dignamente? Eu, de bom grado, gostaria de fazer Seu nome grande até os confins da Terra, mas o que minha fraqueza pode fazer por Ele? Grande Pastor, adicione Tua misericórdia ao meu coração para amar-Te mais verdadeiramente como devo.