E alegrar-me-ei deles, fazendo-lhes bem (…)
(Jr 32:41)
Como alegra o coração do crente o deleite que Deus tem em Seus santos! Não podemos ver qualquer razão em nós mesmos por que o Senhor teve prazer em nós; não podemos ter deleite em nós mesmos, pois muitas vezes gememos quando somos afligidos, conscientes de nossa pecaminosidade e lamentando nossa infidelidade; tememos que o povo de Deus não tenha muito prazer em nós; eles percebem mais de nossas imperfeições e loucuras, que antes fazem lamentarem nossas enfermidades do que admirarem nossas graças. No entanto, amamos nos debruçar sobre esta verdade transcendente, este glorioso mistério: que, tal como o noivo se alegra com a noiva, assim o Senhor Se alegra conosco. Não lemos em qualquer lugar que Deus Se deleite nas montanhas cobertas de nuvens ou nas estrelas cintilantes, mas lemos que Ele Se deleita no mundo habitável, e que Seu prazer está com os filhos dos homens (Pv 8:31). Não encontramos escrito que nem mesmo os anjos deleitam Sua alma; nem se diz dEle que, a respeito de querubins e serafins, "chamar-te-ão: O meu prazer está nela; porque o Senhor se agrada de ti" (Is 62:4); no entanto, Ele diz tudo isso a pobres criaturas caídas como nós, degradadas e depravadas pelo pecado, porém salvos, exaltados e glorificados por Sua graça. Em quão forte linguagem Ele expressa Sua alegria em Seu povo! Quem poderia compreender o Eterno irrompendo em uma canção? No entanto, está escrito: "Ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo" (Sf 3:17). Quando Ele olhou para o mundo que havia feito, disse: "É muito bom" (Gn 1:31), mas quando viu aqueles que foram comprados pelo sangue de Jesus, Seus próprios escolhidos, parecia que o grande coração do Infinito não podia mais se conter, porém transbordava em divinas exclamações de alegria. Acaso não deveríamos expressar nossa resposta de gratidão a uma declaração tão maravilhosa do Seu amor, e cantar: "Eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação"? (Hc 3:18).