(…) participantes da natureza divina (…)
(2Pe 1:4)
Ser participante da natureza divina não é, logicamente, tornar-se Deus. Isso não pode acontecer. A essência da Divindade não pode ser participada pela criatura. Entre a criatura e o Criador haverá sempre um abismo quanto à essência; no entanto, tal como o primeiro homem, Adão, foi feito à imagem de Deus, assim também nós, pela regeneração do Espírito Santo, somos, em certo sentido, divinos, feitos à imagem do Altíssimo e participantes da natureza divina. Somos, pela graça, feitos à semelhança de Deus.
"Deus é amor", e nós nos tornamos amor, pois "qualquer que ama é nascido de Deus" (1Jo 4:9). Deus é verdade, e nós nos tornarmos verdadeiros, e amamos Aquele que é verdadeiro. Deus é bom, e Ele nos faz bons por Sua graça, para que nos tornemos os puros de coração que verão a Deus (Mt 5:8). Além disso, nós nos tornamos participantes da natureza divina até mesmo em um sentido maior do que esse; de fato, em um sentido tão elevado quanto pode ser concebido, uma pequena parte de nosso ser é absolutamente divina. Porventura não nos tornamos membros do corpo da divina pessoa de Cristo (Ef 5:30)? Sim, o mesmo sangue que corre na cabeça flui na mão, e a mesma vida que vivifica Cristo, vivifica Seu povo, "porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Cl 3:3). Como se isso não bastasse, estamos desposados com Cristo. Ele nos prometeu a Si mesmo em justiça e fidelidade, e aquele que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito (1Co 6:17).
Oh! mistério maravilhoso! Nós o contemplamos, mas quem poderá entendê-lo? Um com Jesus; somos um com Ele; um ramo na videira não é mais unido do que nós somos com o Senhor, nosso Salvador, nosso Redentor! Enquanto nos regozijamos, lembremo-nos que aqueles que são feitos participantes da natureza divina manifestarão seu elevado e santo relacionamento em suas relações com os outros, e irão torná-las evidente por sua caminhada e conversas diárias, uma vez que, da corrupção que está no mundo pela concupiscência, eles escaparam (2Pe 1:4). Ó, por mais divina santidade de vida!