Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 16 de setembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) participantes da natureza divina (…)

(2Pe 1:4)

Ser participante da natureza divina não é, logicamente, tornar-se Deus. Isso não pode acontecer. A essência da Divindade não pode ser participada pela criatura. Entre a criatura e o Criador haverá sempre um abismo quanto à essência; no entanto, tal como o primeiro homem, Adão, foi feito à imagem de Deus, assim também nós, pela regeneração do Espírito Santo, somos, em certo sentido, divinos, feitos à imagem do Altíssimo e participantes da natureza divina. Somos, pela graça, feitos à semelhança de Deus.

"Deus é amor", e nós nos tornamos amor, pois "qualquer que ama é nascido de Deus" (1Jo 4:9). Deus é verdade, e nós nos tornarmos verdadeiros, e amamos Aquele que é verdadeiro. Deus é bom, e Ele nos faz bons por Sua graça, para que nos tornemos os puros de coração que verão a Deus (Mt 5:8). Além disso, nós nos tornamos participantes da natureza divina até mesmo em um sentido maior do que esse; de fato, em um sentido tão elevado quanto pode ser concebido, uma pequena parte de nosso ser é absolutamente divina. Porventura não nos tornamos membros do corpo da divina pessoa de Cristo (Ef 5:30)? Sim, o mesmo sangue que corre na cabeça flui na mão, e a mesma vida que vivifica Cristo, vivifica Seu povo, "porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Cl 3:3). Como se isso não bastasse, estamos desposados com Cristo. Ele nos prometeu a Si mesmo em justiça e fidelidade, e aquele que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito (1Co 6:17).

Oh! mistério maravilhoso! Nós o contemplamos, mas quem poderá entendê-lo? Um com Jesus; somos um com Ele; um ramo na videira não é mais unido do que nós somos com o Senhor, nosso Salvador, nosso Redentor! Enquanto nos regozijamos, lembremo-nos que aqueles que são feitos participantes da natureza divina manifestarão seu elevado e santo relacionamento em suas relações com os outros, e irão torná-las evidente por sua caminhada e conversas diárias, uma vez que, da corrupção que está no mundo pela concupiscência, eles escaparam (2Pe 1:4). Ó, por mais divina santidade de vida!

Noite

Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?

(Jó 7:12)

Esse foi um estranho questionamento para Jó fazer ao Senhor. Ele se sentia insignificante para ser tão rigorosamente vigiado e castigado, como também não achava que fosse tão rebelde para que necessitasse ser tão reprimido. A inquirição era natural vindo de alguém cercado por tais insuportáveis misérias, mas, ao final, produziu uma humilde resposta. É verdade que o homem não é o mar, porém ele é ainda mais problemático e indisciplinado. O mar respeita e obedece seu limite, e, apesar de ser apenas um cinturão de areia, ele não o ultrapassa.

Poderoso como é, ele ouve o mandamento divino, "até aqui", e mesmo na tormenta mais furiosa, respeita a ordem; contudo, o homem obstinado desafia o céu e aflige a terra; não há fim para sua rebelde ira. O mar, obediente à lua, flui e reflui com regularidade incessante, rendendo uma obediência ativa e passiva, mas o homem, inquieto além da medida, dorme em relação aos deveres, sendo indolente quando deveria estar ativo. Ele nem vai, nem vem, ao comando divino, mas, com tristeza, prefere fazer o que não deveria, e abandona aquilo que lhe é exigido. Cada gota no oceano, cada floco de espuma efervescente, cada concha e seixo sentem o poder da lei, e recuam ou se movem imediatamente. Ó, que a nossa natureza fosse senão um milésimo conformada com a vontade de Deus! Chamamos o mar de falso e inconstante, porém como é constante! Desde o dia de nossos pais, e o tempo antes deles, o mar está no lugar onde sempre esteve, batendo nas mesmas falésias com a mesma melodia; sabemos onde encontrá-lo; ele não abandona seu leito nem o seu incessante rugido; contudo, onde está o homem vão, o homem inconstante?

Pode o homem sábio imaginar por qual loucura será logo seduzido de sua obediência? Mais precisamos de uma guarda do que o mar revolto, pois somos muito mais rebeldes. Senhor, governa-nos pela Tua própria glória. Amém. "Floco de espuma esfervescente" é uma referência ao livro "O Cruzeiro do Midge", escrito pelo novelista inglês Michael Scott (1789 - 1835). (N.T.)