Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 11 de setembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) apartai-vos (…)

(2Co 6:17)

O cristão, enquanto no mundo, não é para ser do mundo. Ele deve ser distinguido do mundo no grande objetivo de sua vida. Para ele, o "viver" deve ser "Cristo" (Fp 1:21). Se come, ou bebe, ou o que quer que faça, ele deve fazer tudo para a glória de Deus (1Co 10:31). Você pode acumular tesouros, porém ajunte-os no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, onde os ladrões não minam nem roubam (Mt 6:19). Você pode se esforçar para ser rico, mas seja sua ambição ser "rico em fé" (Tg 2:5) e em boas obras. Você pode ter alegria, mas quando estiver feliz, cante salmos e entoe louvores em seu coração ao Senhor (Ef 5:19). Em seu espírito, assim como em seu propósito, você deve ser diferente do mundo. Aguardando humildemente diante de Deus, sempre consciente de Sua presença, deleitando-se na comunhão com Ele e buscando conhecer a Sua vontade, você provará que é do povo celestial, e será separado do mundo em suas ações.

Se uma coisa é justa, embora por ela você sofra uma perda, ela deve ser feita; se é errada, mas você ganharia com isso, você deve desprezar o pecado pelo bem do seu Mestre. Você não deve ter comunhão com as obras infrutíferas das trevas, mas antes condená-las. Caminhe valorosamente em sua vocação e dignidade. Lembre-se, ó cristão, que és filho do Rei dos reis. Portanto, mantenha-se longe da corrupção do mundo. Não suje os dedos que estão prestes a tocar as cordas celestes; não deixe esses olhos tornarem-se as janelas da luxúria, pois, em breve, eles verão o Rei em Sua formosura (Is 33:17); não deixe esses pés se contaminarem em charcos, pois eles estão prestes a andar pelas ruas de ouro; não deixe o coração cheio de orgulho e amargura, pois ele estará, dentro em breve, preenchido com o céu e transbordando de alegria extática. "Então, eleva-te minha alma! e voe para longe, Acima da multidão irrefletida; Acima dos prazeres da felicidade, E dos esplendores do orgulho; Até onde belezas eternas florescem, E todos os prazeres divinos; Onde riqueza nunca pode ser consumida, E as glórias intermináveis brilham".

Noite

Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos (…)

(Sl 5:8)

Muito amarga é a inimizade do mundo contra o povo de Cristo. Os homens perdoarão mil faltas nos outros, porém ampliarão a ofensa mais trivial nos seguidores de Jesus. Em vez de inutilmente lamentarmos, vamos transformar isso em algo vantajoso; uma vez que muitos estão observando a nossa hesitação, que isso seja um motivo especial para andarmos com muito cuidado diante de Deus. Se vivermos descuidadamente, o olhar afiado do mundo em breve verá e, com suas centenas de línguas, espalhará a história, enfeitada e de forma exagerada pelo zelo da calúnia. Eles gritarão triunfantes: "Ah!

Então o pegamos! Veja como esses cristãos agem! Eles são hipócritas sem exceção". Haverá, então, muitos danos à causa de Cristo, e muito insulto ao Seu nome. A cruz de Cristo é, em si mesma, uma ofensa ao mundo; tomemos cuidado para que não lhe adicionemos as nossas próprias ofensas. Ela "é escândalo para os judeus" (1Co 1:23): vamos considerar que não coloquemos nenhum tropeço onde já existem suficientes; "e loucura para os gregos": não adicionemos a nossa loucura para dar lugar ao desprezo com o qual a sabedoria mundana ridiculariza o evangelho. Quão zelosos devemos ser de nós mesmos! Quão rígidos com nossas consciências! Na presença de adversários que irão deturpar nossas melhores obras, e impugnar nossas motivações onde não puderem censurar nossas ações, quão circunspectos devemos ser! Peregrinos viajam como pessoas suspeitas através da "Feira da Vaidade".

Não só estamos sob vigilância, porém há mais espiões do que nós conhecemos. A espionagem está em toda parte, em casa e em público. Se cairmos nas mãos dos inimigos, poderemos antes esperar a generosidade de um lobo, ou a misericórdia de um demônio, do que qualquer coisa semelhante à paciência com nossas fraquezas diante de homens que temperam sua infidelidade para com Deus com os escândalos contra o Seu povo. Ó Senhor, guia-nos sempre, para que nossos inimigos não nos faça tropeçar! "Feira da Vaidade" é uma referência ao livro "O Peregrino", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1678. (N.T.)