Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 4 de setembro

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) quero, sê limpo (…)

(Mc 1:41)

A original escuridão ouviu a Toda-Poderosa Luz: "Haja luz", e logo houve luz. A palavra do Senhor Jesus é semelhante em majestade, tal como a antiga palavra de poder. A redenção, assim como a criação, tem sua palavra de poder. Jesus fala, e é feito. A lepra não havia cedido por qualquer dos remédios humanos, porém foi imediatamente embora pela palavra "quero" do Senhor.

A doença não apresentava qualquer sinal de recuperação ou esperança; a natureza contribuía em nada para sua própria cura, mas tão apenas a palavra efetuou todo o trabalho, e para sempre. O pecador está em uma situação mais miserável do que o leproso; que ele imite seu exemplo e vá a Jesus "rogando-lhe, e pondo-se de joelhos diante dele". Deixe-o exercer a pouca fé que tem, mesmo que ela não vá além de: "Senhor, se queres, bem podes limpar-me", e não haverá qualquer dúvida quanto ao resultado desse apelo. Jesus cura todos os que vêm ter com Ele, e a ninguém lança fora. Na leitura da narrativa em que o texto desta manhã acontece, é digno de nota que Jesus tocou o leproso. Essa pessoa impura havia quebrado os regramentos da lei cerimonial e entrado na casa, mas Jesus esteve longe de repreendê-lo por ter violado a lei a fim de conhecê-Lo. Jesus fez um troca com o leproso, pois enquanto o purificava, Ele afastava, com aquele toque, a violação à lei levítica. Mesmo assim, Jesus Cristo foi feito pecado por nós, embora em Si mesmo não tivesse conhecido o pecado, para que nEle fôssemos feitos justiça de Deus (2Co 5:21). Ó, que os pobres pecadores vão para Jesus, acreditando no poder de Sua abençoada obra substitutiva, e logo descobrirão o poder de Seu gracioso toque.

Essa mão que multiplicou os pães, que salvou Pedro quando afundava, que sustenta os santos aflitos, que coroa os crentes, a mesma mão irá tocar todo pecador que O busca, e em um instante irá torná-lo limpo. O amor de Jesus é a fonte da salvação. Ele ama, Ele olha, Ele nos toca, e nós vivemos.

Noite

Balanças justas, pesos justos, efa justo, e justo him tereis (…)

(Lv 19:36)

Pesos, balanças e medidas deviam ser todas de acordo com o padrão de justiça. Certamente nenhum cristão precisa ser lembrado disso em seus negócios, pois se a justiça for banida de todo o mundo, ela encontrará um abrigo no coração dos crentes. Há, porém, outras balanças que pesam coisas morais e espirituais, e essas, muitas vezes, precisam ser conferidas. Vamos, então, chamar o fiscal hoje à noite. Acaso as balanças onde pesamos a nós mesmos, e o caráter dos outros homens, estão bastante precisas?

Será que não viramos a grama de nossa própria bondade em quilos e o quilo das outras pessoas em gramas? Repare os pesos e medidas, cristão. Porventura as escalas em que medimos nossas provações e dificuldades estão de acordo com o padrão? Paulo, que teve de sofrer mais do que nós temos, chamou suas aflições de leve (2Co 4:17), e, ainda assim, muitas vezes, consideramos as nossas aflições pesadas; certamente algo deve estar errado com os pesos! Devemos analisar esse assunto para que não sejamos levados ao tribunal superior por tratamento desigual. Esses pesos com os quais medimos a nossa convicção doutrinária são justos? As doutrinas da graça devem ter o mesmo peso conosco, assim como os preceitos da palavra, nem mais, nem menos; contudo, é de se recear que, com muitos, uma ou outra escala é injustamente pesada. É uma grande questão dar justa medida à verdade.

Cristão, tome cuidado aqui. Essas medidas com que estimamos nossas obrigações e responsabilidades parecem particularmente pequenas. Quando um homem rico não oferta para a causa de Deus mais do que aquilo que os pobres contribuem, é uma efa justa e um him justo? Quando ministros estão em dificuldades, é um negócio honesto? Quando os pobres são desprezados, quando os ricos homens ímpios são admirados, é uma balança justa? Leitor, poderíamos alongar a lista, mas preferimos deixá-la como seu trabalho para esta noite: descobrir e destruir todas as balanças, pesos e medidas injustas.