Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 21 de agosto

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) aquele que atende também será atendido

(Pv 11:25)

Aqui aprendemos uma grande lição: que para ter, temos que dar; que para acumular, devemos espalhar; que para fazer-nos felizes, temos de fazer os outros felizes; que para nos tornarmos espiritualmente fortes, devemos buscar o bem espiritual dos outros. Em regar os outros somos regados. Como? Sendo nossos esforços úteis, trazendo a força da nossa utilidade. Temos talentos latentes e faculdades dormentes que são trazidos à luz pelo uso.

Nossa força de trabalho está escondida, inclusive de nós mesmos, até que nos aventuremos a lutar as batalhas do Senhor ou escalar as montanhas das dificuldades. Nós não sabemos que tenra compaixão possuímos até que tentemos secar as lágrimas da viúva e acalmar a dor do órfão. Muitas vezes é na tentativa de ensinar os outros que ganhamos instrução para nós mesmos. Oh, que graciosas lições alguns de nós aprendem em leitos de doença! Fomos para ensinar as Escrituras, e voltamos corados, porque sabíamos tão pouco sobre elas. Em nossa conversa com pobres santos, somos mais perfeitamente ensinados sobre os caminhos de Deus para nós mesmos, e recebemos uma visão mais profunda da verdade divina. Assim, regar os outros nos torna humildes. Descobrimos o quanto de graça há onde não tínhamos buscado por ela, e quanto o pobre santo pode nos superar em conhecimento. O nosso próprio conforto também é aumentado pelo nosso trabalho para os outros.

Nós nos esforçamos para animá-los, e a consolação alegra nosso coração. Tal como duas pessoas na neve, uma se aquece pelo atrito na outra, o que a preserva da morte; e, ao fazer isso, mantém seu próprio sangue em circulação, salvando sua própria vida. A pobre viúva de Sarepta ofereceu, dos seus limitados recursos, a oferta que o profeta precisava, e, a partir desse dia, ela nunca mais soube o que era necessidade. Dê, então, e lhe será dado, boa medida, recalcada, sacudida e transbordando (Lc 6:38).

Noite

(…) não disse à descendência de Jacó: Buscai-me em vão (…)

(Is 45:19)

Podemos receber muita consolação considerando aquilo que Deus não disse. O que Ele disse é indescritivelmente cheio de conforto e deleite, porém o que Ele não disse é senão pouco menos rico em consolação. Foi um desses "não disse" que preservou o reino de Israel nos dias de Jeroboão, filho de Joás, pois "não falara o Senhor em apagar o nome de Israel de debaixo do céu" (2Rs 14:27). Em nosso texto, temos a certeza que Deus irá responder à oração, pois "não disse à descendência de Israel: Buscai-me em vão". Aqueles que pensaram coisas amargas contra si mesmos deveriam lembrar disso; deixe que suas dúvidas e medos digam o que quiserem; se Deus não o excluiu da misericórdia, não há espaço para desespero; mesmo a voz da consciência é de pouco peso se não for sustentada pela voz de Deus. O que Deus disse, trema! mas não sofra por suas vãs imaginações a ponto de ficar oprimido pelo desânimo e em pecaminoso desespero. Muitas pessoas tímidas têm sido atormentadas pela suspeita de que possa haver algo nos decretos de Deus que lhes exclua da esperança, mas aqui está uma completa refutação ao enervante medo, pois nenhum verdadeiro buscador será submetido à ira. "Não falei em segredo, nem em lugar algum escuro da terra; não disse" (Is 45:19), mesmo no segredo do Meu decreto insondável, "buscai-me em vão". Deus claramente revelou que Ele ouvirá as orações daqueles que O invocam, e que essa declaração não poderá ser violada. Ele tem tanta firmeza, tanta veracidade, tanta sinceridade ao falar que não pode haver margem para dúvidas. Ele não revela Seus pensamentos em palavras ininteligíveis, mas fala claramente e de forma categórica: "Pedi, e dar-sevos-á" (Mt 7:7). Acredite, ó temente, nesta segura verdade: que a oração deve e será ouvida, e que nunca, mesmo nos segredos da eternidade, o Senhor disse a qualquer alma vivente: "Buscai-me em vão".