Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 16 de agosto

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome (…)

(Sl 29:2)

A glória de Deus é o resultado de Sua natureza e de Seus atos. Ele é glorioso em Seu caráter, pois não há uma tal reunião de tudo que é santo, bom e encantador como há em Deus; por isso, Ele deve ser glorificado. As ações que fluem de Seu caráter também são gloriosas, mas, ao mesmo tempo em que Ele intenciona que elas manifestem às Suas criaturas a Sua bondade, misericórdia e justiça, Ele está igualmente interessado em que a glória associada as Suas ações sejam dadas tão somente a Ele. Não há qualquer coisa em nós mesmos para que nos gloriemos, pois o que nos faz diferente uns dos outros? E o que temos que não tenhamos recebido do Deus de toda a graça (1Co 4:7)?

Então, quão cuidadosos devemos ser para andarmos humildemente diante do Senhor! No momento em que glorificamos a nós mesmos, uma vez que há lugar apenas para uma única glória no universo, nós nos colocamos como rivais do Altíssimo. Deve o inseto de curta duração glorificar-se contra o sol que o esquenta para a vida? Porventura a caco de barro pode exaltar-se acima do homem que o moldou sobre a roda? Porventura a poeira do deserto pode lutar com o turbilhão? ou as gotas do oceano lutam com a tempestade? Dai ao Senhor, vós todos os justos, dai ao Senhor glória e força; dai-Lhe a honra que é devida ao Seu nome (Sl 29:1-2). No entanto, talvez seja uma das lutas mais difíceis da vida cristã aprender esta frase: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória" (Sl 115:1).

É uma lição que Deus está sempre nos ensinando, e ensinando por vezes pela mais dolorosa disciplina. Deixe um cristão começar a se vangloriar: "Eu posso fazer todas as coisas", sem acrescentar "através de Cristo que me fortalece", e em pouco tempo ele irá gemer: "Eu não posso fazer coisa alguma", e se lamentará na poeira. Quando fazemos alguma coisa para o Senhor, e Ele tem prazer em aceitar as nossas ações, vamos lançar nossa coroa aos Seus pés, e exclamar: "Todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo" (1Co 15:10).

Noite

(…) mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito (…)

(Rm 8:23)

A atual posse é declarada. No momento presente, temos os primeiros frutos do Espírito. Temos arrependimento, essa pedra preciosa de maior qualidade; fé, essa pérola de valor inestimável; esperança, a esmeralda celeste; e amor, o glorioso rubi. Nós já fomos feitos "novas criaturas em Cristo Jesus" (2Co 5:17), segundo a operação de Deus-Espírito Santo. Isso é chamado de primícias, pois vem em primeiro lugar.

Assim como o molho movido era o primeiro da colheita (Lv 23:11), tal a vida espiritual, e todas as graças que a adornam, são as primeiras operações do Espírito de Deus em nossas almas. As primícias eram o penhor da colheita. Assim que o israelita arrancasse o primeiro punhado de espigas maduras, ele esperaria com feliz expectativa o momento em que a carroça rangeria debaixo dos molhos. Portanto, irmãos, quando Deus nos dá coisas que são puras, amáveis e de boa fama, como a obra do Espírito Santo, elas são para nós os prognósticos da glória do porvir. As primícias eram sempre consagradas ao Senhor, e nossa nova natureza, com todos os seus poderes, é igualmente consagrada. A nova vida não é nossa, algo que devamos atribuir sua excelência ao nosso próprio mérito; é a imagem e criação de Cristo, e é ordenada para a Sua glória. Mas as primícias não eram a colheita, como também as obras do Espírito em nós, neste momento, não são a consumação; a perfeição ainda está por vir. Nós não devemos nos vangloriar de que já a alcançamos, e, assim, considerar o molho movido como toda a produção do ano; temos fome e sede de justiça, e ansiamos o dia da completa redenção. Caro leitor, esta noite, abra largamente a boca, e Deus irá preenchê-la (Sl 81:10). Deixe a benção da atual posse estimular em você uma sagrada avareza por mais graça. Suspire dentro de si mesmo por graus mais elevados de consagração, e o seu Senhor lhe concederá, pois Ele é capaz de fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos (Ef 3:20).