Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 15 de agosto

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

E Isaque saíra a orar no campo, à tarde (…)

(Gn 24:63)

Muito admirável foi sua ocupação. Se aqueles que passam muitas horas em indolência, em leituras fúteis e passatempos inúteis pudessem aprender a sabedoria, eles encontrariam companhias mais proveitosas e maior interesse no comprometimento com a meditação do que nas vaidades que, agora, têm tanto encanto para eles. Todos nós conheceríamos mais, viveríamos mais perto de Deus, e cresceríamos em graça se ficássemos mais sozinhos. A meditação rumina e extrai o verdadeiro nutriente do alimento mental. Quando Jesus é o tema, a meditação é, de fato, doce.

Isaque achou Rebeca enquanto engajado em meditações privadas; muitos outros têm encontrado lá o seu mais Amado. Muito admirável foi a escolha do lugar. No campo, nós temos um estudo com diferentes situações para reflexão. Do cedro ao hissopo, do voar da águia ao chilrear do gafanhoto, da extensão azul do céu às gotas de orvalho, todas as coisas estão cheias de ensino, e quando os olhos são divinamente abertos, os ensinamentos lampejam sobre a mente de forma muito mais vívida do que em livros escritos. Nossos pequenos cômodos não são nem tão saudáveis, nem tão sugestivos, nem tão agradáveis ou tão inspiradores como os campos. Não consideremos nada comum ou impuro, mas percebamos que todas as coisas criadas apontam para seu Criador e, assim, o campo será imediatamente um local santificado. Muito admirável foi o momento. O cair do sol, uma vez que desenha um véu sobre o dia, propicia o repouso da alma quando a criação cuida em oferecer as alegrias da comunhão celestial.

A glória do sol estimula nossa admiração, e a solenidade da aproximação da noite desperta nosso espanto. Se os afazeres de hoje permitirem, seria bom, caro leitor, se você gastasse uma hora para caminhar no campo ao anoitecer, mas, se não, o Senhor também está na cidade, e virá a ti em tua câmara ou na rua lotada. Que teu coração vá ao encontro dEle.

Noite

(…) e vos darei um coração de carne

(Ez 36:26)

Um coração de carne é conhecido por sua sensibilidade ao pecado. Ceder a uma imaginação imunda ou permitir que um desejo desordenado permaneça, ainda que por um momento, é o bastante para fazer um coração de carne sofrer diante do Senhor. O coração de pedra não sente coisa alguma quanto à iniquidade, mas não o coração de carne. "Se para a direita ou para a esquerda eu andar desgarrado, Nesse momento, Senhor, reprova-me; E deixe-me chorar a minha vida, Por ter ofendido o Teu amor".

O coração de carne é tenro quanto à vontade de Deus. Meu senhor "auto-determinação" é um grande fanfarrão, e é difícil submetê-lo à vontade de Deus; no entanto, quando é concedido o coração de carne, a vontade treme como uma folha de álamo a cada respiração do céu, e se curva como uma vime a cada brisa do Espírito de Deus. A vontade natural é um frio e rígido metal que não pode ser moldado, mas a vontade regenerada, tal como metal fundido, logo é moldada pela mão da graça. No coração de carne há uma ternura aos afetos. O coração endurecido não ama o Redentor, mas o coração renovado arde com carinho por Ele. O coração duro é egoísta e friamente exige: "Por que eu deveria chorar por causa do pecado? Por que eu deveria amar o Senhor?", mas o coração de carne diz: "Senhor, Tu sabes que te amo, ajuda-me a amar-Te mais!". Muitos são os privilégios deste coração renovado; aqui o Espírito habita, aqui Jesus descansa; ele é preparado para receber todas as bênçãos espirituais, e todas as bênçãos vêm até ele; é preparado para produzir cada fruto celestial para honra e louvor de Deus; portanto, o Senhor nele Se deleita. Um coração sensível é a melhor defesa contra o pecado e a melhor preparação para o céu. Um coração renovado está em sua torre de guarda esperando a vinda do Senhor Jesus. Já tem você este coração de carne?