Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 28 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

[Tão tolo fui eu, e ignorante; eu era como um animal perante ti]

(Sl 73:22)

Lembre-se: essa é a confissão de um homem segundo o coração de Deus. Ao nos contar sua vida interior, ele escreve: " [Tão tolo fui eu, e ignorante]". A palavra "tolo" significa mais do que em linguagem comum. Davi, no verso terceiro do Salmo, escreve: "Eu tinha inveja dos néscios [tolos], quando via a prosperidade dos ímpios" (Sl 73:3), mostrando que, na tolice, ele pretendia pecar. Ele se humilha, como sendo "tolo", e acrescenta uma palavra que lhe dá intensidade ao dizer: "Tão" tolo fui eu.

Quão tolo ele não sabia dizer. Era uma tolice pecaminosa, uma tolice que não era para ser desculpada pela fragilidade, mas para ser condenada por causa de sua perversidade e deliberada ignorância, pois ele teve inveja da prosperidade presente dos ímpios, esquecendo-se do terrível fim que aguarda a todos eles. E porventura somos nós melhores que Davi para que chamemos a nós mesmos de sábios? Por acaso podemos dizer que atingimos a perfeição, ou que temos sido tão castigados que a vara do castigo removeu de nós toda a nossa obstinação? Ah, isso seria orgulho, de fato! Se Davi foi tolo, quão tolo podemos ser em nossa própria estima se pudéssemos tão somente ver a nós mesmos! Olhe para trás, crente; pense quando duvidaste de Deus, mesmo tendo Ele sido tão fiel a você; pense em seu tolo clamor: "Não assim, meu Pai", quando Ele cruzou Suas mãos na aflição para lhe dar bênção maior; pense nas muitas vezes em que você compreendeu Suas providências na escuridão, mal interpretado Suas dispensações, e clamou: "Todas essas coisas estão contra mim", quando, na verdade, todas elas estavam trabalhando juntas para o seu bem! Pense quantas vezes você escolheu o pecado pelo prazer, quando, na verdade, esse prazer foi uma raiz de amargura a você! Certamente, se conhecemos o nosso próprio coração, devemos nos declarar culpados em uma acusação de pecaminosa tolice e, conscientes dessa "tolice", fazer nossa a consequente solução de Davi: "Guiar-me-ás com o teu conselho" (Sl 73:24).

O texto do Salmo 73:22, citado no início deste devocional, foi adaptado à tradução da Bíblia inglesa versão King James de 1611 (ou Authorized Version), utilizada por C. H. Spurgeon. (N.T.)

Noite

(…) o qual andou fazendo bem (…)

(At 10:38)

Poucas palavras, contudo um excelente resumo do Senhor Jesus Cristo. Não há muitos retoques, mas são os traços de um mestre do pincel. Do Salvador, e somente do Salvador, é a verdade no mais completo, mais amplo e mais qualificado sentido. Ele "andou fazendo bem". A partir dessa descrição é evidente que Ele fez bem de um modo particular.

Os evangelistas constantemente nos dizem que Ele tocou o leproso com Seu próprio dedo, que ungiu os olhos do cego e que, nos casos em que foi convidado a falar apenas uma palavra à distância, Ele não apenas aceitou, mas Ele próprio foi até a cama do doente e, pessoalmente, operou a cura. Uma lição para nós, se quisermos fazer o bem, é que o façamos nós mesmos. Dar esmolas com sua própria mão: um olhar ou uma palavra afetuosa aumentará o valor da doação. Falar a um amigo sobre a alma dele: você, por um apelo amoroso, terá mais influência do que toda uma biblioteca de tratados. O modo do nosso Senhor fazer o bem apresenta Sua incessante atividade! Ele fez não só o bem que estava perto, mas "andou fazendo o bem"

em Suas missões de misericórdia. Ao longo de toda a terra da Judéia, quase não houve uma vila ou aldeia que não tenha ficado muito contente ao vêLo. Como isso reprova a rasteira e indolente forma que muitos professores servem ao Senhor. Vamos cingir os lombos de nossa mente e não nos cansar de fazer o bem. Porventura o texto não indica que Jesus Cristo saiu de Seu caminho para fazer o bem?

Ele "andou fazendo bem". Ele nunca foi dissuadido pelo perigo ou pelas dificuldades. Ele buscava as finalidades de Suas graciosas intenções. Devemos fazer o mesmo. Se os planos antigos não responderem, temos de tentar novos, pois novas tentativas, por vezes, conseguem mais do que os métodos normais. A perseverança de Cristo e a unidade de Seu propósito também estão sugeridas, e a aplicação prática do tema pode ser resumida nas palavras: "Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (1Pe 2:21).