(…) tu eras também como um deles
(Ob 1:11)
Uma bondade fraternal era devida por Edom a Israel no tempo da necessidade; contudo, no lugar de bondade, os homens de Esaú fizeram causa comum com os inimigos de Israel. Especial ênfase no verso diante de nós é colocada sobre a palavra "tu", como quando César gritou para Brutus: "Até tu, Brutus"; uma má ação pode ser ainda pior por causa da pessoa que a cometeu. Quando pecamos, nós, que somos escolhidos do céu, pecamos com ênfase; nossa ofensa é uma gritante ofensa, pois somos particularmente favorecidos. Se um anjo colocar a mão sobre nós quando estamos fazendo o mal, ele não precisaria usar qualquer outra repreensão além da pergunta: "Que fazes aqui?" (1Rs 19:9). Muito perdoado, muito liberto, muito instruído, muito enriquecido, muito abençoado; ousaremos colocar o mal diante de nossas mãos?
Deus nos livre! Nesta manhã, alguns minutos de confissão podem ser benéficos para ti, caro leitor. Porventura nunca foste como o ímpio? Em uma festa à noite, alguns homens riram da impureza, e a piada não foi completamente ofensiva aos teus ouvidos, mas foste como um deles. Quando coisas duras foram ditas sobre os caminhos de Deus, estiveste timidamente em silêncio, e, assim, para os espectadores, foste tu como um deles. Quando os mundanos estão permutando no mercado, e conduzindo árduas barganhas, não foste como um deles? Quando estavam perseguindo a vaidade com pés de caçador, não foste tão ganancioso como foram eles? Poderia qualquer diferença ser discernida entre ti e eles?
Existe alguma diferença? Aqui estamos chegando ao final do trimestre. Seja honesto com a tua alma e certifique-se de que és uma nova criatura em Cristo Jesus, e, quando isso for certo, ande zelosamente, para que ninguém seja capaz de dizer: "Tu eras também como um deles". Tu não desejas compartilhar a condenação eterna deles; por que, então, serias como eles aqui? Não entres no segredo deles para que não entres na ruína deles. Ao lado com o povo aflito de Deus, e não com o mundo. A frase "Até tu, Brutus" é utilizada poeticamente para expressar as últimas palavras do Imperador romano Julio Cesar, no momento de seu assassinato, ao seu amigo Marco Brutus. Essa frase foi notabilizada por ter sido usada em "A Tragédia de Julio Cesar", drama escrito por William Shakespeare, por volta de 1599. (N.T.)