Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 22 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) eu vos desposei (…)

(Jr 3:14)

Jesus Cristo está unido ao Seu povo por uma união matrimonial. Por amor, Ele desposou Sua Igreja como uma virgem pura, muito antes dela cair sob o jugo da servidão. Repleto de ardente afeição, Ele trabalhou, tal como Jacó por Raquel, até que a totalidade de seu dote fosse pago (Gn 29:20;30); agora, depois de buscá-la por Seu Espírito, e de levá-la a conhecê-Lo e a amá-Lo, Ele aguarda o glorioso momento em que a felicidade de ambos será consumada nas bodas do Cordeiro. O glorioso Noivo ainda não apresentou Sua noiva aperfeiçoada e completa diante da Majestade do céu; ela ainda não entrou realmente no gozo de suas dignidades como Sua esposa e rainha; ela ainda é uma andarilha em um mundo de miséria, uma habitante nas tendas de Kedar (Ct 1:5); ainda assim, ela é a noiva, a esposa de Jesus, querida ao Seu coração, preciosa aos Seus olhos, escrita em Suas mãos, e unida a Sua pessoa. Na Terra, Ele dirige todos os Seus afetuosos ofícios de marido a ela.

Ele faz rica provisão as suas necessidades, paga todas as suas dívidas, permite a ela assumir o Seu nome e compartilha toda a Sua riqueza. Nunca Ele irá agir de outra maneira para com ela. A palavra divórcio Ele nunca falará, pois Ele "odeia o repúdio" (Ml 2:16). A morte rompe o laço conjugal entre os mortais mais amorosos, porém a morte não pode dividir os laços desse imortal matrimônio. No céu, eles não se casam, mas serão como os anjos de Deus (Mt 22:30); contudo, existe essa maravilhosa exceção à regra, pois, no Céu, Cristo e a Sua Igreja celebram alegres núpcias.

Essa afinidade é mais duradoura, de modo que a relação é mais próxima do que o casamento terreno. O amor de um marido não pode ser tão puro e fervoroso; esse amor é senão uma imagem tênue da chama que arde no coração de Jesus. Superando qualquer união humana é a clivagem mística com a Igreja, para a qual Cristo deixou Seu Pai e tornou-Se uma só carne com ela.

Noite

(…) Eis aqui o homem

(Jo 19:5)

Se há um lugar onde nosso Senhor Jesus concede plenamente alegria e conforto ao Seu povo é onde Ele mergulhou mais fundo nas profundezas da aflição. Venham, almas graciosas, eis aqui o Homem no jardim do Getsêmani; eis o Seu coração, tão repleto de amor que Ele não pode contê-lo, tão cheio de tristeza que precisa encontrar uma saída; eis o suor de sangue que destila por todos os poros de Seu corpo e cai no chão. Veja o Homem enquanto os pregos são cravados em Suas mãos e pés. Olhem para cima, arrependidos pecadores, e vejam a triste imagem de Seu Senhor sofredor. Reparem nEle, bem como nas gotas de rubi que estão na coroa de espinhos e adornam com pedras preciosas o diadema do Rei da Miséria.

Eis o Homem que todos os ossos estão fora das juntas, e que é derramado como água e trazido ao pó da morte; Deus O abandonou, e o inferno O rodeia. Venham e vejam; alguma vez já houve dor como a dor que Lhe é afligida? Todos vós que passais pelo caminho, aproximem-se e olhem este espetáculo de dor, único, incomparável, uma maravilha para os homens e para os anjos, um prodígio incomparável. Eis o Imperador da Desgraça, que não tem igual ou rival em Suas agonias! Olhe para Ele, vós, enlutados, pois se não há consolação em um Cristo crucificado, então, não há alegria na Terra ou no céu. Se, no preço do resgate de Seu sangue, não há esperança, vós, harpas celestes, não há alegria em vós, e à mão direita de Deus não há delícias eternas. Temos apenas de nos sentar mais continuamente ao pé cruz para sermos menos incomodados por nossas dúvidas e aflições.

Temos apenas que ver Suas tristezas e teremos vergonha de mencionar as nossas dores. Temos apenas de olhar para as Suas feridas para curar as nossas. Se quisermos viver adequadamente, isso será pela contemplação de Sua morte; se quisermos subir à dignidade, isso será considerando Sua humilhação e tristeza.