(…) eu vos desposei (…)
(Jr 3:14)
Jesus Cristo está unido ao Seu povo por uma união matrimonial. Por amor, Ele desposou Sua Igreja como uma virgem pura, muito antes dela cair sob o jugo da servidão. Repleto de ardente afeição, Ele trabalhou, tal como Jacó por Raquel, até que a totalidade de seu dote fosse pago (Gn 29:20;30); agora, depois de buscá-la por Seu Espírito, e de levá-la a conhecê-Lo e a amá-Lo, Ele aguarda o glorioso momento em que a felicidade de ambos será consumada nas bodas do Cordeiro. O glorioso Noivo ainda não apresentou Sua noiva aperfeiçoada e completa diante da Majestade do céu; ela ainda não entrou realmente no gozo de suas dignidades como Sua esposa e rainha; ela ainda é uma andarilha em um mundo de miséria, uma habitante nas tendas de Kedar (Ct 1:5); ainda assim, ela é a noiva, a esposa de Jesus, querida ao Seu coração, preciosa aos Seus olhos, escrita em Suas mãos, e unida a Sua pessoa. Na Terra, Ele dirige todos os Seus afetuosos ofícios de marido a ela.
Ele faz rica provisão as suas necessidades, paga todas as suas dívidas, permite a ela assumir o Seu nome e compartilha toda a Sua riqueza. Nunca Ele irá agir de outra maneira para com ela. A palavra divórcio Ele nunca falará, pois Ele "odeia o repúdio" (Ml 2:16). A morte rompe o laço conjugal entre os mortais mais amorosos, porém a morte não pode dividir os laços desse imortal matrimônio. No céu, eles não se casam, mas serão como os anjos de Deus (Mt 22:30); contudo, existe essa maravilhosa exceção à regra, pois, no Céu, Cristo e a Sua Igreja celebram alegres núpcias.
Essa afinidade é mais duradoura, de modo que a relação é mais próxima do que o casamento terreno. O amor de um marido não pode ser tão puro e fervoroso; esse amor é senão uma imagem tênue da chama que arde no coração de Jesus. Superando qualquer união humana é a clivagem mística com a Igreja, para a qual Cristo deixou Seu Pai e tornou-Se uma só carne com ela.