Então disse Deus a Jonas: Fazes bem que assim te ires (…)?
(Jn 4:9)
A ira não é sempre ou necessariamente pecaminosa, mas ela tem uma tal tendência a se descontrolar que, no momento em que ela surge, devemos ser rápidos em questionar o seu caráter com esta pergunta: "Fazes bem que assim te ires?". Pode acontecer que a resposta seja "SIM". Muito frequentemente a raiva é como um louco incendiário, embora, às vezes, seja como o fogo vindo do céu, como foi no caso de Elias (1Rs 18:38). Fazemos bem quando ficamos irados com o pecado por conta do mal que o pecado comete contra o nosso bom e misericordioso Deus; ou quando ficamos irados com nós mesmos, pois permanecemos tão tolos mesmo depois de tanta instrução divina; ou, ainda, quando ficamos irados com os outros onde a única causa da raiva é o mal que eles fazem. Aquele que não fica irado pela transgressão torna-se participante dela. O pecado é uma coisa repugnante e odiosa, e nenhum coração que foi regenerado pode pacientemente suportá-lo. O próprio Deus está irado com o ímpio todos os dias (Sl 7:11), e está escrito em Sua Palavra: "Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal" (Sl 97:10). No entanto, muito mais frequentemente, é de se recear que a nossa raiva não é louvável, ou mesmo justificável, e, nesse caso, temos de responder "não". Por que deveríamos ficar chateados com crianças, aborrecidos com servos, ou furiosos com os companheiros? Porventura tal raiva é motivo de honra a nossa profissão de fé cristã ou glorifica a Deus? Não é, antes, o velho coração mal procurando ganhar domínio?
Não deveremos resistir a ela com toda a força da nossa natureza recémnascida? Muitos professores dão lugar ao seu temperamento como se fosse inútil tentar resistir a ele, porém o crente deve lembrar que precisa ser um conquistador em todos os pontos ou, então, não poderá ser coroado. Se não podemos controlar o nosso temperamento, o que a graça tem feito por nós? Alguém disse a um pregador que a graça está, muitas vezes, colocada sobre a casca de um caranguejo. "Sim", respondeu ele, "mas seu fruto não será caranguejos". Não devemos fazer da nossa enfermidade natural uma desculpa para o pecado, mas temos de correr para a cruz e orar ao Senhor para crucificar os nossos temperamentos, e nos regenerar em brandura e mansidão a Sua própria semelhança.