Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 13 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Então disse Deus a Jonas: Fazes bem que assim te ires (…)?

(Jn 4:9)

A ira não é sempre ou necessariamente pecaminosa, mas ela tem uma tal tendência a se descontrolar que, no momento em que ela surge, devemos ser rápidos em questionar o seu caráter com esta pergunta: "Fazes bem que assim te ires?". Pode acontecer que a resposta seja "SIM". Muito frequentemente a raiva é como um louco incendiário, embora, às vezes, seja como o fogo vindo do céu, como foi no caso de Elias (1Rs 18:38). Fazemos bem quando ficamos irados com o pecado por conta do mal que o pecado comete contra o nosso bom e misericordioso Deus; ou quando ficamos irados com nós mesmos, pois permanecemos tão tolos mesmo depois de tanta instrução divina; ou, ainda, quando ficamos irados com os outros onde a única causa da raiva é o mal que eles fazem. Aquele que não fica irado pela transgressão torna-se participante dela. O pecado é uma coisa repugnante e odiosa, e nenhum coração que foi regenerado pode pacientemente suportá-lo. O próprio Deus está irado com o ímpio todos os dias (Sl 7:11), e está escrito em Sua Palavra: "Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal" (Sl 97:10). No entanto, muito mais frequentemente, é de se recear que a nossa raiva não é louvável, ou mesmo justificável, e, nesse caso, temos de responder "não". Por que deveríamos ficar chateados com crianças, aborrecidos com servos, ou furiosos com os companheiros? Porventura tal raiva é motivo de honra a nossa profissão de fé cristã ou glorifica a Deus? Não é, antes, o velho coração mal procurando ganhar domínio?

Não deveremos resistir a ela com toda a força da nossa natureza recémnascida? Muitos professores dão lugar ao seu temperamento como se fosse inútil tentar resistir a ele, porém o crente deve lembrar que precisa ser um conquistador em todos os pontos ou, então, não poderá ser coroado. Se não podemos controlar o nosso temperamento, o que a graça tem feito por nós? Alguém disse a um pregador que a graça está, muitas vezes, colocada sobre a casca de um caranguejo. "Sim", respondeu ele, "mas seu fruto não será caranguejos". Não devemos fazer da nossa enfermidade natural uma desculpa para o pecado, mas temos de correr para a cruz e orar ao Senhor para crucificar os nossos temperamentos, e nos regenerar em brandura e mansidão a Sua própria semelhança.

Noite

Quando eu a ti clamar, então voltarão para trás os meus inimigos: isto sei eu, porque Deus é por mim

(Sl 56:9)

É impossível a qualquer idioma humano expressar o pleno significado desta prazerosa frase: "Deus é por mim". Ele foi "por nós" antes que os mundos fossem feitos; Ele foi "por nós", ou não teria dado Seu bem-amado filho; Ele foi "por nós" quando feriu o Unigênito e colocou todo o peso de Sua ira sobre Ele; Ele foi "por nós", embora fôssemos contra Ele; Ele foi "por nós" quando estávamos arruinados pela queda, e Ele nos amou apesar de tudo; Ele foi "por nós" quando éramos rebeldes contra Ele, e à força O desafiávamos; Ele foi "por nós", ou não nos teria trazido humildade para buscar Sua face. Ele tem sido "por nós" em muitas lutas; fomos chamados para nos deparar com hostes de perigos; temos sido assaltados por tentações internas e externas; como poderíamos ter permanecido incólumes até agora se Ele não tivesse sido "por nós"? Ele é "por nós" com toda a infinidade de Seu ser, com toda a onipotência do Seu amor, com toda a infalibilidade de Sua sabedoria, vestido de todos os Seus atributos divinos. Ele é "por nós", eterna e imutavelmente "por nós"; "por nós", quando aquele céu azul for enrolado como um manto desgastado (Sl 102:26); "por nós", por toda a eternidade. E porque Ele é "por nós", a voz da oração sempre nos garantirá Sua ajuda. "Quando eu a ti clamar, então voltarão para trás os meus inimigos". Essa não é uma esperança incerta, mas uma garantia bem fundamentada: "Isto eu sei".

Eu apresento a Ti a minha oração, e ergo meus olhos em busca da resposta, certo de que ela virá, e que meus inimigos serão derrotados, "pois Deus é por mim". Ó crente, quão feliz és com o Rei dos reis ao teu lado! Quão seguro estás com tal Protetor! Quão certo estás de tua causa ser pleiteada por tal Advogado! Se Deus é por ti, quem será contra ti?