Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 6 de julho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, e estará livre do temor do mal

(Pv 1:33)

O amor divino é evidentemente sentido quando ele brilha em meio às provações. Justa é aquela estrela solitária que sorri através das fendas das nuvens trovejantes; brilhante é o oásis que floresce no deserto de areia; tão justo e tão brilhante é o amor em meio à ira. Quando os israelitas provocaram o Altíssimo por sua contínua idolatria, Ele os puniu retendo tanto o orvalho como a chuva, de modo que a terra foi visitada por uma dolorosa fome; mas, enquanto fazia isso, o Senhor teve o cuidado para que os Seus eleitos estivessem seguros. Se todos os outros riachos estivessem secos, ainda haveria um reservado para Elias; e quando esse riacho falhou, Deus guardou para Elias um lugar de sustento; ou melhor, não apenas uma pessoa; o Senhor não tinha simplesmente um "Elias", mas um remanescente, segundo a eleição da graça, que foi escondido em grupos de cinquenta em uma caverna, e, embora toda a terra estivesse sujeita à fome, estes cinquenta na caverna foram alimentados, e alimentados pela mesa de Acabe, como também pelo Seu fiel e temente mordomo Obadias (1Rs 18:4). Vamos extrair dessa inferência que, aconteça o que acontecer, o povo de Deus está seguro. Que as convulsões abalem a terra, que o céu seja rasgado em dois, pois em meio aos destroços do mundo, o crente estará tão seguro como na hora mais tranquila de descanso. Se Deus não salvar Seu povo debaixo do céu, Ele irá salvá-los no céu. Se o mundo se tornar muito quente para mantê-los, então, o céu é o lugar da recepção e segurança deles.

Sede vós, portanto, confiantes quando vos falarem de guerras e rumores de guerra (Mt 24:6). Que nenhuma aflição o angustie, mas fique tranquilo quanto ao temor do mal. Tudo aquilo que vier sobre a terra, você, debaixo das largas asas do Senhor, estará seguro. Permaneça sob a Sua promessa; descanse em Sua fidelidade, e lance o desafio para o futuro mais sombrio, pois não há nada terrível nele para você. Sua única preocupação deve ser a de manifestar ao mundo a bem-aventurança de se dar ouvidos à voz da sabedoria.

Noite

Quantas culpas e pecados tenho eu? (…)

(Jó 13:23)

Alguma vez você já pesou e considerou quão grande é o pecado do povo de Deus? Pense quão hedionda é sua própria transgressão e você descobrirá que não é apenas um pecado aqui e ali, elevando-se como o pico das montanhas, mas que as nossas iniquidades estão amontoadas umas sobre as outras, tal como na antiga fábula dos gigantes que empilharam o Monte Pelion sobre o Monte Ossa, montanha sobre montanha. Que amontoado de pecados há mesmo na vida do mais santificado filho de Deus! Tente multiplicar isso, quer dizer, o pecado de um só, pela multidão dos remidos, "a qual ninguém podia contar" (Ap 7:11), e você terá alguma noção da grande quantidade de culpa das pessoas pelas quais Jesus derramou Seu sangue. Contudo, chegamos a uma ideia mais adequada da magnitude do pecado por meio da grandeza do remédio fornecido.

É o sangue de Jesus Cristo, unigênito e bem-amado Filho de Deus. O Filho de Deus! Anjos lançam suas coroas diante dEle! Todas as sinfonias celestiais cercam Seu glorioso trono. "Deus bendito eternamente. Amém" (Rm 9:5). E, no entanto, Ele toma sobre Si a forma de servo; é flagelado, perfurado, machucado e rasgado, e, finalmente, morto, uma vez que nada senão o sangue do Filho de Deus encarnado poderia fazer a expiação pelos nossos pecados. Nenhuma mente humana pode estimar de forma adequada o valor infinito do sacrifício divino, pois grande como é o pecado do povo de Deus, a expiação que o remove é incomensuravelmente maior. Então, mesmo quando o pecado se revolve como uma sombria inundação, e a lembrança do passado é amarga, o crente ainda pode ficar diante do resplandecente trono do grande e santo Deus, e clamar: "Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos" (Rm 8:34). Enquanto a lembrança de seu pecado o enche de vergonha e tristeza, Cristo, ao mesmo tempo, faz com que ele seja uma folha de prata para refletir o brilho da misericórdia; a culpa é a noite escura em que a justa estrela do amor divino brilha com sereno esplendor.

Os Montes Pelion e Ossa estão localizados na Grécia. Segundo a mitologia grega, quando os gigantes Otus e Efialtes tentaram invadir o Olimpus, eles empilharam o Monte Pelion sobre o Monte Ossa. (N.T.)