Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 9 de junho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres

(Sl 126:3)

Alguns cristãos, infelizmente, estão propensos a olhar para o lado sombrio de tudo, mais enfatizando aquilo pelo qual passaram do que aquilo que Deus tem feito por eles. Pergunte a respeito da impressão que eles têm sobre a vida cristã e descreverão seus contínuos conflitos, suas profundas aflições, suas tristes adversidades e a pecaminosidade de seus corações, porém quase nenhuma alusão à misericórdia e ao socorro que Deus lhes tem concedido. No entanto, um cristão cuja alma está em um estado saudável se apresentará com alegria, dizendo: "Eu falarei, não sobre mim, mas para a honra do meu Deus. 'Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos; e pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus'; 'Grandes coisas fez o Senhor por mim, pelas quais estamos alegres'" (Sl 40:2-3); um resumo de experiência como esse é o melhor que qualquer filho de Deus pode apresentar. É verdade que suportamos provações, mas também é verdadeiro que delas somos salvos. É verdade que temos nossas corrupções, e tristemente sabemos disso, mas é igualmente verdadeiro que temos um Salvador todosuficiente que supera essas corrupções e nos liberta de seu domínio. Ao olharmos para trás, seria errado negar que estivemos no "Pântano do Desânimo" e nos arrastamos pelo "Vale da Humilhação", mas seria igualmente errado esquecer que passamos através deles de forma segura e proveitosa; não permanecemos neles graças ao nosso TodoPoderoso Ajudador e Líder, pois "nos trouxeste a um lugar espaçoso" (Sl 66:12). Quanto mais profundo são os nossos problemas, mais alto nosso agradecimento a Deus que nos guiou através de tudo e nos preservou até agora. Nossos pesares não podem estragar a melodia do nosso louvor, pois consideramos que eles sejam o tom grave do cântico das nossas vidas. "Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres".

"Pântano do Desânimo" e "Vale da Humilhação" são referências ao livro "O Peregrino", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1678. (N.T.)

Noite

Examinai as Escrituras (…)

(Jo 5:39)

A palavra grega aqui traduzida por "examinai" significa um estrito, apurado, diligente e minucioso exame, tal como fazem os homens quando estão procurando ouro, ou os caçadores quando ardorosos para caçar. Não devemos nos contentar em ter feito uma leitura superficial de um ou dois capítulos, mas, com a vela do Espírito, devemos conscientemente buscar o significado oculto da palavra. A Sagrada Escritura requer investigação; muitas partes somente podem ser descobertas através de um diligente estudo. Há leite para as crianças, mas há também carne para homens fortes. Os rabinos sabiamente dizem que há uma montanha de assuntos sobre cada palavra, sim, sobre cada título da Escritura.

Tertuliano exclama: "Eu adoro a plenitude das Escrituras". Nenhum homem que meramente toca a superfície do livro de Deus poderá se beneficiar por essa atitude; devemos cavar e explorar até que se obtenha o tesouro escondido. A porta da palavra só se abre com a chave da diligência. As Escrituras exigem pesquisa. Elas são os escritos de Deus carregando o carimbo e a aprovação divina; quem ousará tratá-las com leviandade? Aqueles que a desprezam, desprezam o Deus que as escreveu. Que Deus não permita que qualquer um de nós abandone nossas Bíblias para nos tornarmos uma testemunha veloz (Ml 3:5) contra nós mesmos no grande dia do juízo. A palavra de Deus retribuirá a pesquisa. Deus não nos convida a peneirar um monte de palha com um grão de trigo aqui e ali, mas a Bíblia é trigo padejado (Is 30:24); temos apenas que abrir a porta do celeiro e encontrá-lo.

A Escritura vai se tornando mais evidente ao aluno. Ela é cheia de surpresas. Sob o ensino do Espírito Santo, para os olhos que buscam, ela brilha, com o esplendor da revelação, como um vasto templo pavimentado com ouro forjado, coberta com rubis, esmeraldas e toda a sorte de pedras preciosas. Nenhuma mercadoria é como a verdade da Escritura. Por fim, ela revela Jesus: "São elas que de mim testificam". Nenhum motivo mais poderoso poderia motivar os leitores da Bíblia do que este: aquele que encontra Jesus encontra a vida, o céu, e todas as coisas. Feliz é aquele que, examinando sua Bíblia, descobre seu Salvador. Tertuliano (160 a.C. - 220 a.C.), nascido em Cartago, na província romana da África, foi um autor das primeiras fases do Cristianismo. (N.T.)