Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 1 de junho

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro

(Gn 1:5)

Assim foi no início? Luz e escuridão dividiram o reinado do tempo no primeiro dia? Então, não é motivo de admiração se minhas circunstâncias também mudarem do sol da prosperidade para a noite da adversidade. O resplandecente brilho do meio-dia não será constante nas coisas concernentes a minha alma; devo esperar períodos para lamentar a ausência das minhas antigas alegrias, e buscar meu Amado durante a noite. Também não estou sozinho, pois todos os amados do Senhor tiveram que cantar a mesclada melodia de juízo e misericórdia, de julgamento e libertação, de luto e deleite. É um dos arranjos da Divina Providência que dia e noite não cessarão na criação natural ou espiritual até chegarmos à terra da qual está escrito: "E ali não haverá mais noite" (Ap 22:5). Aquilo que nosso Pai celestial ordena é sábio e bom. O que é para ti, então, minha alma, o melhor a fazer? Aprenda primeiro a se contentar com essa ordem divina e a estar disposta, tal como Jó, a receber o mal da mão do Senhor, assim como o bem. Em seguida, examine como tornar as saídas da manhã e da tarde em alegria (Sl 65:8). Louvado seja o Senhor pelo sol da alegria quando ele surge e pela escuridão da noite quando ela cai.

Há beleza tanto no nascer como no pôr do sol; louve isso e glorifique ao Senhor. Assim como o rouxinol, derrame tuas notas em todas as horas. Acredite que a noite é tão útil quanto o dia. Os orvalhos da graça caem pesadamente na noite da tristeza. As estrelas da promessa brilham gloriosamente em meio à escuridão da dor.

Continue tua tarefa sob todas as circunstâncias. Se a palavra de ordem no teu dia foi trabalho, à noite, troque o turno. Cada hora tem o seu dever; continue na tua chamada como servo do Senhor até Ele aparecer repentinamente em Sua glória. Minha alma, tua noite de velhice e morte se aproxima; não temas, pois isso é parte do dia, e o Senhor disse: "O amado do Senhor habitará seguro com ele; todo o dia o cobrirá" (Dt 33:12).

Noite

(…) e fará o seu deserto como o Éden (…)

(Is 51:3)

Segundo me parece, imagino um deserto semelhante ao grande e terrível deserto do Saara. Não percebo qualquer coisa nele para aliviar meus olhos; estou completamente cansado com a visão da areia quente e árida, repleta de dez mil branqueados esqueletos de miseráveis seres humanos que expiraram em angústia, tendo perdido seu caminho nesse cruel lugar. Que visão terrível! Quão horrorosa! Um mar de areia sem limites, sem um único oásis, um triste cemitério para uma miserável raça!

Contudo, contemple e admire! Subitamente, levantando-se da areia escaldante, vejo uma plantação de renome (Ex 34:29); à medida que crescem os botões, um botão se expande; é uma rosa; ao seu lado, um lírio inclina sua modesta haste; então, milagre dos milagres! conforme o perfume dessas flores é difundido, o deserto se transforma em um campo fértil e tudo ao seu redor floresce sobremaneira; a glória do Líbano lhe é dada, a excelência do Carmelo e Sarom (Is 35:2). Não o chame de Saara, mas de Paraíso. Não fale mais dele como o vale da sombra da morte, onde os esqueletos jaziam branqueados ao sol; eis que a ressurreição é proclamada e levantam-se os mortos, um poderoso exército cheio de vida imortal. Jesus é essa plantação de renome e Sua presença faz nova todas as coisas, não sendo menos maravilhosa em cada salvação individual. Naquela direção eu vejo você, caro leitor, lançado fora, uma criança, desatado em faixas, sujo, contaminado com seu próprio sangue, deixado para ser alimento por animais de rapina. Mas, eis, uma jóia foi jogada em seu seio por uma divina mão e, por causa dela, você tem recebido piedade e cuidado da providência de Deus; você foi lavado e purificado de sua impureza; você foi adotado na família celestial, o justo selo do amor está em sua testa e o anel de fidelidade está em sua mão; agora, você é um príncipe diante de Deus, embora uma vez um órfão jogado fora. Ó, apreço excessivamente incomparável, poder e graça que transformam desertos em jardins, e faz o coração estéril cantar de alegria.