Tu odeias a impiedade (…)
(Sl 45:7)
"Iraivos, e não pequeis" (Ef 4:26). Dificilmente poderá haver bondade em um homem se ele não estiver irado com o pecado. Quem ama a verdade deve odiar todo caminho de falsidade; quão nosso Senhor Jesus o odiava quando veio a tentação! Três vezes O atacou de diferentes maneiras, porém sempre se defrontou com: "Para trás de mim, Satanás". Ele odiava o pecado nos outros; ainda que com fervor, mais frequentemente Jesus demostrou Seu ódio em lágrimas de piedade do que em palavras de repreensão; contudo, que linguagem pode ser mais severa, mais parecida com a de Elias, do que as palavras: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações" (Mt 23:14). Ele sobremaneira odiava a maldade que sangrou até ferir-Lhe o coração; Ele morreu para que ela morresse; Ele foi enterrado para que ela fosse enterrada em Seu túmulo; e Ele ressuscitou para esmagá-la para sempre sob Seus pés. Cristo está no Evangelho, e este Evangelho se opõe à maldade em todas as suas formas. Impiedade veste a si mesma em justas vestes e imita a linguagem da santidade; contudo, os preceitos de Jesus, como seu famoso azorrague de cordéis, expulsou-a para fora do templo (Mt 21:12) e não irá tolerá-la na Igreja. Assim, também, no coração onde Jesus reina, que guerra há entre Cristo e Belial! E quando nosso Redentor voltar para ser nosso Juiz, estas palavras trovejarão: "Apartai-vos de mim, malditos" (Mt 25:41), que são, de fato, um prolongamento de Seu ensinamento de vida a respeito do pecado, manifestando Seu repúdio à iniquidade. Tão caloroso como é o Seu amor para com os pecadores, tão caloroso é o Seu ódio ao pecado; tão perfeita como é a Sua justiça, tão completa será a destruição de todas as formas de maldade. Ó glorioso campeão da justiça e destruidor do mal, "por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros" (Hb 1:9).