Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 28 de maio

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) e aos que justificou a estes também glorificou

(Rm 8:30)

Aqui está uma verdade preciosa para ti, crente. Tu podes ser pobre, ou estar em sofrimento, ou ser desconhecido, mas, para teu encorajamento, analise o teu chamado e as consequências que dele decorrem, especialmente o abençoado resultado que é dito aqui. Tão certo como és hoje um filho de Deus, com a mesma certeza, todas as tuas provações, em breve, terão fim, e serás rico para todos os intentos de bemaventurança. Aguarde um pouco, e esta cabeça cansada usará a coroa de glória, e esta mão de trabalhos agarrará o ramo de palmeira da vitória. Não lamente os teus problemas, mas antes, alegrese, pois em breve estarás onde "não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor" (Ap 21:4).

Os carros de fogo estão em tua porta, e apenas um instante será o suficiente para levar-te ao Glorificado. A canção eterna está quase nos teus lábios. Os portões do céu estão abertos diante de ti. Não penses que poderás deixar de entrar no repouso. Se Ele te chamou, nada pode separar-te do Seu amor. Aflição não pode romper o vínculo; o fogo da perseguição não pode queimar o elo; o martelo do inferno não pode quebrar a corrente. Tu estás seguro; essa voz que te chamou no princípio irá chamar-te mais uma vez da terra ao céu, da escuridão da morte para os esplendores inexprimíveis da imortalidade. Tenha certeza, o coração dAquele que te justificou bate com amor infinito por ti. Em breve, tu estarás com o Glorificado, onde é a tua porção; tu estás esperando aqui apenas para que sejas feito adequado para tua herança e, uma vez feito isso, as asas dos anjos te suspenderão para longe, para o monte da paz, e alegria, e bem-aventurança, em um lugar... "… Longe de um mundo de sofrimento e pecado, Com Deus eternamente encerrado, Tu descansarás para todo o sempre".

Noite

Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei

(Lm 3:21)

A memória é frequentemente escrava do desânimo. Mentes em desespero recordam cada mau presságio do passado e o expandem sobre cada característica sombria no presente; assim, a memória, vestida de saco, apresenta à mente um copo de fel misturado com absinto. Não há, contudo, necessidade para isso. A sabedoria pode facilmente transformar a memória em um anjo de conforto. Essa mesma lembrança que, em sua mão esquerda, traz tantos presságios sombrios, pode ser treinada para ter, a sua direita, uma riqueza de sinais de esperança.

Ela não precisa usar uma coroa de ferro; ela pode lhe cercar a testa com um filete de ouro todo salpicado de estrelas. Assim foi a experiência de Jeremias; no verso anterior, a memória trouxe a ele uma profunda humilhação na alma: "Minha alma certamente disto se lembra, e se abate dentro de mim" (Lm 3:20); porém, agora, essa mesma memória restaurou-lhe a vida e o conforto. "Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei". Como uma espada de dois gumes, sua memória, com um lado, matou primeiro o seu orgulho e, em seguida, matou seu desespero com o outro. Como princípio geral, se quisermos exercer nossas memórias de forma mais sábia, podemos, em nossas angústias mais sombrias, acender um fósforo que iluminará instantaneamente a lâmpada do conforto. Não há necessidade de Deus criar uma coisa nova sobre a Terra a fim de restaurar a alegria aos crentes; se eles, em oração, cavarem as cinzas do passado, encontrarão a luz para o presente; se voltarem-se para o livro da verdade e para o trono da graça, a sua vela em breve brilhará como antes. Que a misericórdia do Senhor seja o nosso lembrar e Suas obras de graça o nosso treinar. Abramos o livro da lembrança, que é tão ricamente iluminado com memoriais de misericórdia, e logo estaremos felizes. Assim, a memória pode ser, como Coleridge chama, "os primeiros botões de alegria", e quando o Consolador Divino dirigi-la ao Seu serviço, ela poderá ser o primeiro entre os confortos terrenos.

Samuel Taylor Coleridge (1772 - 1834) foi um poeta, crítico literário e ensaísta inglês, considerado um dos fundadores do romantismo na Inglaterra. (N.T.)