(…) Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem
(Ct 2:10)
Veja! Eu ouço a voz do meu Amado! Ele fala comigo! O bom tempo está sorrindo sobre a face da Terra; Ele não me deixará espiritualmente dormindo enquanto toda a natureza ao meu redor está despertando de seu invernal descanso. Ele me convida: "Levanta-te", e bem faz Ele, pois eu tenho repousado tempo demais entre os vasos do mundanismo.
Ele ressuscitou, e eu ressuscitarei nEle; por que, então, devo me apegar à poeira? De amores, desejos, buscas e aspirações inferiores, eu subirei a Ele. Ele me chama pelo doce título "meu amor", e considera-me honrada; esse é um bom argumento para minha ascensão. Se Ele assim tem me exaltado, e assim considera-me formosa, como posso permanecer nas tendas de Kedar (Sl 120:5) e julgar agradável a associação com os filhos dos homens? Ele me convida: "Vem". Do mais profundo egoísmo, vileza, mundanismo e pecado, Ele me chama; sim, do mundo exteriormente religioso que não O conhece e não tem qualquer afinidade com o mistério da vida superior, Ele me chama. "Vem" não tem qualquer conotação severa aos meus ouvidos, pois o que haveria aqui para me manter neste deserto de vaidade e pecado? Ó meu Senhor, quisera eu poder sair, mas estou tomado entre espinhos e não consigo escapar deles como eu gostaria. Se fosse possível, preferiria não ter nem olhos, nem ouvidos, nem coração para o pecado. Tu me chamas para Ti, dizendo: "Vem", e essa é verdadeiramente uma melodiosa chamada.
Ir ter contigo é voltar do exílio para casa, é sair da furiosa tempestade e descansar depois de um exaustivo trabalho, é chegar ao destino da minha vontade e ao cume dos meus desejos. Mas, Senhor, como pode a pedra se elevar? Como pode um pedaço de barro sair da terrível cova? Ó, levanta-me, chama-me. Tua graça pode fazê-lo. Envia teu Espírito Santo para acender chamas sagradas de amor em meu coração, e eu continuarei subindo até deixar a vida e o tempo atrás de mim, e verdadeiramente ir.