Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 15 de abril

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

DEUS meu, Deus meu, por que me desamparaste? (…)

(Sl 22:1)

Nós aqui contemplamos o Salvador nas profundezas de Suas dores. Nenhum outro lugar retrata tão bem os sofrimentos de Cristo como o Calvário, e nenhum outro momento no Calvário é tão cheio de agonia como aquele em que Seu grito rasga o ar, dizendo: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". Nesse momento, a fraqueza física foi unida à aguda tortura mental advinda da vergonha e ignomínia pela qual Ele passou; e, para fazer Seu sofrimento culminar com ênfase, Ele sofreu uma agonia espiritual que ultrapassa qualquer descrição, resultado do afastamento da presença de Seu Pai. Essa foi a escuridão de Seu horror e, então, Ele desceu ao abismo do sofrimento. Nenhum homem pode adentrar ao pleno conhecimento dessas palavras. Às vezes, alguns de nós pensam que podem clamar: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". Há períodos em que o brilho do sorriso de nosso Pai é eclipsado por nuvens e escuridão, mas lembremo-nos que Deus nunca realmente nos abandona. É apenas um aparente abandono; no entanto, no caso de Cristo foi um abandono verdadeiro. Sofremos um pouco a recolhida do amor de nosso Pai, mas o verdadeiro afastamento da face de Deus ao Seu Filho, quem poderá avaliar a profundidade da agonia que isso Lhe causou? Em nosso caso, o clamor é muitas vezes motivado pela incredulidade; no caso dEle foi a expressão de um terrível fato, pois Deus havia realmente Se afastado dEle por um período. Ó tu, pobre e angustiada alma, que vive sob o sol do rosto de Deus, mas que está, agora, na escuridão: lembre-se que Ele não te abandonou verdadeiramente. Deus entre nuvens é tanto o nosso Deus como quando Ele brilha em todo o esplendor de Sua graça; contudo, se tão somente o pensamento que Ele nos abandonou nos dá agonia, o que deve ter sido a angústia do Salvador quando exclamou: "DEUS meu, Deus meu, por que me desamparaste?".

Noite

(…) exalta-os para sempre

(Sl 28:9)

O povo de Deus precisa ser exaltado. Eles são muito pesados por natureza. Eles não têm asas ou, tendoas, são como as pombas que ficavam deitadas entre redis, necessitando da graça divina para exaltá-los em asas cobertas de prata, com penas de ouro amarelo (Sl 68:13). Por natureza, faíscas voam para cima, mas as almas pecadoras dos homens vão para baixo. Ó Senhor, "exalta-os para sempre"!

O próprio Davi disse: "A Ti, Senhor, levanto a minha alma" (Sl 25:1), pois ele sentia a necessidade de que a alma dos homens precisa ser exaltada, assim como a sua própria. Quando você clamar por essa bênção para si mesmo, não esqueça de buscá-la também para os outros. Há três maneiras pelas quais o povo de Deus necessita ser exaltado. Eles precisam ser exaltados em caráter. Exalta-os, ó Senhor; não permita que o Teu povo seja como as pessoas do mundo! O mundo jaz no maligno (1Jo 5:19); exalta-os de lá! As pessoas do mundo estão atrás da prata e do ouro, buscando seus próprios prazeres e a satisfação de seus desejos; porém, Senhor, exalta o Teu povo acima de tudo isso; não permita que sejam "cavadores de imundícies", tal como John Bunyan chama o homem que estava sempre correndo atrás do ouro! Coloca o coração deles sob o Senhor ressuscitado e na herança celestial! Além disso, os crentes precisam ser exaltados no conflito. Na batalha, se parece que irão perecer, ó Senhor, dignaTe em dar-lhes a vitória. Se o pé do inimigo está sobre o pescoço deles, ajuda-os a segurar a espada do Espírito (Ef 6:17) e, finalmente, vencer a batalha.

Senhor, exalta o espírito de Teus filhos no dia do conflito; não os deixe sentar no pó, de luto, para sempre. Não permita que o adversário fortemente os atormente e que fiquem afligidos, mas, ao serem perseguidos, tal como Ana (1Sm 2:1), cantem a misericórdia de um Deus de livramento. Podemos pedir também ao Senhor que os exalte ao final! Exalte-os, levando-os para casa; exalte seus corpos do sepulcro e eleve suas almas para o Teu eterno reino na glória. "Cavadores de imundícies" é um personagem do livro "O Peregrino", escrito pelo pregador John Bunyan (1628 - 1688), publicado na Inglaterra, em 1678. (N.T.)