Próximo culto: Domingo às 11h30

Devocional de 10 de abril

Fonte: Devocional Manhã e Noite – Charles H. Spurgeon

Manhã

(…) ao lugar chamado a Caveira (…)" (Lc 23:33) A colina do conforto é a colina do Calvário; a casa da consolação é construída com a madeira da cruz; o templo das bênçãos celestiais é fundado sobre a pedra fendida, fendida pela lança que perfurou Seu lado dilacerado. Nenhuma cena na história sagrada satisfaz mais a alma como a tragédia do Calvário. Luzes surgem do meio-dia à meia-noite no Gólgota, e toda a erva do campo floresce docemente à sombra da árvore uma vez amaldiçoada. Naquele lugar de sede, a graça cavou uma fonte que jorra eternamente águas puras como cristal, onde cada gota é capaz de aliviar os males da humanidade. Aqueles que tiveram períodos de conflito podem afirmar que nunca foi no monte das Oliveiras que encontraram conforto, nem no monte Sinai, nem em Tabor (Jz 4:6), mas no Getsêmani (Mt 26:36), em Gabatá (Jo 19:13) e no Gólgota (Mt 27:33), lugares que foram meios de consolação. As ervas amargas do Getsêmani têm muitas vezes levado amarguras para sua vida; o flagelo de Gabatá muitas vezes tem lhe açoitado com preocupações; e os gemidos do Calvário colocam todos os demais gemidos em fuga. Assim, o Calvário produz a nós uma rara e rica consolação. Nós jamais teríamos conhecido o amor de Cristo, em toda a sua altura e profundidade, se Ele não tivesse morrido; não poderíamos imaginar a profunda afeição do Pai se Ele não tivesse dado Seu Filho para morrer. As misericórdias comuns que desfrutamos cantam todas em louvor, tal como as conchas do mar quando as colocamos sobre nossos ouvidos, sussurrando as profundezas do mar de onde vieram; contudo, desejamos ouvir o próprio oceano; não devemos olhar apenas para cada bênção diária, mas para a realização da crucificação. Aquele que conhece o amor, descanse no Calvário e veja o Homem de dores (Is 53:3) morrer.

Noite

Porque esta mesma noite o anjo de Deus (…) esteve comigo

(At 27:23)

Tormenta, longa escuridão e o risco iminente de naufrágio levaram a tripulação do navio ao abatimento; apenas um homem entre eles permaneceu perfeitamente calmo, e, por sua palavra, todo os demais foram tranquilizados. Paulo era o único homem que tinha coragem suficiente para dizer: "Senhores, tende bom ânimo". Havia experientes legionários romanos a bordo, bravos e calejados marinheiros, porém um pobre prisioneiro judeu tinha mais espírito do que todos eles. Paulo tinha um secreto Amigo que manteve sua coragem elevada. O Senhor Jesus enviou um mensageiro celestial para sussurrar palavras de consolo ao ouvido de Seu fiel servo; por isso, Paulo exibia um rosto brilhante e falava como um homem tranquilo.

Se tememos ao Senhor, podemos clamar por oportunas intervenções quando nossa situação está em seu pior momento. Os anjos não são afastados de nós por tempestades ou nos são escondidos pela escuridão. Serafins não consideram humilhação visitar os mais pobres da família celestial. Se as visitas angelicais, em tempos normais, são poucas e distantes entre si, elas serão frequentes em nossas noites de tempestade e perturbação. Os amigos podem nos abandonar quando estamos sob pressão, porém nosso relacionamento com os habitantes do mundo angélico é abundante; na força de amáveis palavras, trazem do trono para nós, pelo caminho da escada de Jacó, vigor para fazermos proezas. Caro leitor, é esta uma hora de angústia para você? Então, peça uma especial ajuda. Jesus é o anjo da aliança (Is 63:9), e se Sua presença for, agora, sinceramente procurada, ela não será negada. E que assistência traz ao coração; alegra aqueles que lembram, como Paulo, que tiveram o anjo de Deus, de pé, por eles, em uma noite de tempestade, quando âncoras não mais sustentavam e os rochedos se aproximavam.