(…) ao lugar chamado a Caveira (…)
(Lc 23:33)
A colina do conforto é a colina do Calvário; a casa da consolação é construída com a madeira da cruz; o templo das bênçãos celestiais é fundado sobre a pedra fendida, fendida pela lança que perfurou Seu lado dilacerado. Nenhuma cena na história sagrada satisfaz mais a alma como a tragédia do Calvário. Luzes surgem do meio-dia à meia-noite no Gólgota, e toda a erva do campo floresce docemente à sombra da árvore uma vez amaldiçoada. Naquele lugar de sede, a graça cavou uma fonte que jorra eternamente águas puras como cristal, onde cada gota é capaz de aliviar os males da humanidade. Aqueles que tiveram períodos de conflito podem afirmar que nunca foi no monte das Oliveiras que encontraram conforto, nem no monte Sinai, nem em Tabor (Jz 4:6), mas no Getsêmani (Mt 26:36), em Gabatá (Jo 19:13) e no Gólgota (Mt 27:33), lugares que foram meios de consolação. As ervas amargas do Getsêmani têm muitas vezes levado amarguras para sua vida; o flagelo de Gabatá muitas vezes tem lhe açoitado com preocupações; e os gemidos do Calvário colocam todos os demais gemidos em fuga. Assim, o Calvário produz a nós uma rara e rica consolação. Nós jamais teríamos conhecido o amor de Cristo, em toda a sua altura e profundidade, se Ele não tivesse morrido; não poderíamos imaginar a profunda afeição do Pai se Ele não tivesse dado Seu Filho para morrer. As misericórdias comuns que desfrutamos cantam todas em louvor, tal como as conchas do mar quando as colocamos sobre nossos ouvidos, sussurrando as profundezas do mar de onde vieram; contudo, desejamos ouvir o próprio oceano; não devemos olhar apenas para cada bênção diária, mas para a realização da crucificação. Aquele que conhece o amor, descanse no Calvário e veja o Homem de dores (Is 53:3) morrer.